Pilotos sorocabanos são destaques do automobilismo

Felipe Shikama

Não é de hoje que a relação de amor entre os sorocabanos e as provas de automobilismo existe. Aliás, o primeiro piloto profissional a levar o nome de Sorocaba para os autódromos do Brasil afora foi Djalma Fogaça. Em 1982, logo em sua estreia no kart, conquistou o título de campeão paulista da modalidade.

De lá pra cá, o experiente piloto, que encerrou sua carreira em 2009 na Fórmula Truck – categoria que mais atrai público nos autódromos da América do Sul -, soma centenas de provas em corridas da Fórmula Ford, Fórmula Opel, Fórmula Chevrolet e Stock Car.

Depois de quase 30 anos do caminho desbravado pelo vencedor do prêmio Capacete de Ouro, em 2003, são os pilotos da nova geração, Átila Abreu e o próprio filho de Djalma, Fábio Fogaça, os principais responsáveis por emocionar e dar orgulho aos amantes da velocidade de Sorocaba e toda a região.

O jovem Fábio Fogaça, o Fogacinha, 18 anos, encerrou a temporada 2009 da Stock Car Jr., uma categoria de base da Stock Car, da melhor forma possível: com o título de campeão. “Não tem como descrever qual é a sensação de ganhar o campeonato”, resume o piloto sorocabano que sentou a bordo de um kart pela primeira vez aos 13 anos.

Carro de Fogacinha, campeão da Stock Car Jr. 2009

Já Átila Abreu, em sua segunda temporada da Copa Nextel Stock Car, a maior categoria do automobilismo brasileiro, disputou o título até a última etapa, terminando o campeonato em 7º lugar, à frente dos ex-pilotos de Fórmula 1 Antonio Pizzonia e Ricardo Zonta. “Foi um ano bom. A Stock Car é uma categoria que você não pode treinar, então a adaptação é bastante complicada. 2009 foi um ano de aprendizado, porque tenho muita coisa para aprender na categoria, mas acho que os resultados positivos vieram muito antes do que nós esperávamos”, avalia.

Na Europa

O mais jovem da categoria, com apenas 22 anos e piloto eleito revelação de 2009, Átila Abreu esbanja experiência e já possui um currículo capaz de dar inveja em muitos corredores veteranos. No kart, cuja carreira começou aos sete anos, foi bicampeão brasileiro, campeão da Copa Brasil e bicampeão paulista. E em 2002, no campeonato Europeu da modalidade, terminou em 3º, sendo o melhor estreante da temporada.

O bom resultado nas pistas européias lhe rendeu o convite de participar da Fórmula BMW, onde disputou por duas temporadas. Entre os estreantes, Átila ficou atrás apenas do alemão Sebastian Vettel, hoje piloto sensação da F-1.

Em seu segundo ano, sagrou-se vice-campeão, disputando o título prova a prova com Vettel com resultados incríveis: em 20 corridas, subiu 15 vezes no pódio. “Correr na Europa foi uma experiência muito boa. Eu tenho um relacionamento muito bom com o Vettel e o Hamilton. Nós dividíamos quarto e fazíamos a preparação física juntos. São pessoas como a gente. É obvio que hoje, eles estando na Fórmula 1, o acesso a eles fica mais difícil, mas foi um aprendizado muito bom para mim”, lembra Átila.

Fábio Fogaça não tem dificuldades em afirmar quando o automobilismo começou a fazer parte de sua vida. “Começou desde que eu nasci. Querendo ou não, eu sempre fui influenciado pelo meu pai”, conta. Fogacinha acrescenta que fora das pistas leva uma vida normal, igual a de outros jovens de sua idade. “Eu gosto de ficar no MSN, ouvir música, jogar bola”, revela o piloto que diz ter dúvidas em relação ao caminho que pretende seguir fora das pistas. “Eu terminei o Ensino Médio. Agora estou na dúvida entre os cursos de Administração e Engenharia Mecânica”.

Empresário, Átila Abreu lembra que o regulamento da Stock Car não permite sessões de treinos com os carros de corrida. Por isso, para manter a boa forma ao volante, o piloto costuma acelerar no kart em um autódromo de Itu. “Também faço academia para chegar na hora e ter condições de aguentar o esforço. Para se ter uma ideia, numa corrida de uma hora, eu perco três quilos. O calor é muito grande e a temperatura chega a 60 graus. Por isso é importante estar muito bem fisicamente”, explica.

Vozes experientes

Além de sorocabanos, os pilotos Átila e Fogacinha têm em comum a presença de pessoas experientes lhes dando orientações. Fábio Fogaça segue os conselhos do próprio pai. “Ele cobra bastante, mas eu acho que ele está certo. Ao mesmo tempo é uma vantagem em relação a outros pilotos, ter alguém que sabe das coisas do seu lado”, diz.

Segundo Fábio, as conversas entre ele e seu pai são, na maioria das vezes, sobre automobilismo. “A gente fala muito de corrida, mas acho que ele é ainda mais fanático por corrida do que eu. Na TV, se estiver passando corrida de jegue, ele assiste”, brinca Fogaça.

Já a voz experiente que fala a Átila Abreu é de ninguém menos que Ingo Hoffman, ex-piloto de Fórmula 1 e doze vezes campeão da Stock Car. “Eu tenho muito que aprender com ele, não só dentro, mas também fora das pistas”, reconhece Átila.

Próximo da F-1

“Eu estive muito próximo da Fórmula 1”, conta o piloto sorocabano Átila Abreu que, junta-mente com os pilotos Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, integrou o programa de desenvolvi-mento de pilotos e motores da Mercedez-Benz.

A desistência de Átila dos carros do tipo monoposto aconteceu devido a seu peso e altura. “Eu fiz até tratamento para parar de crescer, mas mesmo assim não deu. É óbvio que frustra, mas eu fiz tudo o que podia ser feito”, explica.

Átila Abreu correu na Europa ao lado de Hamilton e Vettel

Sem demonstrar frustração pela impossibilidade de guiar um carro monoposto, Átila se anima quando o assunto é a expectativa na temporada da Stock Car deste ano. A primeira etapa acontece em São Paulo, no autódromo de Interlagos, no dia 28 de março. “Sou o mais novo na categoria, então eu tenho mais tempo do que os outros para aprender e tenho condições de ser campeão”, comenta Átila.

Em sua terceira temporada na Stock, sendo a segunda na mesma equipe, Átila reconhece que a cobrança por resultados melhores aumenta, mas se mostra seguro em relação às eventuais pressões que possa vir a sofrer. “A pressão é apenas minha comigo mesmo, não vejo obrigação externa, eu não tenho obrigação de mostrar nada para ninguém. Eu sei da minha capacidade e sei que eu tenho condições de alcançar os meus objetivos”, avalia Átila que aparece entre os favoritos para o título de 2010.

Expectativas para 2010

Com a extinção da Stock Car Jr., categoria em que sagrou-se campeão em 2009, Fábio Fogaça pretende disputar a Top Race, categoria de turismo mais importante da Argentina. Em dezembro, o piloto realizou testes em La Plata e, agora, aguarda o resultado final. “Eu não traço muitas metas, quero chegar num lugar que eu possa viver disso (de automobilismo), não estou para brincar”, comenta.

Acreditando no sonho de disputar corridas na terra natal de Juan Manoel Fangio, um dos maiores pilotos de toda história, Fogaci-nha sabe que não será tarefa difícil. “Na Argentina não vai ser igual no Brasil, que eu cheguei andando na frente. Acho que lá, pelo menos nas primei-ras corridas, vai ser bastante difícil até que eu consiga me adap-tar”, explica.

Além de confirmar a participação em sua terceira temporada na Copa Nextel Stock Car, Átila Abreu avalia a possibilidade de dispu-tar também a Itaipava GT Brasil, considerada a categoria de turismo dos carros dos sonhos como Ferrari, Porsche, Lamborghini, Viper e Maseratti. “Existe esta possibilidade, mas não é minha prioridade. O meu foco é a Stock Car, e vou fazer de tudo para trazer este título para Sorocaba”, ressalta.

Em alta

A carreira seguida pelos jovens pilotos prova que as categorias de turismo estão ganhando cada vez mais popularidade no Brasil, país historicamente apaixonado pela Fórmula 1.

Informações dão conta de que a próxima novela das oito da Rede Globo se passará no universo da Stock Car, cujo piloto será interpretado pelo ator Marcello Antony. “Isto será positivo para a categoria e também é legal para os pilotos, porque dá reconhecimento e ajuda a justificar os patrocínios”.

Independente da categoria, dos circuitos e das cilindradas dos motores, o fato é que estes jovens talentos sorocabanos, certamente, vão garantir momentos de muita emoção aos apaixonados da velocidade. “Sorocaba é uma cidade que está muito bem servida de pilotos. O Átila e o meu pai são grandes exemplos disso. O meu pai já fez a história dele, e o Átila é novo e tem um futuro muito bom pela frente”, conclui Fábio Fogaça.

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