Febre amarela deixa Sorocaba e região em alerta

A febre amarela já vitimou quatro pessoas no estado de São Paulo, segundo dados oficiais registrados até esta quarta-feira (8). Autoridades do Centro de Vigilância Epidemiológica estadual estiveram em Sorocaba para expor o problema e definir estratégias para o combate à doença.

Felipe Shikama

Autoridades da Vigilância Epidemiológica do estado de São Paulo estiveram em Sorocaba nesta terça-feira (7) para uma reunião com a Secretaria Municipal de Saúde para discutir o problema da febre amarela na região de Sorocaba.
No estado de São Paulo, desde o início do ano, foram registradas 11 notificações da doença,  sendo que quatro apessoas morreram. A última morte por febre amarela foi registrada no município de Buri, a 150 quilômetros de Sorocaba.

De acordo com o secretário de Saúde, Milton Palma, em entrevista nesta quarta-feira na Jovem Pan Sorocaba, os municípios mais próximos da região de Sorocaba, que apresentam casos do vírus de febre amarela são: Piraju, Sarutaiá, Itatinga e Buri. “São casos de febre amarela silvestre. Em que a doença está em macacos e é transmitida pelo mosquito hospedeiro chamado haemagogos”.

Já no caso de febre amarela urbana, que não é registrada no Brasil desde 1942, o homem é o portador do vírus e a doença é transmitida pelo mosquito aedes aegypti, o mesmo inseto transmissor da dengue.

Milton Palma chama a atenção para o risco de urbanização da febre amarela silvestre na cidade. “Nossa preocupação são duas. A primeira, recomendar que as pessoas que tiverem de ir para estas regiões onde o vírus está circulando tomem a vacina. Já para as pessoas de Sorocaba que não vão viajar, elas devem estar atentas com os criadouros da dengue porque aí a gente vai estar combatendo duas coisas”.

Palma assinala que há na cidade vacina para febre amarela, em cinco postos de saúde, mas ressalta que apenas as pessoas que realmente forem viajar para regiões de risco devem tomá-la. “Não há necessidade de corrida aos postos de saúde. A obrigação da vacinação é apenas para estas pessoas que vão viajar”.

O diretor regional de Saúde de Sorocaba, Antônio Carlos Nasi, informa que apesar da gravidade da doença, as pessoas não devem entrar em pânico. “É sempre recomendado que a vacinação seja feita apenas para pessoas que se desloquem para as regiões aonde a febre amarela é endêmica. Não há necessidade de pânico. E para aqueles que residem na região urbana destas cidades, também ainda não há razão para desespero”, orienta.

O médico infectologista Mário Cândido de Oliveira Gomes destaca que, depois de tomada, a vacina tem valor de dez anos, mas as pessoas devem receber a dose com pelo menos dez dias de antecedência à viagem para as regiões de risco. Crianças com menos de seis meses de vida e pessoas com quadro grave de baixa imunidade não devem tomar a vacina.

Mário Cândido de Oliveira Gomes afirma ainda que os sintomas iniciais de febre amarela urbana são bastante semelhantes aos de caso de dengue. Febre, cansaço, mal-estar e dores de cabeça e musculares, principalmente no abdômen. “A febre amarela acomete principalmente o fígado. Uma hepatite muito grave e que pode acometer também os rins. A pessoa morre por destruição total do fígado. A dengue, não, é por distúrbio de coagulação do sangue, então eu classifico a febre amarela silvestre como sendo mais grave do que a dengue. Ao contrário da dengue, porém, a febre amarela dispõe de uma vacina excelente para a sua prevenção, sendo administrada em dose única de meio mililitro, subcutânea, com 95% de eficácia”.

A preocupação dos sorocabanos, diante dos casos registrados de febre amarela no estado de São Paulo, foi refletida nos postos de saúde desde o início da semana. Nesta quarta-feira (8) logo pelas primeiras horas da manhã, cerca de 60 pessoas já aguardavam na fila para receber a dose da vacina no Centro de Saúde da Vila Angélica. Em Itapetininga, as doses acabaram na semana passada. A Secretaria de Saúde informou que um novo lote chegaria nesta quinta-feira (9).

O secretário de Saúde Milton Palma assinala que há, em Sorocaba, quantidade suficiente de vacinas para a febre amarela, que são aplicadas em cinco postos de saúde (veja os locais de vacinação no box), mas reforça que apenas as pessoas que realmente forem viajar para regiões de risco devem tomá-la. “Não há necessidade de corrida aos postos de saúde. A obrigação da vacinação é apenas para estas pessoas que vão viajar”, recomenda.

Quem pretende viajar para a região Amazônica ou para a região Centro-Oeste também precisa ficar atento.
“O vírus da febre amarela determina no homem desde formas leves (doenças febris) até fulminantes, sendo o fígado o órgão mais atingido sob a forma de hepatite e necroses extensas”, afirma Mário Cândido.

Cândido destaca que o vetor da febre amarela é o aedes aegypti, o mesmo inseto que transmite os vírus da dengue. “O inseto vive dentro e em torno das casas, reproduzindo-se em coleções de água limpa. Mais de 90% dos casos de febre amarela , diagnosticados em nosso país, ocorrem nas florestas de todos os estados das regiões Norte e Centro-Oeste, assim como em grande parte do estado do Maranhão e oeste de Minas Gerais, que correspondem a 75% do território nacional. Por isso os indivíduos mais acometidos são os índios e os imigrantes, que vieram do sul do país para trabalhar em fazendas ou madeireiras”, conclui.

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