Governo Lula e o encerramento de um ciclo

Felipe Shikama

O final do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, independentemente de quem seja seu sucessor, representa o encerramento de um ciclo. Afinal, a história recente do Brasil se divide em dois períodos distintos. 

O primeiro, iniciado na década de 1990 com Fernando Collor a Fernando Henrique Cardoso, chamado de “década perdida”, marcado pela fúria neoliberal, pela insistência na redução e desqualificação do papel do Estado e pela subserviência aos grandes centros do capitalismo internacional.

E o segundo, a partir de 2003, com o mandato do presidente Lula, com a retomada do fortalecimento do Estado e a intensificação de políticas sociais que marcaram a abertura de um no novo período histórico da economia brasileira.

Em um breve balanço desse ciclo iniciado em 2003 até aqui, 31 milhões de brasileiros saíram da pobreza, 24 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema e mais de 14 milhões de trabalhadores conquistaram um emprego com carteira assinada.

De acordo com o 4º Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, entre 2003 e 2008, o país diminuiu de 12% para 4,8% a pobreza extrema. Programas de transferência direta de renda como o Bolsa Família, que atualmente atende a cerca de 60 milhões de pessoas, contribuem para assegurar a conquista da cidadania pela população mais vulnerável à fome.

Além da melhoria da condição de vida de milhões de brasileiros, as políticas de inclusão social também demonstraram que a luta pela redução das desigualdades no país tiveram reflexos no cenário de crescimento da atual economia nacional. Afinal, os avanços do governo brasileiro para a redução da pobreza são resultados da concepção de conciliação de classes, em um projeto amplo e ousado, de “país para todos”.

A consolidação dos programas de transferência de renda, aliada à geração recorde de 14 milhões de novos empregos, e os aumentos reais do salário mínimo (74% acima da inflação) proporcionaram condições reais de consumo aos cerca de 31 milhões de brasileiros que ingressaram na chamada classe média.

A estabilidade do mercado interno foi fundamental também para o enfrentamento da crise econômica mundial de 2008. O Brasil foi um dos últimos países a entrar e um dos primeiros a sair do turbilhão e mesmo em meio à crise o país gerou cerca de 900 mil novos empregos, mantendo o mercado interno aquecido.

Diante do eminente encerramento desse ciclo virtuoso de desenvolvimento econômico e social (não necessariamente esgotado), caberá à população, no dia 31 de outubro, escolher o seu rompimento ou a continuidade.

Dilma Rousseff, como é sabido, representa o prosseguimento deste ciclo iniciado por Lula. Resta saber se José Serra, caso seja o eleito pela maioria dos brasileiros, sobretudo daquela parcela que goza dos avanços sociais registrados nos últimos oito anos, recolocará o Brasil na trilha da década perdida.

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