Com preços acessíveis, cruzeiros marítimos encantam brasileiros

 Felipe Shikama

Piscinas, bares, cassino, teatro, academia de musculação e salão de beleza. Esses são apenas alguns dos diversos ambientes disponíveis para os viajantes interessados em realizar o sonho de embarcar em um cruzeiro marítimo.

Em alta no país, os verdadeiros ressorts sob as águas conquistam o gosto do brasileiro. Em algumas agências de turismo de Sorocaba os cruzeiros chegam a representar até 30% do faturamento. “As viagens a bordo dos navios cresceram muito nos últimos anos. Isto se deve à grande variedade de roteiros, além das tarifas promocionais”, avalia Carlos Tomba, proprietário de uma agência de viagens de Sorocaba.

Segundo ele, hoje é possível parcelar a viagem em até dez vezes sem juros até mesmo no boleto bancário e, em alguns casos, o cliente pode até ser beneficiado com promoções na qual o segundo hospede sai de graça.

Para se ter uma ideia do advento dos cruzeiros marítimos no país, apenas nesta temporada – que se iniciou em novembro e segue até o final de abril -, 14 navios realizam mais de 60 roteiros pela costa brasileira.

900 mil turistas

De acordo com a Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar), estas embarcações com peso médio de 55 mil toneladas, capazes de transportar até 3.000 passageiros, devem levar até o final da temporada 900 mil turistas para passeios, apenas pela costa brasileira.

Em ritmo menor, também cresce o interesse dos brasileiros por rotas na América do Sul, com direto à parada em Buenos Aires, na Argentina, e Punta del Este, no Uruguai.

Para Francisco Athaíde, diretor-gerente de uma agência de viagens que vende pacotes de cruzeiro desde 1991, o crescimento deste segmento cresce na medida em que os clientes percebem o custo-benefício em comparação às viagens tradicionais. “Além de toda a estrutura do navio, que é a de um hotel cinco estrelas, a pessoa tem direito a cinco refeições por dia, tudo incluso no pacote”, conta.

Embora sejam mais acessíveis que alguns anos atrás, os preços ainda estão longe de ser considerados “popular”. Em agências de turismo de Sorocaba é possível encontrar pacotes de mini-cruzeiros (três dias e quatro noites), no início ou final da temporada, a partir de U$ 309,00. “No Réveillon e Carnaval, que é a alta temporada, há cruzeiros que chegam a custar U$ 4.560. Depende da época e das acomodações. Quanto mais alto o quarto, mais caro fica”, explica Agnaldo Silva Deadozio, agente de viagens.

Além do aumento da demanda e, consequentemente, da oferta de pacotes, outro fator responsável pela queda dos preços dos cruzeiros pode ser atribuído à estabilidade do dólar frente ao real, já que parte das tarifas são cotadas em moeda americana. “Com tanta competição, aliado ao dólar baixo, o resultado é crescente”, analisa Athaíde.

Para o empresário Marcos Rosa, proprietário de uma agência da cidade, os cruzeiros representam “uma fatia interessante e tende crescer ainda mais”.

Pacotes temáticos são a “bola da vez”

Profissionais da área de turismo dizem não haver um perfil determinante entre os frequentadores de cruzeiro marítimo. Com público tão heterogêneo, grande parte dos cruzeiros oferece equipamentos e serviços dirigidos a todos os gostos. “Abrange casais, famílias com crianças e grupo de amigos”, explica o agente de viagens Agnaldo Silva Deadozio.

Todavia, ele explica que a fatia das viagens de navio que mais crescem no país são os chamados “cruzeiros temáticos”. “Hoje isto é muito forte. Tem o navio do Centenário do Corinthians, do Roberto Carlos, o Cruzeiro Sertanejo, o Católico, o Evangélico, o Cruzeiro Universitário e assim por diante. Eles são mais caros que os convencionais, mas, por outro lado, atendem melhor o interesse de cada público”, acrescenta Deadozio.

Entre os novos cruzeiros oferecidos na temporada 2009-2010 estão o Bossa Nova, onde os hóspedes são agraciados por atrações de artistas ícones do movimento musical, e o Humor, no qual os hóspedes têm direito a shows de imitações, mágicas e apresentações de stand up comedy.

Proprietário de agência de turismo, Carlos Tomba foi um dos empreendedores que percebeu a importante fatia que os cruzeiros temáticos representa. “Eu estou organizando o primeiro cruzeiro maçônico do Brasil, com gente do país inteiro. Pretendo fechar a metade de um navio, isto é, 1.500 passageiros”, revela.

Terceira idade

Aposentados com mais de 60 anos também vêm ocupando parcela significativa do mercado de viagens. Os cruzeiros, devido ao conforto e à fartura de comida, têm atraído a atenção de grupos da chamada terceira idade. “Eu recentemente vendi um pacote para 26 mulheres, todas com mais de 60 anos, na rota Rio de Janeiro, Búzios e Cabo Frio”, completa Agnaldo que, apesar de ser um dos campeões de venda de pacotes de cruzeiro, ainda planeja fazer sua primeira viagem de navio.

Estrutura dos portos brasileiros ainda é precária

Casados desde 1991, a dentista Diva Canabrava Garrido e o médico ortopedista Carlos Eduardo Dias Garrido viveram a primeira experiência em um cruzeiro durante a lua-de-mel.

Daquela viagem, com destino a Fernando de Noronha, a bordo do velho e famoso “Funchal” (um dos primeiros navios de turismo da costa brasileira), até hoje, o casal já realizou outros dois cruzeiros e planeja o próximo em águas mais distantes. “Queremos conhecer as ilhas gregas”, afirmam.

Recém-chegados de um cruzeiro (na semana passada desembarcaram de um luxuoso navio, cujo roteiro incluiu Buenos Aires e Punta Del Este), eles tem opiniões diferentes em relação à experiência.

Para Carlos Eduardo, além da infinidade de equipamentos de entretenimento (alguns navios contam até com cinema e parede para escalada), a excelente qualidade dos serviços é o principal atrativo desta modalidade de viagem. “Eu adoro a mordomia. É comida a vontade, muito luxo, muita festa, shows o tempo todo. É um hotel cinco estrelas no meio do mar. Outra vantagem é que, apesar de ser muitos dias no mesmo local, a paisagem muda o tempo todo”, descreve.

Já Diva revela que os cruzeiros não são sua primeira opção. Ela conta que um dos seus principais interesses, ao fazer uma viagem, é conhecer a cultura local. “Quando eu faço uma viagem, eu gosto de conhecer o local, o povo, os costumes. Além disso, acho um exagero ver toda aquela quantidade de comida servida no navio. Eu mesma não aproveito tanto porque sou vegetariana”, relata a dentista.

Além disso, Diva acrescenta que a sensação de estar “ilhada” no meio do mar não lhe oferece sensação de plena liberdade.  “Eu gosto de me sentir livre. Mas lá, é um pouco como se eu estivesse presa. Só se come e dorme, me senti entediada”.

Menos glamour

Embora demonstre gostar mais das “mordomias” dos cruzeiros do que sua esposa, Carlos Eduardo admite que, na primeira vez, sentiu um pouco de medo. “Além disso, no primeiro dia eu fiquei um pouco enjoado, mas depois acostuma”, relata.

Da viagem feita há 19 anos até a mais recente, o casal Garrido compartilha a opinião de que muita coisa mudou. “Antes, em 1991, era uma coisa bem mais glamourosa. Hoje é até mais fácil de pagar. E melhorou muito a qualidade dos navios”, constata Carlos.

Gerente de uma agência de viagens, Francisco Athaide explica que atualmente os cruzeiros realizados na costa brasileira são semelhantes ao dos Estados Unidos e do Caribe. “São os chamados cruzeiros informais, onde a pessoa não precisa usar traje de gala para jantar, por exemplo. Ela até pode, na ‘noite do comandante’, colocar uma roupa mais fina, mas se ela quiser ficar de bermuda, por exemplo, não tem problema”, explica.

Portos precários

Apesar do bom momento do turismo em navios, Athaide admite que a estrutura dos portos brasileiros ainda é precária. “Se melhorar a estrutura dos portos, as vendas podem crescer ainda mais. E o valor da taxa portuária ainda é muito caro, chega a corresponder 25% do valor do pacote”, conta.

O casal Garrido, que já teve três passagens em portos brasileiros, uma delas com os dois filhos pré-adolescentes, confirma a precariedade da estrutura do porto de Santos. “Apesar de ter passado por uma reforma, ele (o porto de Santos) ainda é muito desconfortável para quem vai embarcar. Não tem nem onde sentar, não suporta tanta gente”, reclama.

Distante dos portos, o casal ressalta que o brasileiro não tem o hábito de dar gorjeta, então a taxa de serviço acaba sendo inclusa no pacote de clientes brasileiros. “As pessoas de outras nacionalidades costumam dar, mas o Brasil não tem a cultura”, constatam.

Assim como todos os profissionais de turismo entrevistados pela reportagem do Jornal Ipanema, o casal faz questão de recomendar que as pessoas interessadas em realizar o cruzeiro verifiquem se as bebidas estão inclusas no pacote oferecido. “Em alguns casos, as bebidas alcoólicas são cobradas à parte e costuma sair caro. Uma latinha de cerveja, por exemplo, custa U$5,50”, diz Carlos Garrido.

Outra orientação importante para aqueles que pretendem embarcar pelas águas salgadas do Atlântico é fazer um seguro-saúde. Isto porque uma simples consulta médica, a bordo do navio, pode custar cerca de R$100,00. Caso tenha feito o seguro, caso necessite do serviço médico, o cliente é reembolsado em terra firme.

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