Prefeitura vai “exportar” 500 toneladas de lixo por dia

 Felipe Shikama

O aterro municipal de Sorocaba, localizado no Retiro São João, está praticamente esgotado e, conforme decisão da Cetesb, só poderá receber lixo apenas até o dia 5 de agosto deste ano.

A informação foi confirmada pela chefe de divisão de Limpeza Urbana da Secretaria de Obras, engenheira Maria Angélica do Prado Kamada. “É verdade. A prefeitura está encaminhando ao Ministério Público e à Cetesb um termo de conduta onde tem várias condicionantes técnicas que ela vai ter de cumprir para o encerramento do aterro e a destinação correta do resíduo sólido gerado em Sorocaba”, reconhece a engenheira.

Desde 2003 a prefeitura tenta a aprovação ambiental do Ibama para explorar uma área localizada na Estrada do Ipatinga, entre os municípios de Sorocaba e Iperó. Segundo o laudo técnico emitido pela autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, essa área pretendida pela prefeitura, conhecida como Fazenda Rios, não pode receber a aprovação para recebimento de lixo, pois está dentro da “zona de amortecimento” da Floresta Nacional de Ipanema.

“Existem algumas controvérsias nesse laudo que a prefeitura está buscando recursos porque a área é adequada sim, por isso a Secretaria do Meio Ambiente está insistindo com isso”, afirma Maria Angélica.

Com o iminente esgotamento do aterro do Retiro São João e da não aprovação de uma nova área para receber o lixo produzido em Sorocaba, a prefeitura de Sorocaba, segundo Maria Angélica, deverá contratar uma empresa para exportar o lixo para outra cidade. “De acordo com o processo licitatório que já está pronto, a prefeitura vai contratar uma empresa para fazer o serviço de coleta e destinação em aterro licenciado. Como não temos nenhuma área no município autorizada, esse material vai ter que ser exportado”, admite a engenheira.

Segundo Maria Angélica, o Executivo deverá anunciar na próxima semana a realização de uma audiência pública para dar detalhes do processo de licitação para a coleta e destinação do lixo produzido em Sorocaba.

Com a “exportação” de cerca de 500 toneladas de lixo por dia para outra cidade, todo indica que a elevação do custeio do transporte, além da coleta, será socializado entre os munícipes sorocabanos. “Com relação a essa parte de repasse, de possível aumento, eu não tenho como te informar. Agora, o que vai ser feito é a contratação de uma empresa para dar a destinação correta ao nosso lixo”, conclui a engenheira da Secretaria de Obras.

“A gente não tem desculpas para não reciclar”, diz especialista

Até 90% do lixo doméstico de Sorocaba, que vai parar no aterro do Retiro São João, poderia ser reciclado. A afirmação é do professor de Engenharia Ambiental da Unesp, Sandro Donnini Mancini.

Doutor em Ciência e Engenharia dos Materiais pela UFSCar, Mancini acrescenta que a região Sudeste, por apresentar mercado de resíduos mais aquecido devido à forte industrialização e mão-de-obra mais qualificada, tem melhores condições de promover o reaproveitamento dos materiais descartados. “A coleta seletiva no Estado de São Paulo tem tudo pra dar certo. A gente não tem desculpa para não reciclar”, defende.

De acordo com a secretaria de Obras, o volume mensal de lixo doméstico produzido em Sorocaba gira em torno de 13,5 mil toneladas. Ao mesmo tempo, o secretário e Parcerias, Roberto Juliano, destaca que a cidade atualmente recicla cerca de 200 toneladas de lixo por mês, o que representa apenas 1,48% de todo o lixo doméstico produzido na cidade. “O trabalho depende das cooperativas. Estamos preparando investimento para atingir ampliar a reciclagem nos bairros. Nossa meta é atingir até o final desse ano 500 toneladas por mês”, defende Juliano.

Em plano elaborado pela Secretaria de Parcerias, que deverá ser apresentado ao prefeito Vitor Lippi (PSDB) dentro de 15 dias, Roberto Juliano vai pedir que sejam alugados, por meio de licitação, três novos caminhões para universalizar a coleta seletiva na cidade. “Estamos preparando um plano grande para atingir 100% da reciclagem. Seria um investimento de R$4 milhões para ser aplicado já no próximo ano”, antecipa o secretário com exclusividade ao Jornal Ipanema. Segundo ele, demais estruturas como os barracões e os equipamentos das quatro cooperativas espalhadas pela cidade já atendem a demanda local. “É preciso investir nos cooperados e na qualificação deles. A gente não trata os como catadores, a gente os trata como agentes ambientais”, afirma.

Benefícios

Vale destacar que o investimento de R$ 4 milhões, para locação de caminhões e qualificação dos catadores (ou agentes ambientais), é extremamente baixo diante do orçamento anual de Sorocaba, que já ultrapassa a casa de R$1 bilhão, e principalmente diante dos benefícios a curto, médio e longo prazo que o reaproveitamento do lixo traz à cidade e ao meio ambiente e, certamente, é socializado por toda população.

“O fato é que quanto mais a gente separar os nossos resíduos e eles forem efetivamente reciclados, melhor para todo mundo. É melhor para a cidade, que fica mais limpa e tem uma atividade econômica baseada na recuperação de materiais, é melhor para natureza, porque vai exigir menos dela para obter os mesmo recursos, enfim. É melhor para todo mundo. Hoje em dia, nesse modelo atual, estamos todos perdendo”, destaca o professor da Unesp.

Desafios

Se o orçamento para a universalização da coleta seletiva em Sorocaba depende de baixo orçamento e todos ganham efetivamente com isso, a pergunta que fica é: porque a reciclagem do lixo doméstico atinge o pífio patamar de 1,48% nos dias de hoje?

“Reciclar é fácil, agora convencer a população é mais complicado”, explica Mancini. Segundo ele, um dos maiores obstáculos para a reciclagem em larga escala na cidade depende da cultura e do comportamento da sociedade. “Você convencer uma pessoa a mudar o seu comportamento em relação ao lixo não é mole. Ela coloca o lixo na frente de casa e quer distância daquilo. O desafio é mudar esse comportamento e tentar embutir a consciência de que ela é responsável por aquilo e isso não é fácil”, detalha o professor, acrescentando que a postura de despreocupação com as conseqüências ambientais também se repetem em relação à água e à poluição. “É preciso mexer na estrutura porque a coisa está ficando séria”, alerta o especialista.

Otimismo

Já Roberto Juliano é mais otimista em relação ao comportamento da população sorocabana. O que reforça a afirmação inicial defendida pelo professor Mancini, merecedora do título dessa reportagem. “A conscientização da população já existe. Nos bairros onde as cooperativas já atendem, as pessoas já deixam o lixo separado. Elas se acostumam, mas isso depende de uma coleta regular”, analisa o secretário que mantém termo de parceria com as quatro cooperativas de reciclagem da cidade que, ao todo, distribui renda para cerca de 100 trabalhadores. “A nossa meta é empregar 300 catadores. Com os novos caminhões, nós damos mais estrutura. A cooperativa entra com a mão-de-obra e ela vai se auto-gerir e distribuir salário digno pra todos os trabalhadores”, defende o secretário dando mais argumentos para decretar o que nenhuma pessoa em sã consciência poderia contestar. “A gente não tem desculpas para não reciclar”. 

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3 comentários sobre “Prefeitura vai “exportar” 500 toneladas de lixo por dia

  1. Ola Felipe , tudo bem? bem legal seu blog! Ouvi falar do seu trabalho sobre o Habiteto, e fiquei interesada em ter o livro, como faço ? Preciso dele pois meu tcc é justamente sobre como começou oHabiteto. Se você puder me ajudar, meu email eh Mah_holin@hotmail.com. Obrigada

  2. Investimentos em coleta de lixo, seja seletiva ou não, são investimentos em saúde pública. O poder público não pode ficar esperando que a educação ambiental seja incorporada pela população. O ambiente tem que ser limpo e isso custa dinheiro, mas a sua limpeza gera empregos e traz benefícios. Limpeza já !
    Newton Almeida http://www.limpezariomeriti.blogspot.com

  3. CURRÍCULO

    VITAE

    LUIZ CARLOS LEOTILIO DE MELLO

    1. DADOS PESSOAIS
    1.01 – Nome: Luiz Carlos Leotilio de Mello
    1.02 – Data de nascimento: 04/02/1954
    1.03 – Nacionalidade: Brasileiro
    1.04 – Estado Civil: Separado Judicialmente
    1.05 – Endereço: Caetana Alves Leite 135 Apto 507
    1.06 – Bairro: Floresta CEP 88110-633
    1.07 – Município: São José – SC
    1.08 – Telefone: Res. (48) 84014461
    1.09 – http://www.mello.mello@ymail.com
    1.10 2. DOCUMENTOS
    2.01 – Carteira de Identidade: 218.730-2 – SSP/SC em 11/01/2000
    2.02 – Cadastro de Pessoa Física: 224.581.239-53
    2.03 – Titulo de Eleitor: 0057.1413.09/30 – ZE 084 – SC 0074
    2.04 – Carteira Profissional: 5694 – Série 002 – Florianópolis-SC
    2.05 – Passaporte CW551523 Expedido 28/02/2008 Valido até 27/02/2013 expedido em Itajai-SC
    3. FORMAÇÃO ESCOLAR
    3.01 – Segundo Grau Completo
    4. CURSOS COMPLEMENTARES todos em 2007 160 hs.
    4.01 – Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos Urbanos.
    Rede Nacional de Capacitação e Extensão Tecnológica em
    Saneamento Ambiental (RECESA) Núcleo de Capacitação Sul
    Na UFSC.

    4.02 – Projeto, Operação e Monitoramento de Aterros Sanitários. Rede Nacional de Capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Ambiental (RECESA) Núcleo de Capacitação Sul em Blumenal-SC pela UFSC.
    4.03 – Descentralização de Esgoto. Rede Nacional de Capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Ambiental (RECESA) Núcleo de Capacitação Sul na UFSC.
    4.04 – Gerenciamento e Reciclagem dos Resíduos da Construção Civil. (RECESA) Núcleo de Capacitação Sul em Chapeco-SC pela UFSC.

    5. EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
    5.01 – Bradesco 5 anos.
    Compensação de Cheques e Caixa Executivo, controle de patrimônio.
    5.02 – Prefeitura Municipal Guarapuava PR Adm. Candido Pacheco Bastos.
    Administrativo e Informática 3 anos controle de qualidade e coleta de Resíduo sólido. Implantação de controle de frotas, com ficha de roteiro, controle de abastecimento e manutenção.
    5.03 – CIA de Processamento de dados do Estado de Sta Catarina 7 anos.
    (Obs) Alocado na Secretaria da Fazenda por 6 anos.
    Administrativo digitação calculo e relatório para distribuição de verba do ICM, IPVA para os municípios, controle de patrimônio e fiscalização de frotas.

    5.04 – Companhia de Melhoramento da Capital (COMCAP) 14 anos.
    Empresa de Limpeza Publica de Economia Mista
    5.04.1 – Motorista caminhão Poliu guindaste e compactador de Resíduo Sólido (Lixo).

    5.04.2 – Gerente de Transferência de resíduo sólido e destino final,
    Implantação da Balança informatizada para melhor controle do resíduo coletado, para acompanhar a empresa que faz o transporte e o aterro sanitário para posterior pagamento e com diversos tipos de relatório.
    5.04.3 – Assessor Técnico: Controle de resíduo sólido de construção civil em aterro de inertes. Implantação e classificação do resíduo por qualidade e fazendo o reaproveitamento do mesmo para cobertura de estrada, aterro de terreno, madeira para picador e etc.
    Implantação de uma com postagem para fazer adubo orgânico.
    Responsável pela retirado dos papeleiros que estavam instalados no lado da Ponte Pedro Ivo Campos, mudando os mesmo para o Itacorubi, e, montando um galpão com todas as estruturas, perfazendo repasse de material reciclável.
    Implantação do Recicle Óleo, firmando convenio com a ACIF, sendo enviado para o destino correto.
    Implantação do recicle pneus, fazendo convenio com a Reciclanip, sendo enviado para o destino correto.
    5.04.4 – Parceria no Programa de Despoluição do Manguezal do Itacorubi.
    5.05 – Governo da Província de Luanda África (Angola/Luanda)
    Responsável pela Comuna de Kilamba Kiaxi junto com o dministrador.
    Desenvolver e Implantar projetos de roteiros, limpeza de praias, vias e logradouro, pintura de meio fio, roçagem (mecânica manual) e podas de arvores.
    Responsável pela implantação dos pontos de transferência (PT) dos resíduos sólidos nos bairros que não haviam condições de coleta mecanizada, criando lixeiras para posterior transferência ate os (PTs)

    6. REFERÊNCIAS PESSOAIS

    6.01 – Rosa Maria Schimitt
    Secretaria de Educação de São José – SC
    Tel: (48) 9623-8006
    São José-SC

    6.03 – Clonny Capistrano
    Secretario Adjunto de Meio Ambiente
    Tel: (48) 3259-4991
    São José-SC

    6.04 – Ademir Correia
    Empresa Terraplanage
    Tel: (48) 9963-3283
    Biguaçú – SC

    São José, 18 de Outubro de 2009.

    Luiz Carlos Leotilio de Mello

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