Nova Secretária define cultura e esporte como prioridades para a juventude

Felipe Shikama

Novas possibilidades. Com freqüência, a sentença é usada pela médica pediatra Edith Di Giorgi, durante sua primeira entrevista como secretária da Juventude. Nomeada pelo prefeito Vitor Lippi (PSDB) na sexta-feira (17), para ocupar o lugar deixado pela psicóloga e presidente do Educandário Santo Agostinho, Aline Peres Hildebrand Garcia, Edith não esconde o entusiasmo diante dos novos e grandes desafios que terá pela frente.

Criada há cinco anos, durante o primeiro mandato de Lippi, a Secretaria da Juventude, segundo Edith, já é uma resposta da administração municipal à constatação de que esta parcela social, definida pela faixa etária, vem sendo historicamente subalternizada. “Em termos biológicos, a juventude é o setor que menos demanda atenção do poder público. Mas, ao mesmo tempo, é na juventude que acontece o momento de definição dos hábitos – que vão determinar que tipo de adulto este jovem vai ser”, afirma.

Edith acrescenta que a formação dos bons hábitos, durante o período jovem do indivíduo, pode ser sugerida pelo poder público, mas não colocada de forma impositiva. “Não sou só eu que sei disso, as indústrias do cigarro, das bebida e das drogas já descobriram isto há muito tempo. Então, nós, enquanto poder público, temos de apontar nossas ações para este público na direção contrária. Me incomoda a idéia de que para profissionalizar um jovem, por exemplo, é preciso apenas oferecer um curso de pintura ou de jardinagem. É preciso criar oportunidades para que eles (jovens) vislumbrem novas possibilidades”.

Para Edith, ex-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), o entusiasmo pelas “novas possibilidades” é tão intenso que não se esconde nem mesmo diante do baixo orçamento dado à pasta ou em face das alarmantes estatísticas de adolescentes e jovens envolvidos na criminalidade – sobretudo com o narcotráfico.

“Eu penso que a gente tem que trabalhar com os jovens pensando que as políticas públicas tem de estar voltadas a dar o maior número de opções possíveis, ampliar a visão de mundo e de possibilidades para que eles possam vislumbrar os caminhos onde querem chegar”, sentencia.

Sincera, Edith admite não ser capaz de definir conceitualmente a noção de juventude, mas destaca a importância da parceria e do diálogo, tanto com as outras secretarias como com a sociedade civil, para a abertura dos novos caminhos para os jovens. “Esta é uma secretaria diferente porque não se divide por área de atuação, mas por faixa etária. Ela abrange todas as outras secretarias porque os jovens precisam de saúde, de educação, de cultura, de esporte, habitação e trabalho. Ou a gente pensa em atuações conjuntas com as outras áreas ou nada acontece”.

A resposta positiva de Edith diante do convite do prefeito Vitor Lippi para assumir a secretaria se deu após impor sua condição de continuar seguindo como suplente do CMDCA, órgão no qual preside o Comitê de Mortalidade Materna e Infantil. “Mesmo à frente da secretaria da Juventude, eu pretendo continuar com alguma ligação na questão das crianças. A meta do Comitê, inclusive, é a de, até o final desta administração, reduzir a mortalidade infantil para apenas um dígito. A mortalidade infantil é um indicador social importante, inclusive no Índice de Desenvolvimento Humano”, afirma.

Prioridades
“Eu não tenho a perspectiva de dar nada para ninguém. O engano da política é achar que a gente vai acabar levando alguma coisa para alguém”, afirma Edith, que não pertence a nenhum partido político.

Sinalizando o distanciamento do assistencialismo, a nova secretária elenca a cultura e o esporte como estratégias prioritárias para a elaboração de políticas públicas voltadas aos jovens de Sorocaba. “Cultura é uma das estratégias de inclusão mais importante que existe. Se o jovem puder ver e fazer teatro e ter a oportunidade de fazer música, por exemplo,ele terá uma abertura de pensamento, de visão de mundo. E o esporte, além do desenvolvimento físico que é o aspecto mais óbvio, trabalha muito a questão da disciplina, do trabalho em equipe e do pertencimento a uma coletividade. (A arte e o esporte) são coisas que dão prazer, e os jovens e os adolescentes, a gente sabe, são movidos pelo prazer”, constata.

Orçamento
Sobre o orçamento destinado à pasta, Edith di Giorgi -que concedeu entrevista na manhã de terça-feira (21)- disse ainda não ter analisado o Plano Pluri-Anual destinado à secretaria. “Mas eu acho que a gente consegue verba em outros lugares. Tem verba federal, verba estadual, além de parcerias com as outras secretarias, fundações e institutos independentes”.

Sem perder o entusiasmo, a nova secretária revela que, durante a experiência de doze anos trabalhando junto às entidades ligadas à proteção de crianças e adolescentes, percebeu que grande parte das verbas para políticas públicas sociais é desperdiçada pelos gestores públicos. “Muitas vezes a verba é desperdiçada porque as pessoas (tomadoras de decisão) não ficam sabendo, não apresentam projetos ou simplesmente não se esmeram”, relata.

Já em relação ao chamado planejamento estratégico, desempenhado até agora pela ex-secretária Aline Peres, Edith admite que parte das estratégias para as propostas prioritárias pode ser revista, mas acredita que “a parte essencial” deverá seguir a linha da lógica da atual administração.

Além de defender abertamente o diálogo e a parceria com as outras secretarias, para a promoção das ações voltadas á juventude, a secretária Edith destaca que é necessário pensar nas políticas públicas priorizando os espaços e as possibilidades de discussão e reflexão junto aos jovens. “Eu acho que não interessa dizer para o jovem o que é bom ou ruim para ele, mas é interessante que a gente possa, junto com eles (os jovens), pensar o que é bom ou ruim”.

Para a nova secretária, os mais diversos problemas sociais que envolvem os jovens no Brasil não são reduzidos porque os gestores públicos, muitas vezes, acabam considerando “como causa o que é conseqüência”. “Os problemas da gravidez na adolescência, da droga, da violência, por exemplo, na realidade, são fruto de uma coisa de base que é a falta de expectativa, de esperança, de projeto de vida. Enfim, de novas possibilidades”, conclui.

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