Sobre o óbvio: bater não educa

Sem medo de ser taxado de repetitivo por, incansavelmente, lembrar que crianças e adolescentes devem ser a nossa prioridade absoluta, avançarei, nas linhas seguintes desta coluna, para reafirmar o óbvio: bater não educa.

Especialistas compartilham a constatação de que os primeiros seis anos de vida da criança são fundamentais para o desenvolvimento de sua estrutura física e psíquica, bem como de suas habilidades sociais.

É nesse período, chamado de primeira infância, que as relações das crianças com aquelas que as rodeiam são influenciadas por toda vida. Ao mesmo tempo, essa fase, de maior vulnerabilidade, demanda proteção especial e um ambiente seguro, acolhedor e propício ao desenvolvimento de todas as suas potencialidades.

Dito isto, convém lembrarmos do artigo 5º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que determina que nenhuma criança será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

Apesar desta condição particular, de desenvolvimento e da proteção garantida pelo avançadíssimo marco legal brasileiro, sabemos que, infelizmente, milhares de crianças ainda são vítimas de violência – inclusive durante a primeira infância.

Não raro, acabamos conhecendo pais que vêem em palmadas, chineladas e outras formas de agressão como “solução” para disciplinar condutas indesejáveis de meninos e meninas.

Todavia, o que muito adulto não sabe (ou se esquece) é que, em vez de educar, esse tipo de ato violento pode comprometer o desenvolvimento infantil.

De acordo com informações da Rede Nacional Primeira Infância, diversas pesquisas põem em cheque a “pedagogia da palmada”, mostrando que a punição faz com que a criança cresça com a idéia de que todo problema pode ser resolvido à base da força.

Além disso, há outras conseqüências que a violência implica na vida dos pequenos como baixa auto-estima, dificuldade em estabelecer vínculos afetivos, isolamento ou agressividade, falta de confiança e de senso de segurança, dor emocional e ressentimento contra a vida.

Quem castiga esquece, mas quem é vítima, não. Muitas vezes, reproduzindo a educação recebida no passado, pais violam os direitos da infância ao castigar uma criança sem que ela sequer seja capaz de estabelecer relação ao eventual “erro”. Longe das palmadas, cabe aos verdadeiros educadores cristalizar à criança, de forma lúdica e segura, as diferenças entre o “certo” e o “errado”.

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