Ex-prefeito relembra governo Vargas

Felipe Shikama
“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”. As últimas palavras da Carta Testamento do então presidente da República, Getúlio Vargas, manuscrita em 1954, horas antes de suicidar-se com um tiro no coração, em seu quarto, no Palácio do Catete, ainda emocionam o ex-prefeito de Sorocaba, José Theodoro Mendes.

Profundo conhecedor da biografia e da trajetória política de Vargas, Theodoro Mendes não esconde a admiração pelo político nascido em São Borja, interior do Rio Grande do Sul, e que governou o país em dois momentos. De 1930 a 1945, e na segunda vez, de 1951 a 1954. “Durante oito anos, de 1937 a 1945, ele (Getúlio) foi ditador, depois, com a redemocratização, em 1946, ele voltou a ser eleito presidente da república nos braços do povo”, explica Mendes.

Advogado e professor de Direito Constitucional, aos 68 anos, Theodoro Mendes lembra que cresceu num um ambiente hostil ao presidente Vargas. “Minha família era anti-getulista porque eu tinha uma minha tia que era neta de Júlio Prestes de Albuquerque (ex-governador de São Paulo) e ele foi eleito presidente da República em 1930 para suceder Washington Luis, mas devido à revolução de 1930, encabeçada por Getúlio, ele não conseguiu tomar posse”.

A visão de Mendes sobre Getúlio mudou depois que ele passou a ler todas as publicações relacionadas ao homem que hoje considera “o maior estadista que o Brasil já teve”.

“Eu li tudo sobre Getúlio. Li, inclusive, o diário que o Getúlio escreveu durante 12 anos que foi de 1930 até 1942. No diário, ele escrevia as coisas intimas porque as coisas públicas a imprensa já cobria”.

Entre as curiosidades da vida de Getúlio, lembradas por Mendes, estão a aversão pelo Carnaval carioca e a frieza das emoções. “Getúlio tinha uma perspicácia fantástica. No diário ele citava, por exemplo, que não gostava de Carnaval porque achava que o povo vivia uma loucura, então ele ficava trancado no Palácio do Catete despachando. Outra coisa interessante que ele dizia, pela posição que ele ocupava, é de que ele não podia demonstrar sentimentos em público e tampouco se deixar levar pelos sentimentos”.

Apesar da perspicácia e da frieza nas tomadas de decisão, Getúlio, segundo Mendes tinha grande habilidade no trato com a população. “O discurso dele tinha um apelo muito forte para as massas, era incrível. Apesar de ele falar sempre na segunda pessoa do plural, o pronome ‘vós’, o povo o entendia muito bem. Ele começava o discurso com aquela célebre, usada em todos os seus discursos: ‘trabalhadores do Brasil’, e o povo ovacionava”, acrescenta Mendes, ex-deputado federal que participou da elaboração da Constituição de 1988.

Avanços econômicos e sociais
Theodoro Mendes lembra que foi durante o período em que o Brasil foi governado por Vargas que foi fundada a Usina Siderúrgica Nacional de Volta Redonda, a Companhia Vale do Rio Doce, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e a Petrobras. “Getúlio foi responsável por uma série de avanços importantes não só para a economia brasileira como também no campo social”, avalia.

Dentre os aspectos das políticas sociais promovidos por Getúlio está a introdução da Carteira do Trabalho, constando a ocupação do trabalhador, seu salário e o direito de filiar-se a um sindicato.

“Foi Getúlio quem iniciou as leis de proteção ao assalariado, criou o salário mínimo e definiu a jornada de trabalho e descanso e férias remuneradas”, lembra emocionado Theodoro que, ao contrário de Getúlio, não se preocupa em esconder suas emoções. 

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