Acidente é a principal causa de morte entre crianças

Cabo Falco dá dicas preventivas a estudantes da rede municipal

Felipe Shikama

Os acidentes, ou lesões não-intencionais, representam a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil. No total, mais de 5 mil crianças morrem e  cerca de 137 mil são hospitalizadas anualmente, segundo dados do Ministério da Saúde.

Os dados preocupam grupos de interesse de proteção à criança e levaram à ONG Criança Segura a classificar o problema como “séria questão de saúde pública”.

No dia 28 de outubro, uma menina de 4 anos morreu em Sorocaba, depois de sofrer acidente doméstico com um tanque de lavar roupa, no Jardim Lopes de Oliveira. A pequena Ângela Beatriz Ferreira dos Santos da Silva brincava com um primo de dez anos e duas primas, de 3 e 7 anos, no quintal da casa, quando foi beber água na torneira. Ela se apoiou sobre um tanque de cimento que, após se soltar da parede, caiu sobre o seu corpo. Ângela chegou a ser socorrida e levada à Unidade Pré-Hospitalar da Zona Norte, mas não resistiu aos ferimentos.

Estimativas mostram que a cada morte, outras quatro crianças ficam com sequelas permanentes que irá gerar, provavelmente, consequências emocionais, sociais e financeiras à família e à sociedade.

 A gerente comercial L.S.T, de 29 anos, diz levar hoje uma vida normal. Bem sucedida em sua atividade profissional, ela conta que, por muitos anos, sofreu psicologicamente com as marcas que a queimadura provocou em corpo.

Ela se lembra que numa manhã, brincava pela cozinha quando, por descuido da empregada doméstica, esbarrou numa panela de leite fervente. “Eu tinha sete anos quando esse acidente aconteceu. Eu fui levada ao hospital e me recuperei bem, mas as marcas (da queimadura) ficaram no meu corpo. Os momentos mais difíceis eram quando eu ia à praia ou queria usar alguma roupa que pudesse aparecer”, detalha.

De acordo com o governo brasileiro, cerca de R$ 63 milhões são gastos na rede do SUS – Sistema Único de Saúde. A boa notícia é que estudos mostram que pelo menos 90% dessas lesões poderiam ser evitadas com atitudes de prevenção.  Ela é a principal saída para a problemática dos acidentes, mas esta ainda permanece como um desafio. Isso porque a prevenção ainda não é encarada como prioridade no país. “Nosso desafio é mobilizar a sociedade para uma transformação cultural. No Brasil ainda é muito forte a idéia de que os acidentes não podem ser evitados. Além disso, o acidente nem sempre é notificado e tratado como tal, gerando ainda mais obstáculos na busca de soluções”, afirma a coordenadora de Mobilização da Ong Criança Segura, Jaqueline Magalhães.

 Conscientização

 Segundo Censo de 2000, os menores de 15 anos totalizaram cerca de 50 milhões, correspondendo a aproximadamente 28% do total da população. Jaqueline acrescenta que o número alarmante de crianças vítimas de acidentes poderia cair sensivelmente se o governo investisse em campanhas de prevenção e de construção de locais adequados e seguros para as crianças. “Nós precisamos de ações e políticas públicas que promovam a conscientização de que os acidentes podem, sim, ser evitados. Além disso, nós temos de pressionar por legislações que garantam a segurança da criança, como aconteceu recentemente com a ‘lei das cadeirinhas’”, acrescenta.

Jaqueline Magalhães, coordenadora de Mobilização da ONG Criança Segura

Ela destaca que as quedas são responsáveis por mais de 50% dos tipos de acidentes que levam as crianças à hospitalização. Já entre os acidentes com mortalidade, o trânsito apresenta números preocupantes. “Se a gente pensar os acidentes de trânsito com pedestres, ciclistas e passageiros, ele é a causa que mais mata crianças no Brasil”, explica Jaqueline.

O cabo Valdinei Falco, chefe da Seção Educacional do 15º Grupamento de Bombeiros de Sorocaba, lembra que, juntamente com os idosos, as crianças fazem parte da parcela mais vulnerável aos acidentes domésticos. “Por isso do trabalho educacional nas escolas, nós trabalhamos com o propósito da prevenção,  visando garantir a saúde da comunidade, divulgando dicas legais e importantes para a segurança, dentro e fora das residências”, conta.

Ele chama a atenção aos riscos de intoxicação provocado por produtos de limpeza. “Eles costumam ser vendidos em supermercados e no mercado paralelo  e, geralmente, têm cores bonitas e atrativas, que chamam a atenção das crianças. Os vendidos nos bairros por ambulantes geralmente são guardados em garrafas de refrigerantes e é aí que mora o perigo. Esses produtos quando ingeridos podem causar sérios danos a saúde e a morte em alguns casos”, alerta.

Soluções simples

No que se refere à construção da casa, a arquiteta Fernanda Caiuby chama a atenção para os riscos de varandas, escadas e piscinas. “Também é alvo de preocupação para os pais que têm crianças pequenas as casas que tem o pé direito duplo, com mezanino, bem como janelas muito alta”, destaca.

Ela conta que hoje, o mercado já oferece alternativas seguras, práticas e baratas para garantir a segurança dos pequenos. “Hoje, um item que é muito viável é a tela de segurança. Ela pode ser colocada nas escadas, nas janelas e nas varandas e tem custo baixo. É uma peça que interfere na arquitetura, mas a segurança da criança, nesse caso, deve vir em primeiro lugar. Depois, quando elas crescem, isso pode ser retirado sem problemas”, aconselha.

Prova de que o mercado já oferece itens para reduzir os riscos de acidentes entre as crianças, pode ser visto no site www.selfbaby.com.br. Na loja virtual é possível encontrar diversos produtos de segurança como protetores de quinas e travas de tomadas, armários e vasos sanitários. “A relação custo-benefício dos produtos é baixíssima, mas o brasileiro ainda parece que não se preocupa devidamente com a segurança dos bebês. São itens de baixo custo, que ajudam a reduzir em até 90% dos acidentes entre crianças de 0 a 3 anos”, comenta Márcio Gonçalves, consultor de segurança infantil e diretor da Dream Baby, empresa fabricante de produtos de segurança e conforto.

Previna os acidentes

O Jornal Ipanema consultou o bombeiro Valdinei Falco, que aponta algumas dicas para evitar os acidentes domésticos entre as crianças.

– Armários com produtos de limpeza devem ser trancados com chave;

– A criança não deve usar facas e tesouras sem a presença de um adulto;

– Evite deixar crianças sozinhas em banheiras, um afogamento acontece mesmo com pouca água;

– As piscinas deverão possuir cercas de proteção em sua volta e portão;

– Crianças devem nadar sempre na companhia de um adulto;

– Solte pipas em quadras, campos de futebol e longe da rede elétrica.

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