“Missão de ser líder não foi nada confortável”, diz Mendes

Felipe Shikama
felipe@jornalipanema.com.br

Turbulento, impactante, chacoalhante (sic). Estas foram algumas das definições empregadas pelo líder do governo na Câmara, o vereador Paulo Francisco Mendes (PSDB), sobre o primeiro ano do segundo mandato do governo do prefeito Vitor Lippi (PSDB).

Aos 60 anos, 32 deles dedicados à vida pública, Paulo Mendes respira fundo antes de reconhecer que, neste ano, a árdua missão de ser o líder do governo não foi nada confortável. “2009 foi um ano excepcionalmente turbulento. Já passei por muitos momentos de grande turbulência, dificuldade e desafios preocupantes e estressantes, mas este ano foi uma coisa impactante”, diz em voz baixa, diferentemente do tom combativo (ou defensivo) que se acostumou a falar em meio às sessões desta legislatura.

Mais uma respirada profunda antes de completar: “Porque a cada 15 dias você tinha que enfrentar um episódio novo, uma notícia nova, uma dificuldade nova. Eu creio que ninguém em Sorocaba podia avaliar que isso ocorresse de maneira tão intensa como aconteceu neste ano. Foi uma coisa, eu diria, chacoalhante”.

Os adjetivos inusitados usados por Mendes para avaliar o trabalho desempenhado por Vitor Lippi nesta gestão por pouco não faz o leitor acreditar que este governo, e por consequência a cidade – que fica a, no mínimo, 210 quilômetros do litoral – foi surpreendida por uma tsunami. “Eu diria que não foi uma tsunami porque o prefeito, com o perfil dele, conseguiu manter a serenidade e contornar dentro do possível todas as crises. Mas foi uma coisa muito difícil, com desafios terríveis. Uma sequência de crises. Eu acho que se o prefeito tivesse um temperamento diferente, um estilo mais truculento, ou não tivesse a paciência, nós poderíamos sim desembarcar numa tsunami”.

Formado em Administração de Empresas, o ex-secretário de Governo (exerceu o cargo por nove anos nas gestões de Theodoro Mendes e Flávio Chaves) demonstra que também entende de “oceanografia política”. “Sabe como é a erupção da crise, a onda crescendo e o mar encapelado e, se por acaso, quem comanda atiça a companhia e vai para o pau, isso se torna uma coisa incontrolável. Eu acho que ele (Lippi), com serenidade e ponderação, conseguiu desembarcar na praia sem nenhum ferimento”, explica com convicção o político que exerce a liderança do governo pelo segundo ano consecutivo.

Nestes dez meses, entre os chocalhos (de benefícios fiscais e descontos na compra de veículo de agente político) e as turbulências e impactos (de escritório na China e supostos esquemas de corrupção), estão a troca de oito secretários municipais. Questionado se parte destes escândalos poderiam ser evitados, caso o chefe do Executivo adotasse uma postura mais “firme”, o líder do PSDB e incansável defensor do governo defende também a tese de que “cada político tem o seu ‘time’”. “Então no tempo em que ele julgou correto, ele tomou a medida adequada. Ele (Lippi) é uma pessoa muito preocupada em não praticar injustiças. Tem uns que levam mais tempo para tomar uma decisão, uma solução, mas em todos os casos você vê que ele conseguiu contornar a situação. O Vitor Lippi teve a virtude da paciência”, justifica Mendes.

Segundo Paulo Mendes, mesmo no auge da crise política, os índices de aprovação do prefeito sorocabano alcançavam patamares elevadíssimos, alcançados por raríssimos presidentes da República. “No meio do ano foi feita uma pesquisa por um instituto regional que apontou que o prefeito tinha 74% de aprovação. Isso mostra que apesar de toda a dificuldade administrativa e política, a prefeitura continuou trabalhando e a população percebeu isso. E veja que esse ano foi de muitos solavancos”, lembra.

O ex-prefeito sorocabano, conhecido por ter construído 11 centros de saúde e 18 creches na cidade, não descarta a hipótese de uma reforma administrativa e, apesar dos chacoalhões e solavancos, reitera que a cidade não parou. “Eu creio que a partir de 2010 ele (Lippi) deverá fazer uma avaliação de todo este primeiro ano e nesta avaliação ele pode chegar à conclusão de que é importante fazer uma reforma administrativa. Foi um período difícil e ele (Lippi) foi vencendo as etapas. A cidade não parou, os projetos prioritários tiveram andamento”.

O vereador governista destaca que, no primeiro semestre, houve uma diminuição das obras na cidade devido à queda na arrecadação do município por conta da crise mundial. “O próprio presidente Lula, no fim de abril, num discurso que fez na Bahia, disse: ‘prefeitos do Brasil, pisem no freio porque há uma incerteza em relação à retomada do crescimento’. À época, estimava-se que o orçamento de Sorocaba iria cair em R$ 70 milhões. Hoje temos dados oficiais que apontam que a queda não chegará à metade disto, talvez em R$ 30 milhões”, explica.

Entrincheirado
Há cerca de dois meses, após o afastamento do então secretário de Governo e Planejamento, Maurício Biazotto, o nome de Paulo Mendes chegou a ser ventilado para assumir a pasta. À época, em entrevista à Jovem Pan, o parlamentar não se furtou da possível responsabilidade. “Eu estou à disposição dele (Lippi) em qualquer trincheira. Onde o prefeito julgar mais conveniente a minha atuação, ele contará com a minha colaboração”.

Mendes, que conhece bem os meandros da articulação política em Sorocaba avalia o trabalho que o vice-prefeito José Ailton Ribeiro vem desempenhando à frente da pasta como “muito eficiente”, mas reafirma que continua à disposição do prefeito para “colaborar onde for necessário”. “Eu não recebi nenhum convite neste sentido, mas caso venha a receber, eu direi ao prefeito o que já disse a ele em várias oportunidades: estarei em qualquer trincheira”, afirma.

Casado há 37 anos com Norma Sabadin Mendes, pai de três filhos – Márcia, Rogério e Angela -, e bajulador de sete netos, Paulo Mendes demonstra ter hoje o mesmo vigor para a política da época em que foi chefe de gabinete, no mandato do então prefeito Theodoro Mendes. “A família é que veta muito e faz apelos. Acho que vai chegar o momento em que a gente tem que repousar um pouco mais, fazer uma atividade menos sufocante, com menos estresse”, admite.

O sexagenário político, todavia, não pensa em se aposentar tão cedo. “Não tenho nenhum planejamento em relação ao futuro. Apenas vou procurar desempenhar um trabalho para o qual sou vocacionado para a vida toda. Vou até onde Deus me der saúde e força”.

E em tom de desabafo, que poderia também servir de conselho para os jovens políticos e para o próprio prefeito Vitor Lippi, resume: “A política é penosa, é uma atividade massacrante. Você tem que enfrentar solavancos toda hora, a política tem altos e baixos”, sintetiza.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s