Sorocaba é pioneira na campanha contra câncer de mama

Felipe Shikama

“O câncer é uma doença ainda muito desconhecida e o que é desconhecido provoca medo nas pessoas. Infelizmente, se as pessoas têm medo, elas não estão preparadas para estender a mão e ajudar”. A frase é da pscicooncologista Elisa Maria Neiva de Lima Vieira, presidente do núcleo sorocabano da Sociedade Brasileira de Psicooncologia.

Quebrar o medo e salvar vidas, por meio de esclarecimento e prevenção, são os objetivos do Outubro Rosa, realizado este ano pela primeira vez em Sorocaba – uma das primeiras cidades do interior paulista a aderir à iniciativa.

O movimento, que começou há dez anos na Califórnia, visa alertar as mulheres sobre o câncer de mama, segundo tipo de câncer mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres.

Novos casos
A cada ano, para se ter uma ideia, cerca de 22% dos casos novos de câncer em mulheres são de mama. Na região Sudeste, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres com um risco estimado de 68 casos novos por 100 mil.
Para marcar a estréia do Outubro Rosa na cidade, Elisa Maria, juntamente com demais médicos organizadores do movimento, entre eles, o mastologista Alexandre Vicente Andrade e o oncologista Luis Antonio Guimarães Brondi, realizaram uma caminhada, no Parque Campolim, para chamar a atenção das mulheres sobre os riscos da doença e a importância da prevenção. A caminhada de alerta à doença atraiu mais de cem pessoas. “É o mês de conscientização, para que mulher receba informações sobre o câncer de mama e passe adiante. É uma forma de chamar a atenção para o diagnóstico precoce, já que 95% dos casos diagnosticados em seu início são curados”, explica Elisa Maria.

Fatores de risco
Entre os fatores de risco do câncer de mama, a médica especialista em oncologia clínica, Elisa Del Fiol Manna destaca o histórico familiar, o estresse e a ausência de hábitos saudáveis. “Se a pessoa já tem na família algum caso de câncer de mama ela deve ter atenção redobrada. Aspectos que comprometem a qualidade vida como alimentação, ausência de exercícios físicos, se é fumante ou não, também são fatores que podem contribuir com o aparecimento da doença.”, ressalta.

Além desses fatores, segundo o Inca, a idade continua sendo um dos mais importantes fatores de risco. Segundo o órgão, as taxas de incidência aumentam rapidamente até os 50 anos, e posteriormente o mesmo se dá de forma mais lenta. O número de casos de câncer de mama em mulheres jovens, no entanto, tem crescido gradativamente por todo o mundo.

Elisa Maria acrescenta que ainda não é possível identificar apenas uma causa para o aumento dos casos, mas enfatiza a importância da realização do autoexame das mamas. “O câncer não tem idade e não tem porta para bater. Ele é silencioso”, alerta Elisa.

A oncologista Elisa Del Fiol reforça a necessidade de a mulher realizar exames preventivos. “A incidência dos casos é proporcional ao avanço da idade da mulher. É recomendado que ela faça exame de mamografia a partir dos 40 anos, mas o autoexame já deve ser feito a desde os 20 anos”, aconselha.

Direito da mulher
No Brasil o Ministério da Saúde recomenda realização de exame mamográfico, pelo menos a cada dois anos, para mulheres de 50 a 69 anos e o exame clínico anual das mamas, para mulheres de 40 a 49 anos. O exame clínico da mama deve ser realizado em todas as mulheres que procuram o serviço de saúde, independente da faixa etária, como parte do atendimento à saúde da mulher.

Para mulheres de grupos populacionais considerados de risco elevado para câncer de mama (com história familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau) recomenda-se o exame clinico da mama e a mamografia, anualmente, a partir de 35 anos.

“Um dos objetivos deste movimento é garantir que a lei (que garante o exame de mamografia) seja cumprida. É um direito da mulher. Além disso, buscamos um atendimento mais humanizado à pessoa com câncer”.
Mortalidade
Apesar de ser considerado um câncer de relativamente bom prognóstico, se diagnosticado e tratado oportunamente, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas no Brasil, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%.

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer, os casos de localização primária de neoplasia maligna (câncer) na Mama lidera o ranking doença entre as mulheres. Em todo o estado de São Paulo, em 2007, foram notificados 15.640 casos, o que representa 72,52 vítimas da doença para cada 100 mil habitantes. Ainda de acordo com o Inca, a estimativa para este ano é de que sejam registrados 50 mil novos casos no país e aproximadamente 10 mil mortes. A maior incidência, segundo o órgão, deve ocorrer nas regiões Sul e Sudeste, e a menor nas regiões Norte e Nordeste.

Previna-se
O câncer de mama, em fase inicial, geralmente não causa dor. Porém, à medida que o câncer cresce, ele pode causar algumas alterações. Geralmente, segundo os médicos, o primeiro sinal do câncer de mama é um pequeno nódulo no seio. Fique atenta e procure o seu médico diante de qualquer um destes sinais apresentados a seguir..
– Aparecimento de um nódulo ou de um espessamento da mama ou próximo a ela ou ainda na região da axila.
– Alteração no tamanho ou na forma da mama.
– Alteração no aspecto da mama, auréola ou mamilo.
– Saída de secreção pelo mamilo, sensibilidade mamilar ou inversão do mamilo para dentro da mama.
– Enrugamento ou endurecimento da mama (a pele de mama adquire um aspecto de casca de laranja).
– Sensações diferentes: calor, inchaço, rubor, escamação.
Fonte: oncoguia.com.br

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