Álbum de figurinhas volta a ser febre no Brasil

Felipe Shikama

A menos de cinquenta dias para o início da Copa do Mundo, que pela primeira vez será sediada no continente africano, crianças, jovens e adultos de todas as idades disputam palmo a palmo, incansavelmente, pelos procuradas figurinhas dos jogadores que integram as seleções que disputarão o torneio.

Desidério exibe álbum da década de 1970

Nas bancas de jornal, o álbum oficial da editora Panini custa por R$ 3,90 e cada envelope com cinco cromos sai por R$ 0,75. “Meu objetivo é concluir o álbum antes do inicio da Copa”, afirma o colecionador Roberto Hernandez, 44 anos.

Gerente operacional da rodoviária de Sorocaba, Roberto aproveita a hora de almoço para trocar os cromos com colegas de todas as idades e lugares. “Eu troco figurinhas com todo mundo. Empresários, adolescentes, universitários, médicos e até senhores com mais de 70 anos”, explica, exibindo seu álbum quase completo. “Das 638 do álbum, ainda faltam 57 para mim”, diz apreensivo.

Paixão antiga

Mania antiga entre os aficionados do futebol, as figurinhas com os rostos dos jogadores pré-escalados para disputarem o mundial não é novidade no Brasil. O primeiro álbum da Panini lançado no Brasil foi em 1970, na Copa do México. “O primeiro álbum que completei foi a da Copa de 1966 e as figurinhas vinham na bala. Antes, em 1962 já tinha revista com informações sobre os jogadores”, lembra o radialista José Desidério que, de lá para cá, guarda completo os álbuns de todos os mundiais.

“Tem um rapaz que me liga todo ano oferecendo o carro dele em troca da minha coleção, mas eu não troco. Isso tudo tem valor de mercado muito alto, mas, para mim, não tem preço”, esquiva-se.

Desidério, que iniciou sua carreira no rádio motivado pela paixão de transmitir jogos de futebol, também corre para concluir o álbum 2010 antes do início dos jogos. Todos os sábados ele vai às bancas de revista garantir sua porção de figurinhas. “Eu também troco com outros colecionadores e também na própria banca”, diz.

Não é só no Brasil que as figurinhas agitam os fanáticos por futebol. Em todo o mundo, em 2006, foi produzido e comercializado mais de um bilhão de figurinhas da Copa da Alemanha. “Acho que os escudinhos laminados e os mais craques são os mais difíceis de tirar. Mas quando você abre um envelopinho e ela vem, é como se fosse gol”, conta Roberto, que faz questão de compartilhar sua diversão com seu filho de 11 anos.

Segundo ele, a dica para não acumular muitas figurinhas repetidas é variar os locais de compra.

 Mercado paralelo

O desejo de completar o álbum chega a ser tão grande que muitos colecionadores acabam indo buscar as figurinhas faltantes no “mercado paralelo”. “Você consegue comprar a figurinha que quiser, mas o preço pode ser alto. Além disso, na minha opinião, não tem a mesma graça”, revela Roberto.

Para Roberto Hernandez, o prazer de trocar cromos com amigos vai além da paixão por futebol e Copa do Mundo. “Em torno disso, há uma rede social. A gente marca de se encontrar em bares, por exemplo, para trocar figurinhas e acaba fazendo grandes amizades”, detalha.

Na internet, além do Twitter, comunidades como o Orkut e Facebook são ferramentas de auxílio na busca pela desejada figurinha. Pai de Betinho e de Bia, Roberto alerta os pais a nunca deixarem crianças saírem sozinhas, em locais combinados pela internet, para a troca de figurinhas. “Não li nada sobre isso, mas o mundo hoje está perigoso, então vale a pena os pais ficarem atento”, alerta. 

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