Dia Internacional Contra a Discriminação Racial

Por Felipe Shikama

Este sábado (21/03) é o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. A data foi instituida pela ONU depois do Massacre de Sharpeville em 21 de março de 1960, quando 69 negros foram brutalmente assassinados por policiais sul-africanos.

Em meio ao Apartheid, o Congresso Pan-Africano (PAC) realizava protesto contra a Lei do Passe, que obrigava os negros da África do Sul a usarem um cartão, no qual indicava quais os locais eles podiam frequentar. Cerca de cinco mil manifestantes se reuniram em Sharpeville e marchavam calmamente, num protesto pacífico, quando rajadas de metralhadora mataram dezenas de militantes e deixaram outros 180  feridos.

O episódio de terror, marcado literalmente por sangue, não foi em vão. Só a partir daquele momento, a opinião pública mundial passava finalmente a tomar conhecimento dos horres do Apartheid no país africano. Posteriormente,  um grupo de fotojornalistas – intitulado “Bang Bang Club”-, denunciou nos jornais de todo o mundo as atrocidades que  intolerância e o preconceito de seres humanos são capazes de fazer com outros, e iguais, seres humanos.

No Brasil, no entanto, a data não é para ser comemorada. Não aqui, no último país do mundo a acabar com a escravidão. Não há motivo para festa no país onde, ainda hoje, a renda dos negros representa menos da metade da dos brancos. No Dia Internacional Contra a Discriminação Racial não há comemoração na terra  onde a quantidade de morte de crianças negras é o dobro das brancas.

No que se refere à educação, um dos principais indicadores do nível de Desenvolvimento Humano – juntamente com saúde (índice de mortalidade e perspectiva de vida) e renda (para acesso a bens de consumo essenciais), assistimos na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado um debate acalorado em relação a criação de um sistema de cotas raciais para ingresso de estudantes nas universidades federais.

Embora tardia, a discussão democrática e qualificada, envolvendo grupos de interesse favoráveis e contrários ao projeto de lei, significa grande avanço para o acúmulo de forças entre atores sociais interessados em exterminar com qualquer tipo de noção pautada pela diferença étnica. 

O debate em torno da ação afirmativa das cotas, sejam elas aprovadas ou não, é relevante também porque começa, mesmo que de forma tímida,  a reconhecer as discrepâncias de oportunidades – construídas historicamente – entre negro e brancos para o acesso ao emprego, aos serviços públicos, à participação no poder e a garantia direitos mínimos de cidadania.

Neste quadro traçado não apenas por números, mas pela brutal ausência de equidade, pequenos e importantes passos começam a ser dados. A história cumpre papel de professor e a morte de 69 negros é apenas uma das lições que não devem ser esquecidas, jamais!

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