Aumenta número de gravidez após os 40

Felipe Shikama

“Antes de ter filho, quis me estabelecer profissionalmente”. A frase, da assessora parlamentar Silmara Leme, de 42 anos, revela um dos principais motivos que tem elevado o número de novas mães com idade superior a 40 anos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de mulheres que engravidam depois dos 40 anos cresceu 27% entre 1991 e 2000. Ainda segundo a pesquisa, as mulheres que tiveram filho pela primeira vez, com idade entre 40 e 49 anos, fazem parte de um segmento populacional com alta escolaridade.

Mãe da pequena Marcela, com quatro meses, Silmara é formada em Direito e conta que teve uma gravidez tranquila. Para ela, entre as vantagens de ter um filho nesta idade estão a experiência e a responsabilidade. “Além de já possuir uma renda maior do há dez anos”, conta.
Assim como no caso de Silmara, o projeto de maternidade tardia, crescente no Brasil, já é observada há alguns anos nos paises europeus. Vinte anos atrás, por aqui, ainda eram raras as mulheres que engravidavam depois dos 30. Nessa época, ter filhos depois dos 35 significava risco de vida para a mãe e para o bebê.

“Dependendo da paciente, por conta do envelhecimento dos ovários, a criança tem mais chances de nascer com algum problema de síndrome genética. Já para as mães, aumentam os riscos de aparecer doenças como o diabetes e a hipertensão, fatores que podem complicar uma eventual gestação de alto risco”, explica a médica obstetra, Rozana Simoneti.

Idade ideal
Segundo Rozana, a idade ideal para ter um filho é entre 20 e 30 anos. “Isto porque a mulher tem um número fixo de óvulos e na medida em que ela envelhece, fica mais difícil deles serem fertilizados”, acrescenta.

A queda na fertilidade com o avanço da idade, explica a médica, é um fato biológico. Estima-se que a chance de gravidez por mês é de aproximadamente 20% nas mulheres abaixo de 30 anos, mas de apenas 5% nas mulheres acima dos 40. “Mesmo com técnicas de reprodução assistida, como a inseminação artificial e fertilização in vitro, a fertilidade da mulher diminui depois dos 35 anos”.

Para a psicóloga Walquíria Regina Ramires Miguel, vários fatores são responsáveis na tomada de decisão da mulher em ter filhos depois dos 40 anos. Um deles é a inserção da mulher no mercado de trabalho e a busca pela realização profissional. “Muitas vezes, a mulher adia o projeto de maternidade, pois aguarda uma promoção no trabalho ou se dedica integralmente ao serviço”.

Para Walquíria, aos 40 anos a mulher está em plena forma física, tem uma vida social intensa, mas ainda assim tem a necessidade de realizar esse sonho e ter esse prazer de ser mãe. Isso é possível, segundo ela, especialmente para aquelas que pertencem à classe média, com mais facilidades de acesso aos avanços da medicina.

Segundo ela, outro fator responsável pelo aumento da maternidade tardia são as novas configurações familiares. “Hoje, as pessoas se casam várias vezes, até que se decidam ter um filho com alguém que possa ser especial. Uma outra mudança nessa configuração é que as avós, provavelmente, já não vão estar tão ativas nesta relação mãe-filha, que era uma rede de apoio que as mães podiam contar”, acrescenta.

Na mesma linha, Rozana Simoneti também atribui a decisão pela maternidade tardia à carreira profissional. “Hoje, com um mercado de trabalho mais competitivo, a mulher quer estar inserida, se realizar profissionalmente, ela quer fazer uma especialização e acaba adiando o plano da maternidade”, avalia.

Gravidez precoce
O número de filhos no Brasil caiu sensivelmente nos últimos 30 anos. Em 1970, a taxa de fecundidade no país era três vezes maior que a atual. O censo de 1970 constatou a média de 5,8 filhos para cada mulher, hoje esse número diminuiu para os 2,2 filhos e a estimativa é a de que até 2050, a taxa de fertilidade no Brasil deverá cair para 1,8.

Assim como nos casos de gravidez tardia, a gravidez na adolescência também pode ser considerada de risco. Apenas em 2008, cerca de 1,1 milhão de adolescentes engravidam no Brasil, e este número vem crescendo nos últimos anos.

O índice de adolescentes e jovens brasileiras grávidas é hoje 2% maior do que na última década; as meninas de 10 a 20 anos respondem por 25% dos partos feitos no país, segundo o Ministério da Saúde.

Um estudo da Organização Mundial da Saúde mostra que a incidência de recém-nascidos gerados por mães adolescentes com baixo peso é duas vezes maior que o de mães adultas.

“Quando a mãe ainda é adolescente pode haver riscos de o bebê nascer prematuro, com baixo peso e dificuldade de se fazer parto normal. Mas o mais problemático é o relacionamento entre mãe e bebe porque a adolescente ainda não tem responsabilidade para ser mãe”, afirma a médica obstetra.

“As mães aos 40 anos têm muito mais experiência, mais paciência, tolerância e maturidade”, conclui Walquiria.

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Um comentário sobre “Aumenta número de gravidez após os 40

  1. tenho 39 anos quero engrviadar mas tenho medo de nasce uma crianca com problema . não sei o que fazer ter ou não ter o primeiro filho . pode me ajudar

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