Dirigentes partidários lamentam “vale-tudo” eleitoral

Presidente do PT em Sorocaba, José Carlos Triniti Fernandes, e presidente do PSDB em sorocaba, Luiz Christiano Leite, avaliam campanhas presidenciais e concordam em um ponto: baixaria reduziu o debate em torno de propostas para o país.

Felipe Shikama

Neste domingo (31), o Brasil vai decidir nas urnas quem ocupará o cargo de presidente República nos próximos quatro anos. O duelo travado entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) reforça a polarização partidária existente no país há quase duas décadas.

É que após as eleições presidenciais de 1989, (disputadas por 22 candidatos), e vencida por Fernando Collor de Melo (PRB), o cenário político brasileiro ficou divididamente ocupado pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e pelo Partido dos Trabalhadores (PT), ambos filhos da redemocratização.

Em 1994 e 1998, o PSDB saiu vitorioso, elegendo e reelegendo Fernando Henrique Cardoso. Já em 2002 e 2006, foi a vez do PT, com Luiz Inácio Lula da Silva, chegar à chefia do Executivo.

Justamente por polarizarem o atual quadro eleitoral, o confronto entre os respectivos modelos de gestão tem sido usado, em grande medida, pela candidata petista durante a campanha do segundo turno. “Seguindo a orientação da coordenação nacional, foi essa estratégia, de comparar os governos, que adotamos em Sorocaba. Eles (PSDB) tiveram a oportunidade de governar o Brasil durante oito anos e nós, também. É isso que está em jogo para os eleitores”, afirma José Carlos Triniti Fernandes, presidente do diretório municipal do PT.

Já Luiz Christiano Leite, presidente do PSDB em Sorocaba, acredita que a comparação entre os governos não auxilia o eleitor a decidir seu voto.  “A gente não deve dirigir um veículo olhando pelo espelho do retrovisor. Então eu acho que o Serra olhou para o futuro e a gente deve fazer essa análise com cuidado. É duro comparar dois momentos diferentes, é uma coisa muito difícil. E acho que esse é o engano de todo o processo eleitoral, nós deveríamos estar discutindo o futuro”, argumenta.

Mesmo reconhecendo a estratégia da campanha de Dilma, de comparar os governos FHC e Lula, Triniti ressalta que a candidata petista conseguiu defender suas propostas perante os eleitores. “Eu acho que é importante comparar, porque são dois projetos diferentes em disputa. Se a Dilma for eleita, ela irá manter o que foi conquistado pelo governo Lula seja na área econômica, na política social, na questão social e do meio ambiente, mas é óbvio que ela tem propostas novas. Então olhar no retrovisor significa ver aquilo que avançamos”, rebate o petista.

Poucas propostas

Luiz Leite afirma que a postura defensiva de Dilma, visando esquivar-se de boatos, reduziu a capacidade de elencar propostas para o país. “Ela tem posições dúbias, ora é a favor do aborto, ora é contra. Ora é a favor das privatizações, ora é contra. Mas tem muita coisa fantasiosa nessa campanha, que não tem nada a ver com as propostas”, critica.

No entanto, o dirigente atribui a ausência de propostas ao “modelo político atual”. “Eu sou muito crítico ao modelo político atual. Acho que a campanha acaba sendo um projeto meio esquisito de imagens, de marketing, que na realidade não traduz profundidade de reflexão que a gente deveria fazer sobre os candidatos”, argumenta, defendendo a reforma política com voto distrital. “Independentemente de candidato, nós ficamos na periferia da campanha, não no conteúdo do projeto de governo.”, acrescenta Leite.

Baixarias e factóides

Embora defendam projetos de governo distintos, ambos os dirigentes usam o mesmo termo, quando questionados sobre ataques, baixarias e factóides eleitorais, divulgados principalmente pela internet: “lamentável”. “A questão do aborto, por exemplo, não depende do presidente. O assunto passa pelo Congresso e você já tem uma legislação vigente no país na questão do aborto. A Dilma nunca disse que vai fazer nada mais do que cumprir a legislação”, exemplifica Triniti Fernandes.

“Eu lamento que isso tenha acontecido principalmente no segundo turno, porque a nossa proposta foi discutir as grandes questões do país. Mas não dá para ficar calado diante dessas situações, temos que reagir. Mas mentira tem perna curta e isso ficou caracterizado nesse segundo turno. Os factóides criados pelo Serra foram desmontados“, afirma.

“Eu lamento isso, porque mais uma vez a gente foge do principal, que seria discutir o conteúdo. Acho que isso tudo é lamentável, mas faz parte. Acho que isso é a campanha de torcidas, de torcidas partidárias e isso distorce o processo. Criando o vale-tudo eleitoral, tanto pra um quanto pra outro, inclusive na internet. Acho que isso denigre o processo político, não só eleitoral, mas político mesmo”, completa Leite.

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