Cai o número de óbitos de crianças vítimas de acidentes

Felipe Shikama

Acidentes de trânsito, afogamentos, sufocações, queimaduras, quedas, intoxicações, entre outros, ocupam o primeiro lugar no ranking de mortes de crianças de 1 a 14 anos no Brasil. Em 2000, 6.656 crianças morreram vítimas de acidentes no país. Esse valor representa uma taxa de 13,2 por 100 mil habitantes.

Já em 2007, o número de mortes de crianças até 14 anos apresentou queda de 17%, quando 5.324 morreram de acidentes, representando uma taxa de 11,02 por 100 mil habitantes. A pesquisa foi feita pela Ong Criança Segura que utilizou os dados divulgados pelo Ministério da Saúde de 2000 a 2007.

A avaliação mostra uma melhora no cenário, mas o desafio da prevenção permanece e é tema deste domingo (30), no Dia da Prevenção de Acidentes com Crianças, instituído pela Ong com o objetivo de despertar o alerta público e ampliar o debate sobre este tema.

A queda do número de óbitos de crianças, vítimas de acidentes, também foi registrada em Sorocaba. De acordo com o Programa de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva), ligado à Secretaria de Saúde de Sorocaba, em 2006, 16 crianças morreram vítimas de acidentes. Já em 2007, o número caiu de óbitos caiu para dez, sendo seis deles de natureza de acidente de trânsito, três por inalação e um por afogamento.

Nesta comparação entre os anos de 2006 e 2007, a pesquisa revela, no entanto, aumento no caso de acidentes em que a criança teve de ser hospitalizada. Enquanto em 2006, 386 crianças com idades entre 0 e 14 anos sofreram acidentes, em 2007 o número subiu para 391 ocorrências. O levantamento foi realizado na Unidade Pré-Hospitalar da Zona Norte, no Pronto Socorro Municipal da Santa Casa e no Unidade Regional de Emergência do Conjunto Hospitalar de Sorocaba.

O inquérito realizado pelo Ministério da Saúde considera acidentes de diversas naturezas como de transporte, queda, queimadura, sufocamento, engasgamento envenenamento, intoxicações entre outros.

O estudo ainda analisou as ocorrências de acidentes por faixa etária e constatou que 41,5% das crianças acidentadas têm entre 10 e 14 anos. Entre as crianças com idades entre 5 e 9 anos, o índice cai para 35,1% e 22,5% entre os meninos e meninas de 1 a 4 anos. Segundo a Ong Criança Segura, que tem como missão promover a prevenção de acidentes com crianças e adolescentes, apesar da queda considerável no número de vítimas apresentada na pesquisa nacional, 90% dos acidentes poderiam ser evitados.

“Esta é uma questão muito grave e deve merecer atenção especial dos adultos. De certa forma, mesmo sendo ‘acidente’, pode ser evitado com diante dos cuidados e da supervisão de um adulto”, afirma Edith Maria Garboggini Di Giorgi, secretária municipal da Juventude e ex-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Médica pediatra e advogada, Edith é funcionária de carreira da prefeitura há 11 anos, onde coordenou Centros de Saúde e foi diretora de área de Assistência e Educação em Saúde.

Edith é coordenadora do Programa Fazendo o Futuro e milita há mais de 10 anos nas causas da criança e do adolescente. Para ela, a data instituída no Brasil pela primeira vez neste ano é útil para conscientizar a responsabilidade dos adultos, pais e cuidadores de crianças. “O levantamento destas estatísticas são fundamentais para a elaboração de políticas públicas voltadas à prevenção dos acidentes que envolvem nossas criançaas”, diz Edith.

Ela lembra que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante, aos meninos e meninas de todo o Brasil, o direito e proteção à vida e a saúde, sendo assegurado o atendimento prioritário no caso de a criança ou adolescente ser levado a qualquer hospital do país. “É um princípio constitucional e, sobretudo, um é dever de todos agir na prevenção destes acidentes”.

De acordo com o Relatório Mundial Sobre Prevenção de Acidentes com Crianças, lançado em dezembro pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Unicef, 830 mil crianças morrem em todo o planeta, por ano, por causa de acidentes. Por este motivo, inúmeras medidas de prevenção devem ainda ser adotadas e reforçadas como a disseminação de informações sobre o tema, mudança de comportamento, políticas públicas que assegurem infra-estrutura e ambientes seguros para o lazer, legislação e fiscalização adequada.

Maus-tratos respondem por 38% das violências atendidas pelo SUS

Levantamento da Secretaria de Estado da Saúde aponta que 37,8% dos casos de violência atendidos nos serviços públicos de saúde do Estado de São Paulo referem-se a maus-tratos contra crianças e adolescentes menores de 18 anos. O estudo, que avaliou 3.111 ocorrências de violência notificadas pelos serviços entre janeiro e maio deste ano, também revela que 29,1% das vítimas são menores de 14 anos. As meninas representam a maioria dos atendimentos: cerca de 60% do total. Em 93% dos casos, o agressor da criança é homem.

Os tipos de violência contra menores de 14 anos que prevaleceram foi a física, com 33% do total, e a sexual, com 29%, seguidas pela violência psicológica (xingar a criança, por exemplo), com 19%, e a negligência – que ocorre quando a vítima tem algum problema de saúde ligado à falta de cuidado dos responsáveis -, que representou 17% dos casos.

Das notificações que informaram quem foi o agressor, 32,2% tiveram como responsável pela violência os amigos ou conhecidos da vítima. Em outros 23,4% dos casos o agressor foi o pai da criança, e, em 12,9%, um desconhecido. Os padrastos responderam por 10,2% das agressões.

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