Meninas são foco de campanha de prevenção à Aids

Felipe Shikama

Durante o Carnaval de 2010, o Ministério da Saúde vai priorizar a campanha de prevenção à Aids no grupo de meninas de treze a 19 anos. O motivo é o crescimento de casos entre as garotas dessa faixa etária nos últimos anos.

Segundo o último Boletim Epidemiológico da Aids e de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), divulgado em novembro do ano passado, foram registrados mais casos entre as garotas dessa idade em relação aos meninos desde 1998.

Atualmente, a cada oito meninos infectados existem dez casos de meninas. Antes, a proporção eram dez mulheres para cada grupo de 15 homens. “Sorocaba faz parte desta estatística. Nos últimos anos, a tendência desta doença, que é uma epidemia, é contaminar mais mulheres do que homem”, comenta Noremi Aparecida Nagaiama, coordenadora do Centro de Orientação e Aconselhamento de Sorocaba.

Segundo ela, a campanha de prevenção à Aids no Carnaval de Sorocaba, este ano, também será focado no público jovem feminino. “Nós teremos uma campanha dirigida às jovens porque a feminilização da doença é uma realidade já faz vários anos. Portanto, quando a gente fala no jovem, nós estamos em sintonia com a proposta do Ministério da Saúde”, acrescenta.

O foco de campanhas preventivas aos jovens não é novidade em Sorocaba. Há dois anos, a Secretaria de Saúde já vem realizando trabalho intenso com esta parcela social. “Nós fazemos trabalho com a Secretaria da Juventude e com as escolas que têm condições de trabalhar conosco. Ainda há dificuldade porque muitas pessoas têm o entendimento de que discutir sexualidade com o jovem é incentivar o sexo. Isto é um engano porque, na verdade, nós estamos preparando para que ele (jovem) faça sexo com preservativo, com consciência”, explica Noremi.

Como acontece todos os anos, o Carnaval é o momento em que as ações de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis, entre elas a Aids, são intensificadas. Neste ano, segundo Noremi, a Secretaria de Saúde pretende colocar um bloco de jovens no Carnaval, cujos integrantes vão poderão participar de uma oficina realizada pela Ong Lua Nova, que vai prestar orientações sobre as medidas de prevenção às DST e ao auto-cuidado. “Nós vamos trabalhar com os jovens e o mesmo tema, que será reeditado, será o mesmo do ano passado que é ‘Do que é meu, cuido eu’”, antecipa.

Redução de casos
O Boletim Epidemiológico da Aids e de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), elaborado pelo Ministério da Saúde, apontou Sorocaba como a segunda cidade do Brasil no ranking das cidades que tiveram a maior reducao de casos de Aids no período entre 1997 a 2007. Em dez anos, o município conseguiu 55,3%.

“Existe uma diferença entre as pessoas que têm o vírus (HIV) e a pessoa que tem a doença (Aids). A pessoa que tem o vírus pode ficar durante anos sem manifestar a doença, porém, por meio de um trabalho efetivo, de acompanhamento da pessoa que foi diagnosticada com o vírus, é possível retardar a doença”, afirma.

Noremi explica que o número de pessoas contaminadas com o vírus também vem caindo sistematicamente na cidade. O principal motivo é a realização de testes que podem ser feitos gratuitamente em qualquer uma das 31 Unidades Básicas de Saúde de Sorocaba.

Em pouco mais de um ano o Ônibus da Mulher, unidade móvel de saúde da prefeitura de Sorocaba, foi capacitado para atuar na prevenção e colheita de exames de DST/Aids e já foi a unidade de saúde que mais realizou testes de HIV dentro da campanha permanente “Fique Sabendo”. Ao longo do ano, a unidade móvel de saúde contabilizou 2.154 testes de HIV.

“A pessoa pode ter o vírus e ficar entre cinco a dez anos sem manifestar doença e, com isso, seguir transmitindo o vírus para outras pessoas nos seus relacionamentos e também através de uso de drogas com seringa. Então o programa tem que testar, tem que oferecer o exame para número maior para que a gente encontre estas pessoas não sintomáticas”, orienta a coordenadora do Coas.

Mudança de perfil
Noremi Aparecida Nagaiama ressalta que, ao contrário do que muita gente pensa, a doença não foi extinta, mas mudou de característica. “Nos anos 80, a Aids era vista de uma forma muito drástica, já hoje é uma doença bastante conhecida. Nós já conhecemos o vírus, as formas de prevenção e as formas de tratamento. Não há cura, mas com todo este tempo o tratamento veio a modificar a qualidade de vida e o aspecto da doença. Nós não vemos mais as pessoas morrendo de forma tão sofrida e horrível como já vimos, mas é uma epidemia presente entre nós”, explica.

Assim como as características da doença mudaram, após avanços das formas de tratamento, Noremi ressalta que o perfil das pessoas infectadas também mudou. “Ela (a Aids) não está restrita a um grupo específico, hoje qualquer pessoa pode entrar em contato com o vírus se não fizer sexo seguro e não adotar as medidas de prevenção. É uma doença que não deixou de existir. É um engano pensar que não tem mais, ela existe sim, apenas tão drástica como foi nas décadas de 80 e 90”, conclui.

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