Cresce número de vegetarianos no país

É difícil saber com exatidão o número de pessoas vegetarianas no Brasil. No entanto, a opção por excluir definitivamente as carnes do cardápio é crescente e os motivos são diversos.

Os argumentos para abrir mão de saborear um churrasco, uma feijoada ou um bife de contra-filé, entre outros pratos típicos apreciados no país, vão desde aspectos políticos e econômicos – que remetem à cadeia produtiva “não sustentável” – até implicações ambientais como a defesa dos direitos dos animais.

Além daqueles que também decidem se abster do consumo de carne por conta de sua orientação religiosa ou filosófica, é crescente o número de novos vegetarianos preocupados, sobretudo, com a saúde e a boa qualidade de vida.

“Em primeiro lugar, deixei de comer a carne vermelha. Os motivos de então, eram basicamente relacionados com a saúde e com o meio ambiente. Tempos depois abandonei todo tipo de carne e o uso de produtos de origem animal, inclusive o couro nas roupas e acessórios”, revela o professor e ambientalista Gabriel Bitencourt, vegetariano há mais de 30 anos.

Segundo dados da Ong Sociedade Vegetariana Brasileira, de em 2003 até 2009, 5% da população no país se “converteu” ao vegetarianismo e 18% reduziu significativamente o consumo de carne.

Prova desse crescimento já pode ser notada nas prateleiras dos supermercados, onde setor de alimentos naturais e orgânicos, de produtos sem ingredientes de origem animal, ganha mais espaço a cada dia. “Não faço alimentação de nada que possa me dar prejuízo à saúde”, defende a vegetariana Donata Marques, psicóloga clinica e proprietária de uma loja de produtos naturais e orgânicos de Sorocaba.

Segundo ela, seu estabelecimento conta hoje com mais de 10 mil itens naturais e orgânicos (sem proteína animal). “Esse é o caminho do momento. As pessoas estão percebendo que devem buscar melhor qualidade de vida e, como diz o ditado, se não for pelo amor será pela dor”, afirma a empresária que completa: “Grande parte dos clientes vem em busca de produtos naturais porque receberam orientação médica, depois de terem sofrido problemas de saúde”, reforça.

Diversificação

O aumento de produtos naturais e orgânicos é visível e, ao que tudo indica, não pára de crescer e se diversificar. “Isso reflete uma consciência que vem se desenvolvendo nessa direção. As pessoas hoje têm mais informações e mais facilidades para buscar alimentos que oferecem benefícios à saúde. Hoje é um segmento em acessão”, analisa Donata.

Segundo ela, de 2009 para 2010 o faturamento de seu comércio de produtos naturais já apresentou elevação de 100%. “Existe um espaço muito grande para ser ocupado e a luta é árdua. A tendência é a de que o consumo dos produtos naturais seja multiplicado nos próximos anos”, especula a empresária.

Ambientalmente correto

Gabriel Bitencourt enumera uma série de razões para justificar sua decisão de não consumir mais carne, mas ressalva: “Não uso argumentos com o objetivo de chocar as pessoas como ‘você come cadáveres’”, sentencia.

Para ele, as mudança do hábito alimentar é também uma mudanças de “paradigmas” e tem de ser feita de dentro para fora, sem imposições. “Tem que haver, primeiro, a predisposição, e a ela pode se acrescentar a argumentação objetiva como, por exemplo, em dezembro de 2009, alimentamos com água e com nossas florestas, 202 milhões de cabeças de gado. Um terço das terras do planeta são usados para a pecuária segundo dados da FAO e o que se gasta para a produção de carne, em termos de terras, água e outros investimentos, saciaria a fome no mundo”, explica o professor.

Segundo ele, pesa o fato da pecuária ser a maior responsável pelo desmatamento das florestas brasileiras, especialmente a Floresta Amazônica. “Estima-se que 80% do desmatamento da Amazônia seja feito com o objetivo de ampliar as pastagens para o gado bovino ou para a produção de soja destinada à ração para esse mesmo rebanho”, pontua.

Maus tratos

Segundo o ambientalista, os motivos relacionados à saúde e ao meio ambiente foram importantes para o ingresso no “regime alimentar vegetariano”. “Entretanto, fui adquirindo a percepção, cada vez mais clara, de que cada bife representava uma parte de uma animal morto para saciar, não a fome, à necessidade protéica, mas ao desejo de comer e sentir determinado gosto. Aí ficou pesado demais, saber que a morte de um animal seria, apenas para saciar o paladar, um luxo”, sentencia Bitencourt.

Ativista do movimento de defesa dos direitos dos animais, Bitencourt acrescenta informações sobre processos de crueldade contra gansos e bezerros. “A tortura pelos quais passam os gansos para produzir, através de seu fígado doente pela ingestão exagerada de determinados produtos, o Foie Gras; ou o baby beef, que tortura os pequenos bezerros impedindo sua locomoção, para que sua carne seja leve e mole. Insuportável”, destaca o ambientalista.

Assim como Donata Marques, Bitencourt também percebe o crescimento da oferta de produtos integrais e orgânicos nas prateleiras dos supermercados. Sem falar em lanchonetes e restaurantes vegetarianos que se multiplicam pelo país. “Há diferentes motivos que levam as pessoas a fazerem suas opções: pela preocupação com a saúde, há pessoas que optam pela alimentação de origem orgânica, a partir de cereais integrais, porém, não necessariamente isenta de produtos de origem animal; por conta da crueldade na criação, no transportes ou no abate, há um número crescente de pessoas que aboliram os produtos de origem animal de sua dieta”, sintetiza.

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