Considerações finais e referências bibliográficas

Por Felipe Shikama 

A questão do pretenso consenso desempenhado pelos jornais, especialmente em um espaço público local, parece não se limitar à comum noção de pressão e dependência econômica, e até política, sofrida pelas empresas jornalísticas.

Pois, embora os jornais, enquanto organizações privadas, busquem o lucro e o possam vir a tratar a notícia como produto (para atingir a maior parcela da sociedade) essa legítima relação capitalista pouco tem a ver com o sentido de manipulação e conspiração articulada pelas classes dominantes.

É, sim, pela capacidade de estabelecer, na direção moral e intelectual, mapas de significado por meio dos quais as pessoas lêem e interpretam o mundo que, em Gramsci, os jornais, no espaço da sociedade civil, se constituem “Aparelhos Privados da Hegemonia”.

Além dessa implicação ideológica capaz de operar no processo de seleção e construção das notícias em favor da uniformidade de corações e mentes, o real efeito do consenso na sociedade é apenas hipotético, pois, mesmo mescladas às outras forças (individuais, organizacionais, culturais, bem como o fator tempo) capazes de indicar direção hegemônica, o verdadeiro efeito social das notícias depende, invariavelmente, da percepção do receptor.

Embora, de maneira geral, os rumos do jornalismo têm apontado avanços no que tange ao agendamento de temas socialmente relevantes e uma pluralidade cada vez mais intensa. A dependência de materiais institucionais, predominância de fontes oficiais, e mesmo a falta de preparo dos jornalistas para compreender e articular importantes discussões ainda se faz presente no contexto local.

Estas práticas, entre outros fatores, são capazes de indicar o “modus operandi” dos jornais que, ignorando a existência da polifonia de vozes subalternas, continuam operando consensualmente pela quase ausência de conflitos.

Referências citadas

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SOUSA, Jorge Pedro. Teorias da notícia e do jornalismo. Chapecó: Argos, 2002.

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_________________. O estudo do jornalismo no século XX. São Leopoldo: Unisinos, 2001

_________________.Teorias do Jornalismo. A tribo jornalística – uma comunidade
interpretativa transnacional Florianópolis: Insular, 2005.

_________________. Teorias do Jornalismo. Porque as notícias são como são. Florianópolis: Insular, vol 2, 2005.

Artigo científico de autoria de Felipe Shikama – produzido originalmente para o Programa de Iniciação Científica (Probic) pela Universidade de Sorocaba sob a orientação do prof. Dr. João José de Oliveira Negrão. 

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