Craques do passado avaliam Seleção Brasileira

Felipe Shikama

A Jabulani rola pelos campos da África do Sul e, ao som das vuvuzelas, a Seleção Canarinho, com a torcida de 190 milhões de brasileiros, segue em busca do hexacampeonato mundial.

Depois do resultado positivo, mas pouco animador, em seu primeiro jogo – 2×1 sobre a fraquíssima Coréia do Norte, o Brasil novamente, neste domingo (20), voltará seus olhos aos televisores para torcer pela seleção no jogo contra a Costa do Marfim. “O Brasil não jogou aquilo que nos imaginávamos. Deixou muito a desejar”, avalia o sorocabano Marinho Peres, zagueiro titular da Seleção na Copa de 1974 realizada na Alemanha.

Já para Adhemir de Barros, o Paraná, que disputou a Copa de 1966 ao lado de Garrincha, Tostão e Pelé, o resultado da partida de estreia demonstra a dificuldade do torneio. No entanto, ele acredita que o Brasil voltará da África com a taça na mão. “Foi bem, ganhou. Vocês querem a seleção do Telê (Santana), que vai dar espetáculo e perder a Copa? É assim mesmo, eles estão jogando para não perder. A gente vai sofrer, mas vai dar para ganhar”, comenta o ex-ponta esquerda nascido em Cambará, no Paraná.

Impressões divergentes à parte, Paraná e Marinho Peres têm em comum a raríssima experiência de ter representado o Brasil durante a Copa do Mundo. Ambos vivem em Sorocaba e foram revelados pelo Esporte Clube São Bento. “Fui capitão do Brasil, mas infelizmente perdemos pra Holanda na semi-final”, lembra Marinho, sem demonstrar qualquer ponta de vaidade diante do importante papel que desempenhou na seleção comandada por Zagallo.

A mesma simplicidade é revelada por Paraná, quando questionado sobre o sentimento e a importância de ter representado o Brasil na Copa do Mundo. “Eu acho que é uma coisa normal. A gente joga, se sobressai e depois vai (para a Seleção). Foi a mesma coisa que eu tivesse jogando no São Bento”, comenta Paraná, que desde 1989 treina jovens jogadores no centro esportivo André Matiello, no bairro de Pinheiros.

 Mudanças

Marinho Peres, que começou a jogar em 1967, lembra que diferentemente de hoje, quando muitos jovens vêem o futebol como forma de conquista de ascensão social e fama, naquela época nenhum jovem sonhava em ser jogador profissional. “Jogador de futebol era sinônimo de que veio do morro e era coitadinho. Eu ia aos bailes e falava para as garotas que eu era estudante e não jogador. A gente queria estudar, meu pai que era médico queria que eu seguisse a profissão”, rememora Marinho que foi um dos primeiros jogadores brasileiros a jogar no exterior. “Eu joguei dois anos no Barcelona, na Espanha, para comprar duas quitinetes”, emenda.

Além das mudanças fora de campo apontadas por Marinho Peres, Paraná detalha que a própria liberdade de criação dos jogadores vem perdendo espaço para os esquemas táticos. “Mudou muita coisa. Antigamente a gente jogava e pensava dentro do campo. Agora não, todas as equipes são burocráticas, o técnico manda e tem que fazer. Não deixa o jogador ser criativo. O que mudou foi que perdemos a beleza dos espetáculo”, avalia o craque que só permite que os jovens participem de seus treinos mediante entrega de boletins sem notas vermelhas. “Eu sempre falo para eles: tem que estudar, se não estudar não dá para jogar”, detalha.

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