Sem manutenção, prédio da Câmara pode entrar em colapso

Felipe Shikama

Basta caminhar durante alguns minutos pela Câmara Municipal de Sorocaba, no Alto da Boa Vista, para constatar: por muito tempo, a manutenção do prédio parece ter sido deixada de lado.

Da entrada principal à sala de imprensa, da biblioteca aos corredores dos gabinetes, quando se olha para cima é possível notar uma série de infiltrações e buracos. “Qualquer hora isso pode cair na cabeça de alguém”, comenta com preocupação um funcionário da Casa.

O mal estado de conservação do prédio público preocupa o presidente da Casa, o vereador Marinho Marte (PSS). Segundo ele, a ausência de manutenção preventiva ao longo dos últimos anos pode comprometer o atendimento à população e até mesmo levar o Legislativo sorocabano a um “colapso”. “Chegamos agora a uma situação em que o prédio, não só na sua parte estrutural, mas na parte de cabeamento, necessita de uma revisão e, logicamente, uma adequação para que a Câmara, amanhã ou depois, não venha a sofrer um colapso em seu atendimento”, reconhece.

Além do problema de cabeamento, considerado o mais grave – porque eventualmente compromete o fornecimento de energia elétrica e implica em riscos de incêndio – , Marinho acrescenta que o prédio, construído há dez anos, possui diversas rachaduras em diversos setores. “Pelo tamanho, podemos comprar a Câmara a uma empresa de porte médio para cima porque nós temos mais de 200 funcionários. Então, ela tem que funcionar com essa preocupação (da manutenção) constante, com a estrutura e a infra-estrutura como um todo”, avalia.

Para solucionar os problemas estruturais da Casa Legislativa, Marinho defende com urgência a contratação de uma empresa para cuidar da manutenção. “Eu já mandei levantar um pré-projeto para que uma empresa, mediante licitação, possa fazer um trabalho nesse sentido. Sobretudo na parte de cabeamento porque tudo o que vai sendo estendido sem nenhuma regra, sem técnica, acaba criando problemas lá na frente. O prazo é para ontem, temos que fazer isso o mais rápido possível.”, explica.

Pararraio

Ainda de acordo com Marinho, a Câmara, hoje, está desprotegida de sistema de proteção de descarga elétrica. “Os pararraios que existiam foram se danificando ao longo do tempo. Sempre se disse aqui, como lenda, que os pararraios da prefeitura conseguiam proteger a Câmara, mas, segundo as informações que recebemos de técnicos, isso não procede”, pontua. Nos próximos dias, Marinho deverá encaminhar este problema aos demais membros da Mesa Diretora para que novos equipamentos de proteção e raios sejam adquiridos.

Marinho Marte, que diz ter uma “visão administrativa da iniciativa privada” defende a manutenção como prioridade de sua presidência.  “Não é que as administrações anteriores deveriam ter feito (manutenção) e não fizeram, talvez deram prioridade maior para outros setores. Mas eu fico preocupado porque a cada dia eu recebo mais informações e também ando pelo prédio da Câmara e vou sentindo as necessidades que ela tem”, dispara.

Orçamento

Apenas no ano passado, a Câmara – que era presidida pelo vereador José Francisco Martinez (PSDB) – economizou R$ 4 milhões que foram devolvidos aos cofres públicos. Neste ano, o procedimento será mantido pela Câmara, conforme prevê a lei. Todavia, Marinho sinaliza fazer uso de toda verba disposta para as necessidades de manutenção da Casa. “Ao final deste ano, os recursos que sobrarem nos vamos devolver e a devolução é feita por necessidade que a lei estabelece. Mas pelo levantamento que nos fizemos, a questão da manutenção vai ser prioridade”.

Ordem na Casa

Para botar ordem na Casa, isto é, melhorar tanto a qualidade dos serviços prestados como o conforto de seus funcionários, Marinho já cancelou o contrato com uma empresa que fazia manutenção de ar condicionado. “Porque o ar condicionado não funcionava”, justificou. Além disso, o vereador que foi eleito pela primeira vez em 1983 e não contava sequer com gabinete e funcionários, revela que já solicitou a elaboração de um projeto para a construção de um novo refeitório para os servidores da Casa. “A parte de traz da Câmara, onde ficao estacionamento deverá ganhar um novo contorno. A população que vem aqui não pode entrar pela porta dos fundos, literalmente, e passar ao lado das latas de lixo”, diz.

O parlamentar que, no passado, chegou dividir o uso do carro da Cãmara com outros três vereadores, reconhece que assim como a cidade, a estrutura do Legislativo avançou muito. “Hoje eu recebo vereadores de outras cidades, inclusive maiores que Sorocaba, que ficam impressionados com a nossa estrutura”, assinala.

Segundo Marinho, as intervenções realizadas na Câmara ao longo dos anos devem ser feitas com critérios técnicos, para não comprometer o trabalho parlamentar. “Não dá para admitir gambiarra. As extensões de cabeamento, por exemplo, têm que ser uma coisa técnica e nós precisamos de uma manutenção não periódica, mas constante. É hora de a Câmara cuidar da parte estrutural, para que não sofra um colapso”, reitera o presidente.

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