Terapia com cavalos auxilia na reabilitação de deficientes

Felipe Shikama

felipe@jornalipanema.com.br

Ao montar na cela de “Thor”, um dócil cavalo Árabe, Dannilo Garcia Pinto, 29 anos, renova sua auto-estima e diz ganhar ainda mais vontade para seguir a diante no tratamento de reabilitação, após um acidente que o deixou paraplégico no final de 2008.

Foi numa festa de confraternização com colegas de trabalho que o jovem professor de Educação Física, ao tentar dar um “salto mortal”, quebrou a quinta e a sexta vértebra e perdeu totalmente os movimentos do pescoço para baixo. “A equoterapia ajuda a gente a evoluir e a ter mais independência”, comenta o jovem, ao final de mais uma sessão, em um centro especializado, cercado pela natureza, próximo ao bairro Brigadeiro Tobias.

“É um método terapêutico complementar. Ela não substitui os outros tratamentos, mas, além de auxiliar nas áreas de saúde, da educação, ela visa melhorar a qualidade de vida do praticante, seja ele deficiente intelectual ou físico, assim como pessoas com problemas emocionais”, explica a fisioterapeuta Munique Bittencourt.

 Segundo ela, além do benefício psicológico, com a promoção da auto-estima do praticante, o tratamento terapêutico com uso de cavalo também contribui no aspecto físico, exigindo participação de todos os músculos e articulações. “É claro que há também um grande ganho motor. Está comprovado cientificamente que a equoterapia oferece 1.800 estímulos (ao corpo) em meia hora de montaria”, explica.

Praticante da equoterapia há dois meses, Dannilo destaca uma série de benefícios já percebidos no tratamento complementar. “Sinto que tenho mais controle do tronco e aumento da sensibilidade das pernas. Além disso, acho que melhora o aspecto mental porque o contato com a natureza relaxa, né?”, relata o rapaz.

O irmão de Dannilo, Dennis Ricardo Garcia Pinto, conta que o jovem realiza outros tratamentos como fisioterapia, a terapia ocupacional e o pilates. “Mas os médicos orientam ele a não parar com equoterapia, que é a que ele mais gosta”, conta.

História e reconhecimento

Munique lembra que o uso do cavalo como método terapêutico é tão antigo quanto a Medicina. “Hipocrates já usava o cavalo para regeneração da saúde, como tratamento contra a insônia”, conta.

No Brasil, na década de 1970 foi criada a Associação Nacional de Equoterapia (Ande) e em 1997, a atividade foi reconhecida como método terapêutico pela Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitacional e pelo Conselho Federal de Medicina.

Aliás, historicamente no país, a equoterapia foi vista como recurso terapêutico dirigido apenas a pessoas com deficiência intelectual. “Hoje ela está bem mais abrangente. Além das pessoas com deficiências sensoriais, físicas e intelectuais, a equoterapia é indicada àqueles que sofrem de depressão, síndrome do pânico, e distúrbios de aprendizagem, entre outros”, explica.

De acordo com resolução estabelecida pela Associação Nacional de Equoterapia, o paciente em tratamento deve ter acompanhamento de uma equipe interdisciplinar formada por diversos profissionais da área da saúde. “Além de um equitador, temos um psicólogo e um fisioterapeuta”, conta Munique.

Autonomia

E se engana quem pensa que a terapia se limita à atividade de montaria. Escovar, alimentar e até mesmo dar banho no cavalo também faz parte do tratamento que, além de aproximar o praticante do animal, também contribui no desenvolvimento da coordenação motora e na autonomia. “Na infância eu costumava passear de cavalo, mas com a correria do dia-a-dia a gente acaba se afastando da natureza. Agora, aqui, eu posso ter um contato maior com a natureza e com os animais”, pontua Dannilo.

“Além disso, estas etapas promovem a sensação de autoconfiança, porque quando você consegue cuidar de outro ser, você se sente mais capaz de cuidar de si mesmo”, finaliza Munique.

Serviço

As sessões, individuais, tem a duração média de 30 minutos cada. Informações pelo telefone: (15) 3236-7153.

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