Cresce número de solteiros no país

Felipe Shikama

No Brasil, estima-se que 9% dos domicílios sejam compostos por pessoas que moram sozinhas. Elas formam um mercado respeitável e muitas delas, ao contrário do que supõe parcela mais conservadora da sociedade, se dizem felizes. “Desde os 13 anos eu já queria morar sozinha, ter o meu canto. Gosto da liberdade, de chegar à minha casa na hora que eu quiser, lavar louça a hora que quiser”, detalha a jornalista Rosana Pires que há 23 não divide seu apartamento com outra pessoa.

Natural de São Paulo, ela vive desde 1997 em Sorocaba e revela que a sociedade ainda estabelece pressões diante de sua decisão de não constituir uma família nos moldes “tradicionais”. “Acho que no interior é ainda mais complicado, principalmente com as mulheres. Mas isso não me incomoda”, acrescenta Rosana.

A Suécia lidera o ranking mundial de pessoas que moram sozinhas. Lá, de cada dez habitantes, quatro vivem sem parceiros ou filhos. A Dinamarca ocupa a segunda posição, com 36%; seguido de perto pela Inglaterra, com 35% da população.

Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quatro milhões de brasileiros moram sozinhos e essa fatia ocupa 9% dos domicílios do país. Número ainda pequeno, mas que revela uma tendência crescente na atualidade.

Nos últimos 18 anos, segundo dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), houve crescimento de 41% no número de pessoas que moram sozinhas no país.

Esta realidade de opção de vida já foi percebida pelo mercado, que aos poucos começa a oferecer produtos dos mais variados segmentos dirigidos exclusivamente ao público solteiro. “Por morar sozinha e não ter custos com filhos, por exemplo, a renda que sobra é investida basicamente em lazer”, comenta Rosana, frequentadora assídua de cinema e consumidora voraz de livros.

Segundo ela, a oferta de produtos alimentícios em embalagens econômicas ainda tem espaço para crescer. “Proporcionalmente eu acho mais caro que os produtos ‘tamanho família’, mas eu prefiro porque não estraga”, detalha a jornalista que, por muito tempo, se via obrigada a jogar quase uma dúzia de ovos no lixo.

Desvantagens

A decisão de viver sozinho e gozar de total liberdade não exclui algumas desvantagens, conforme admite Rosana. “Tem hora que sobrecarrega não ter alguém para dividir as tomadas de decisão. Outra desvantagem é mais prática, do tipo, ter uma pessoa para consertar o chuveiro ou carregar as compras do supermercado”, analisa.

Segundo ela, apesar da total independência, viver sozinha exige muito mais responsabilidade. “Não depende só de boa condição financeira, mas também psicológica. É difícil quebrar vínculos, mas não adianta ir morar sozinho e almoçar na casa dos pais todos os dias”, detalha Rosana.

Solteiro convicto

O estudante de Administração José Augusto Bressani, 27 anos, encara com bom humor os comentários ouvidos por amigos e familiares diante de sua escolha de ser solteiro. “As pessoas querem arrumar namorada para mim. Eu brinco e digo que se eu, que deveria ser o mais interessado, não quero, porque os outros se preocupam?”, questiona.

Ele observa que a sociedade tem o hábito de determinar o tempo das coisas, fato que nem sempre vai ao encontro das necessidades e do desejo das pessoas. “A turma acha que em idade certa para estudar, namorar, se casar. Sou um solteiro convicto e, no momento, estou focado em mim mesmo”, justifica.

Para o jovem, que já possui graduação em Turismo e durante um ano morou sozinho na Austrália, as pressões do “relacionamento estável” impostas pela sociedade podem levar a decepções amorosas. “Eu acho um erro a pessoa querer buscar alguém para ‘se completar’ se ela não se sente completa sozinha”, explica José Augusto que, ao longo da vida, teve duas namoradas. O relacionamento mais longo durou três meses.

Sozinho X solitário

Tanto Rosana quanto José Augusto fazem questão de enfatizar as diferença entre estar sozinho e ser solitário. “Solteiro sim, solitário nunca. Muito pelo contrário, aliás, diferente de uma pessoa casada, eu estou muito mais aberto para conhecer gente nova, fazer novos amigos”, diz José Augusto.

Na mesma linha, Rosana afirma que o importante é a pessoa se sentir bem sem a necessidade de um ‘outro’ para compartilhar fragmentos da vida. “Eu não sinto a necessidade de sempre ter alguém comigo. Se tiver ótimo, mas eu não fico depressiva. Não que eu não esteja aberta conhecer outras pessoas, mas eu me dou bem comigo mesma e acho que eu sou uma ótima companhia para mim”, conclui a jornalista.

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