Lei seca completa um ano com redução de acidentes em Sorocaba

Felipe Shikama

A poucos dias de completar um ano de sua promulgação, a Lei 11.705, conhecida como “Lei Seca”, que entrou em vigência no dia 19 de junho de 2008 e proíbe o consumo de bebida alcoólica por condutores de veículos automotores, as estatísticas realizadas pela Policia Militar revela o perfil dos motoristas infratores na cidade de Sorocaba.lei seca_Agencia Brasil

De acordo com o tenente André Luiz Menezes, chefe da Seção de Assuntos Civis do 7º Batalhão de Polícia Militar do Interior, de junho de 2008 até maio de 2009, 288 motoristas foram autuados por estarem dirigindo sob efeito de álcool. “80% destes casos, o motorista era homem e 46% se enquadravam na faixa etária que vai dos 22 aos 30 anos”, revela Menezes.

Segundo Menezes, antes da criação de uma legislação específica, prevista no Código Nacional de Trânsito, os registros de ocorrência de motorista pego dirigindo em estado de embriaguez eram enquadrados como “contravenção penal”. Fato que, portanto, dificulta a comparação entre os números registrados antes e depois da nova lei. “De qualquer forma, eu acredito que o número de motoristas que dirigem sob efeito do álcool apresentou decréscimo considerável, do segundo semestre do ano passado até agora. Posso afirmar, sem dúvida, que houve uma redução sensível”, afirma.

Além de constatar que o gênero masculino é majoritariamente responsável pela infração, a estatística feita pela Polícia Militar também revela que 70% das autuações foram registradas entre 21 e 3 horas da manhã. “A maior parte destas ocorrências foi registrada pela 3ª Cia, que abrange a região central e do Campolim, que é onde concentra número elevado de jovens e de bares”, constata o tenente.

Das 288 autuações registradas em Sorocaba, no período de vigência da lei, 70% corresponderam a motoristas e 20% para motociclistas. As ocorrências envolvendo ônibus e caminhões registraram 10%. Fiscalização Àqueles que acreditam que a lei “não pegou”, Menezes afirma que este discurso é um mito. “A polícia continua realizando bloqueios policiais direcionados como a Operação ‘Direção Segura’, assim como fiscalização, com uso de bafômetros, no caso de ocorrência de acidentes de trânsito”, diz.

Para o tenente Menezes, a Lei Seca contribui não somente para o procedimento dos policiais, mas, a população de forma geral. “A criação da lei foi imprescindível para o trabalho da Polícia Militar, mas, principalmente para as pessoas que estão nas ruas e são pessoas de bem, cumpridoras da lei”.

Legislação mudou comportamento dos motoristas

Há exatamente um ano, o advogado Jefferson Silva Stievano, 34 anos, acompanhado de um grupo de onze amigos, todos profissionais liberais da mesma faixa etária, não pensava duas vezes na hora de sentar-se atrás do volante de seu carro para retornar de um bar da zona sul à sua casa, no bairro Wannel Wille, depois de ter consumido bebida alcoólica.

Depois da promulgação da chamada Lei Seca, que tipifica de forma severa os condutores que são abordados em estado de embriaguez, Stiviano, assim como muitos jovens conscientes tratou de pensar numa alternativa para continuar se divertindo socialmente sem descumprir a lei e, principalmente, sem colocar a vida própria e a de outros em risco.

Juntamente com seus amigos, todos eles residentes do mesmo bairro, Stievano se dispôs a oferecer sua casa para que lá fossem transferidas as tradicionais confraternizações do grupo. “A gente ia para os bares, assistir jogo de futebol e tomar cerveja e depois, cada um voltava dirigindo o seu carro. Agora, bebemos e vemos os jogos na minha casa, depois cada um volta a pé”. “Quando a gente decide ir a algum bar, um motorista fica com a tarefa de dirigir e, portanto, não bebe”, acrescenta.

Ao contrário do que muitos apontavam quando a lei foi promulgada, no dia 19 de março do ano passado, as festas promovidas pelo grupo de Jefferson Stievano não acabaram. “Agora nos reunimos todas as quartas-feiras. A cada semana, uma dupla fica responsável por fazer o jantar e isto, além de reforçar a socialização que já existia, também promove os dotes culinários dos participantes”, conta ele que, antes da lei, não sabia fritar um ovo e agora diz ter iniciado o gosto pela culinária.

Reforçar a socialização entre os amigos e despertar os dotes gastronômicos, no entanto, são apenas alguns dos efeitos colaterais positivos gerados depois da criação da Lei Seca, considerada como uma das mais avançadas do mundo. “O mais importante é que com esta alternativa que encontramos, estamos preservando vidas”, finaliza.

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