Com 79 casos, Sorocaba enfrenta surto de dengue

Felipe Shikama

Ele mede menos de um centímetro e vive apenas um mês, mas preocupa população e autoridades de saúde pública. O combate ao Aedes Aegypti, mosquito transmissor da dengue, todavia, depende do cuidado e da disposição de todos.

Em Sorocaba, desde o início do ano foram confirmados 79 casos de dengue na cidade (dados passados pela Secretaria Municipal da Saúde até o fechamento desta edição). Deste total, 58 foram contraídos na própria cidade (autóctones), 20 foram importados, ou seja, as pessoas viajaram e voltaram contaminadas. Um caso teve local de infecção indeterminado.

De acordo com a Secretaria de Saúde, o fato de o número de contaminações locais ter superado o total de casos importados da doença aponta “tecnicamente” para a condição de surto de dengue na cidade. Segundo a Secretaria, os pacientes residem em bairros diferentes, demonstrando que a doença se espalha: Granja Olga, Trujillo, Nova Esperança e Jardim Maria Cristina.

“O problema aumenta nesta época do ano, por causa do ciclo de vida do mosquito. Mas ele se perpetua porque as pessoas insistem em manter criadouros do mosquito em suas casas”, comenta o médico veterinário da Seção de Zoonoses, José Luis Chiquito Filho.

Para tentar conter o avanço da dengue na cidade e, principalmente, mobilizar os cidadãos no combate ao mosquito e suas larvas, equipes da Seção de Zoonoses de Sorocaba têm visitado bairros, onde já há registros da doença. “Agora, as equipes estão trabalhando em um raio de 200 metros daquelas casas onde já foram registradas a confirmação de pacientes com dengue”, diz Chiquito Filho.

 Medidas simples

Depois de orientar os moradores e entrar nas residências em busca dos criadouros com larvas do mosquito, é feita a nebulização de partículas que matam o mosquito adulto.

Funcionário da Seção de Zoonoses há 14 anos, Chiquito afirma que o combate da dengue pode ser enfrentado com medidas absolutamente simples. “É um absurdo que tenha gente que espera um funcionário público ir até à sua casa para virar um vaso cheio de água. Se cada morador fizer uma vistoria por semana em sua casa, removendo a água parada, não haveria o mosquito que transmite a doença. A gente se preocupa agora para que não chegue a mil casos, porque depois que o angu virar caroço já não adianta mais”, desabafa.

Na manhã desta quarta-feira (10), a reportagem do Jornal Ipanema acompanhou o trabalho dos agentes da Zoonoses, em visita a residências nas mediações das ruas Aparecida e Mascaranhas Camelo. “Nem sempre os moradores recebem bem (a visita dos agentes). Mas quando elas sentem que o problema está perto de sua casa, daí elas colaboram”, revela a agente Marlene Magoga.

Após se identificar, Marlene avisa os moradores de um caso positivo de dengue registrado num raio de 200 metros. “A gente cuida e o que se espera é que todos façam o mesmo”, comenta Lídia Mendes Silveira após, educadamente, abrir as portas para a inspeção.

Entre a visita de uma casa e outra, sob o sol forte, Marlene diz gostar muito de seu trabalho. “Eu visito uma média de 25 casas por dia. Todos os dias eu aprendo muito e faço muitos amigos”, conta Marlene.

Segundo a Secretaria da Saúde, apenas no último final de semana foram visitadas 790 casas e os agentes recolheram 923 criadouros.

A dona-de-casa Cristiane de Souza recebe elogios da agente pelos cuidados tomados no combate aos criadouros da dengue. “Está tudo bem. Apenas nos ralos externos você deve jogar uma colher de sal, uma vez por semana”, orienta a funcionária da Zoonoses. 

“Eu me preocupo com o quintal do meu vizinho, porque parece que nunca tem ninguém. Acho uma irresponsabilidade porque a gente tem que cuidar da saúde da gente e da nossa família, diz Cristiane.

O caso da residência “abandonada” é registrado na planilha de Marlene e será encaminhado à prefeitura para medidas legais. “Isto é um grande problema. Veja, os vizinhos estão todos certinhos, mas se um outro não faz a sua parte, o risco de contrair a doença é de todos”, relata Marlene Magoga, antes de retomar as inspeções em outras 23 casas.

Avaliação médica

Além da mobilização dos munícipes quanto à prevenção, é fundamental que pessoas com sintomas da doença procurem avaliação médica. “Quem apresenta febre, dor no corpo, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor nas justas e manchas vermelhas na pele (não obrigatoriamente), deve procurar um médico”, orienta a diretora da Saúde Coletiva, Consuelo Matiello. 

O médico veterinário da Zoonoses, José Luis Chiquito Filho ressalta a importância da procura ao atendimento médico em casos de suspeita de dengue, uma vez que o mapeamento das áreas abordadas pelos agentes é definido a partir das notificações repassadas pelas unidades de saúde. “A notificação é muito importante e todas as unidades de saúde, incluindo a rede municipal e as clinicas particulares tem colaborado. É um trabalho em conjunto, que funciona como uma engrenagem e precisa ser muito bem integrado. Todos tem que fazer a sua parte, inclusive a comunidade”, diz Chiquito Filho.

Por fim, ele ressalta que as visitas dos agentes da Zoonoses são necessárias para o enfrentamento de uma eventual epidemia da doença que pode até matar. “As pessoas tem que entender que (a inspeção) é para o bem delas. É importante que todos colaborem com disposição, que é o mote da campanha “Xô, pregiça. Dengue, não!”, finaliza.

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