Obesidade infantil é problema de saúde pública

Felipe Shikama (para o Jornal Ipanema)

Lanches gordurosos, batatas fritas, doces e refrigerantes são alimentos que não podem faltar na lista dos sabores preferidos pelos pequenos, especialmente pelo estímulo gerado pela propaganda de produtos industrializados e dos fast-foods. Somado a essa oferta gastronômica nada saudável, tem-se ainda o fato das brincadeiras de rua estarem sendo trocadas cada vez mais pelo vídeo game e computador. 

Segundo o IBGE, cerca de 10% das criancas e adolescentes brasileiros já possuem sobrepeso

O resultado desses fatores é um volume cada vez maior de crianças obesas, elevando ainda mais as estatísticas deste que é considerado um problema de saúde pública, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

De acordo com dados do IBGE, cerca de 10% das crianças e adolescentes brasileiros já possuem sobrepeso e 7,3% sofrem de obesidade. “É um problema de saúde pública, sim, e que tem crescido muito, principalmente entre as crianças. Muitas doenças como a diabetes, a hipertensão e alterações no colesterol estão associadas à obesidade”, detalha a médica endocrinologista Liliane Bobato Licciardi.

Endocrinologista Liliane Bobato Licciardi

Ela acrescenta que a obesidade infantil também pode acarretar problemas de articulação e dificuldades respiratórias. “E esses problemas tendem a piorar na fase adulta, pois uma criança obesa tem grandes chances de ser um adulto obeso”, alerta.

Além dos problemas de saúde provocados pela obesidade infantil, Liliane resalta o eventual sofrimento psicológico das crianças acima do peso. “Por causa disso, ela infelizmente acaba sendo segregada socialmente. O que, inlcusive, pode piorar a questão alimentar, acarretando em transtornos alimentares como a ansiedade, ficando mais compulsiva com a alimentação”, afirma a médica. 

Exemplo de casa

Segundo Liliane, os pais devem estimular os filhos para prática de hábitos saudáveis, e oferecer alimentos ricos em fibra, com ingredientes coloridos. “A obesidade infantil é ainda mais grave quando ocorre na primeira infância. Deve-se evitar que crianças muito pequenas se habituem a comer lanches de fast food e a tomar refrigerante”, orienta a especialista.

Todavia, a médica ressalta que os bons hábitos alimentares devem ser praticados antes pelos pais, que são exemplos para os pequenos. “Não adianta a gente cobrar aquilo que a gente não faz. Ela (a criança) é reflexo da família, então todo mundo tem que mudar“, aconselha.

TV piora a qualidade da alimentação de crianças

Duas horas em frente à TV elevam 10% o consumo de alimentos não saudáveis

Crianças que passam muito tempo assistindo televisão consomem mais doces e guloseimas e têm maior risco de ficarem obesas. É o que conclui estudos feitos pela nutricionista Renata Alves Monteiro, da Universidade de Brasília (UnB).

A pesquisadora seguiu hábitos alimentares de 330 crianças, de 9 a 12 anos de escolas públicas e particulares do Distrito Federal, em dois estudos. No primeiro, fez um questionário sobre as preferências alimentares e o tempo médio de televisão. No segundo, dividiu os meninos e meninas em três grupos e as submeteram a programas de TV com ou sem comerciais. Depois, repetiu o questionário e cruzou os dados.

A conclusão é que duas horas de televisão são suficientes para interferir nas escolhas das crianças. Ela afirma que aquelas que assistiam mais televisão tiveram uma preferência maior por guloseimas. “Outro problema é que no Brasil, 95% das propagandas para crianças são de alimentos não saudáveis e sempre chamativos ou com a participação de personagens infantis, o que tem uma relação direta com o aumento da obesidade”, relata. (F.S)

Maioria das mães amamenta pouco e dá alimentos inadequados aos filhos

Você sabia que a maioria das mães não sabe alimentar os seus bebês corretamente? É o que aponta pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgada recentemente.

No total, foram avaliadas as refeições de quase 200 crianças com idades entre quatro e 12 meses, e constatou-se um dado alarmante: a metade deles já não mamava no peito.

O aleitamento marterno exclusivo é recomendado até os seis meses de vida. Depois, as mães podem complementar a alimentação com sopas, papinhas e uma solução à base de leite.

No entanto, a pesquisa analisou que o número de mães que sabem preparar essa solução à base de leite adequadamente para a idade, é muito pequeno: apenas 23% das mamães que participaram do estudo seguiam corretamente as instruções da embalagem, que indica uma colher do produto para cada 30 ml de água. Quando a proporção não está na medida certa, alerta o estudo, há risco de desidratação, diarréia e desnutrição.

Nutricionista Márcia Mendes

“Conclui-se portanto, que está havendo um descontrole nas famílias, são pais e mães que descuidam da própria alimentação acarretando problemas de saúde nos filhos”, comenta a nutricionista Marcia Mendes.

Leite materno

O leite materno possui uma quantidade de ferro muito maior do que o leite da vaca, e a sua substituição total no primeiro ano de vida pode causar alergias, anemia e comprometer o desenvolvimento cognitivo e emocional do bebê. 

A idade média da introdução da mamadeira foi de três meses, e açúcar, achocolatados e cereais invariavelmente são adicionados ao leite, comprometendo a alimentação saudável dos pequenos.

Alimentos inadequados

A pesquisa, contudo, não se restringe apenas à dieta dos bebês. O regime alimentar de crianças um pouco maiores também foi analisado. De acordo com os pesquisadores da Unifesp, os pequenos têm recebido cada vez mais cedo alimentos inadequados, como doces, biscoitos recheados, salgadinhos e refrigerantes. Já a dieta contendo frutas, legumes e verduras são cada vez menos frequentes.

O estudo aponta que a oferta de alimentos não saudáveis, como doces, salgadinhos e refrigerantes não implicam apenas na falta de nutrientes das crianças, mas também  o risco de obesidade precoce. “É um problema grave, e as mães precisam receber as informações quando gestantes, quebrar as orientações erradas passadas de geração para geração e assim poderem  se planejar e transformar a rotina alimentar tornando –a mais saudável para toda família”, orienta Márcia. (F.S)

Excesso de pesos na infância aumenta riscos de doenças na vida adulta

A obesidade infantil aumentou cinco vezes nos últimos 20 anos no Brasil e já atinge cerca de 10% das crianças brasileiras. Considerado problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade está associada a inúmeras consequências adversas e é um fator de risco para doenças na idade adulta como diabetes, aumento do colesterol, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares.

Pesquisas indicam que 60% das crianças obesas de 5 a 10 anos apresentam aumento da pressão arterial e riscos para diabetes e aumento do colesterol e como consequência aumento dos problemas cardiovasculares. “Outras implicações seriam problemas ortopédicos, problemas dermatológicos, alterações neurológicas e problemas psicossociais como isolamento e discriminação”, acrescenta o médico pediatra José Eduardo Gomes Bueno de Miranda.

O aconselhamento e a intervenção, segundo ele, devem ocorrer cada vez mais cedo especialmente na orientação de uma alimentação saudável. Miranda explica que a estratégia centraliza-se principalmente no equilíbrio do balanço energético para a manutenção do peso (energia gasta deve ser igual à consumida) ou para perder peso (energia consumida deve ser menor do que a energia gasta). “Mas como este grupo etário esta na fase de crescimento, os objetivos do manejo dos programas de peso devem se baseados na idade, estágio de crescimento e desenvolvimento, grau de obesidade e presença de doenças associadas”, explica.

Cooperação familiar

A mudança de estilo de vida deve ser a primeira a abordagem, a aquisição de hábitos alimentares mais saudáveis e comportamentos fisicamente mais ativos e menos sedentários. “É primordial o aconselhamento familiar e a cooperação da família para o sucesso do tratamento”, destaca o especialista.

O índice de massa corporal (IMC), que se calcula dividindo peso (Kg) pela altura em metros ao quadrado é o parâmetro de escolha para identificar crianças e adolescentes obesos. Bueno detalha que o termo sobrepeso é aplicado quando o IMC excede o percentil 95 para crianças e adolescentes da mesma idade e sexo enquanto que o risco para sobrepeso é aplicado para crianças e adolescentes quando o seu peso está entre os percentis 85 e 95.

Especialistas dão dicas para alimentação saudável das crianças

Segundo a Organização Mundial de Saúde, uma dieta saudável passa por cinco pontos: amamentar o bebê durante os seis primeiros meses de vida, comer alimentos variados, ingerir muitos vegetais e frutas, moderar na quantidade de gorduras e óleos e evitar sal e açúcar.

Parece fácil, mas estes hábitos devem ser desenvolvidos desde a infância – de preferência, começando pelo que seu filho leva na lancheira.

O Jornal Ipanema consultou especialistas que apontam dicas para garantir a alimentação saudável das crianças. Afinal, quando os pais dão aos filhos a atenção devida e se preocupam com sua alimentação, as possibilidades que sofram sobrepeso são baixas. Além disso, o controle dos adultos é fundamental na hora de prevenir a obesidade infantil.

– aos bebês não devem dar-lhes o peito totalmente segundo a demanda que apresente; desde o princípio deve-se ensiná-los a alimentar-se bem e no seu momento certo.

– quando o bebê chora, não se deve oferecer-lhe o o peito assim, de primeira, sem antes detectar a causa do choro e tentar acalmá-lo. O dar o peito de forma indiscriminada, pode levar a que o bebê, quando seja maior, recorra à comida quando sofra algum mal-estar.

– visitar periodicamente ao pediatra, quando seja necessário ou nas revisões determinadas pelo centro de saúde. Foi demonstrado que uma criança que segue um controle médico tem menos possibilidades de sofrer obesidade ou qualquer outra enfermidade.

– seguir as dietas alimentares que o pediatra passar para o bebê, mês a mês. Ou seja, respeitando e introduzindo os alimentos segundo a idade da criança. É um bom modo de prevenção.

– fazer com que o bebê, até os dois anos de idade tenha provado de tudo um pouco.

– cuidar para que as crianças não “pulem” as refeições, organizando uma rotina alimentar constante.

– preparar as refeições com ingredientes frescos e naturais, sempre que possível.

– considerar a tabela de pesos e medidas que oferecemos e a que determine o pediatra do seu filho. E em caso do bebê ou criança não apresente um quadro de medidas dentro da normalidade, fale com seu pediatra sobre como melhorar a situação.

– oferecer uma alimentação variada em carnes, farinhas, verduras, frutas, etc.

– oferecer muitos líquidos às crianças especialmente em temporadas de muito calor e depois que praticarem exercícios físicos. A água é uma boa fonte e um fluído que não tem calorias. (F.S)

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2 comentários sobre “Obesidade infantil é problema de saúde pública

  1. Pingback: Obesidade infantil e a publicidade de alimentos « Blog do Shikama

  2. Preciso fazer o interdisciplinar na faculdade.
    E quero fazer sobre politicas de obesidade infantil e adolescente.
    Teria alguma sugestão que eu podesse abornar na faculdade.Obrigado,Luiz de Sete lagoas

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