Novo Enem recebe inscrições até esta sexta-feira

Felipe Shikama

As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terminam nesta sexta-feira (17). A prova acontece nos dias 3 e 4 de outubro e os resultados começam a ser divulgados em dezembro. Já o boletim  final deverá ser entregue em janeiro do ano que vem. Enem

Neste ano o Enem passará a ter 200 questões de múltipla escolha e uma prova de redação. Nos anos anteriores, o exame continha, além da redação, 63 questões.

Pelo novo formato, as questões serão divididas em quatro grupos: linguagens (incluindo português, inglês e a redação), matemática, ciências humanas e ciências da natureza.

Com as alterações do formato da prova, o Ministério da Educação espera que o exame seja usado pelas universidades federais no lugar do vestibular tradicional.

Na região sudeste, entre as universidades que aderiram à proposta do MEC, estão a Universidade Federal do ABC, a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

Em todo o Brasil, das 55 universidades federais, 46 deverão aplicar o novo Enem como mecanismo de ingresso, seja de forma parcial ou integral.

Para a professora Regina da Paz, ex-diretora do Colégio Engenheiro Juarez Wanderley, mantido pela Embraer e instalado na cidade de São José dos Campos, instituição que no ano passado teve a maior média no Enem no estado de São Paulo, a alteração no modelo do Exame Nacional do Ensino Médio, visando colocá-lo como principal porta de entrada para as universidades federais representa um momento histórico da educação brasileira.

“Um dos objetivos do MEC parece ser também o de influenciar a qualidade do ensino médio por meio desta decisão. Isto porque quando o MEC coloca o Enem como uma das principais portas de entrada para a faculdade, ele está sinalizando que a aprendizagem hoje deve ser mais de habilidades, de competência, de uma estrutura de pensamento desenvolvida. Uma estrutura cognitiva que deve ser trabalhada, dando lugar à memorização de conteúdo sem significado, que ainda é aplicado nos modelos mais tradicionais e mais antigos de seleção”, afirma.

Nova realidade
Consultora pedagógica da Rede Pitágoras, que conta com 600 escolas parceiras no país, professora Regina da Paz acrescenta que o modelo de seleção aplicado nos vestibulares mais antigos já se demonstra obsoleto diante da realidade brasileira atual.

“Até poucos anos atrás, existia aquela idéia de que o aluno não precisava estudar tanto no ensino médio, porque depois ele faria um ano de cursinho e aprenderia tudo, se estudasse dez horas por dia. Na verdade, naquele paradigma antigo, do acesso de conteúdo, as coisas poderiam até dar certo, mas agora, para o aluno ser dar bem numa prova de Enem, ele tem que se dedicar e tem que, obviamente, estudar numa escola que tenha um bom sistema de ensino”, completa.

Para Iara Bernardi, representante do MEC no estado de São Paulo, a mudança no Enem representa um grande avanço na educação brasileira e deverá apontar mudanças significativas na qualidade do ensino médio. “O conteúdo, quando memorizado sem significado, pode ser esquecido no dia seguinte. Já a construção de habilidades, priorizando a capacidade de compreensão do aluno, é uma ferramenta que o estudante jamais perderá. Creio que o Enem, neste novo modelo, deverá induzir gradativamente um ensino médio de melhor qualidade”, afirma.

Já para o professor sorocabano Arthur Fonseca Filho, presidente do Conselho Estadual de Educação, a mudança deve ser vista com cautela. “O Enem não foi construído com esta finalidade (de ser um exame vestibular). O objetivo era fazer uma avaliação da educação básica, isto é medir o nível de conhecimento escolar dos alunos. Não era para ser decisivo para o acesso às instituições superiores”.

Mudança repentina
O presidente do Conselho Estadual de Educação afirma que a proposta do MEC conta com aspectos “altamente positivos”, podendo inclusive transformar os paradigmas da educação básica brasileira, mas não poupa críticas ao modo como a alteração foi feita. “A minha critica é em relação à mudança ter sido feita de maio para junho. Isto pode ser muito problemático. Creio que qualquer alteração neste sentido deveria ser realizada no prazo de, pelo menos, três anos. Esta mudança repentina é prejudicial, inclusive para os alunos. Não se pode mudar as regras no meio do jogo, é necessário tempo para se preparar”, defende.

Fonseca, todavia, se diz favorável às iniciativas que prevêem a unificação de exames para o ingresso do ensino superior. “Eu acho um exagero a quantidade de exames para as universidades, sobretudo as públicas, em todo o estado de São Paulo. Creio que a iniciativa de unificar ou pelo menos reduzir o número de vestibulares deve ser bem vista. Agora, teremos de esperar para ver qual será a linha do novo Enem que, de Enem, agora só tem o nome”.

Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), órgão responsável pela aplicação do Enem, a expectativa para este ano é receber 6 milhões de inscrições que devem ser feitas apenas pelo site http://enem.inep.gov.br/inscricao. Os documentos exigidos para preencher o formulário da internet são identidade e CPF. 

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