O coro dos descontentes: vereadores da base se opõem à taxa do lixo

Por Felipe Shikama (Twitter: @Fshikama)

O projeto de lei do Executivo, que pretendia alterar a legislação tributária do município, e previa um aumento de até 15% na taxa de remoção do lixo, desagradou até mesmo os vereadores da base de sustentação do prefeito Vitor Lippi. Com objetivo de dar detalhar o projeto, Lippi convidou os parlamentares para uma reunião, na tarde de terça-feira (24), juntamente com técnicos da área de finanças. O convite para a reunião de esclarecimentos foi feito no início da sessão do mesmo dia, pelo líder do governo; o vereador José Francisco Martinez.

 “Desinteresse”

Dizendo já ter compromisso assumido, o vereador Caldini Crespo (DEM) declinou do convite e afirmou que a reunião, marcada de última hora, sinaliza desinteresse do prefeito no debate com os parlamentares. “Quando alguém, principalmente a autoridade máxima (do município), quer a presença de uma certa quantidade (de vereadores), que combine com mais antecedência. Combinar de última hora é sinal de que ele não quer muita discussão.

Não atende

Em seguida, foi a vez de Tonão Silvano (PMDB) disparar críticas ao aumento da taxa de transporte do lixo. “O povo já paga imposto alto, paga água e taxa de esgoto embutida. Agora vai ter que pagar o lixo? Hoje nós temos arrecadação de R$ 1,5 bilhão, se ele me convidasse para conversar sobre saúde, educação, pode ter certeza que eu iria”, disparou. “É muito pouco atendimento que ele dá para os vereadores desta Casa de Leis para que esse vereador vote todas as vezes contra a população de Sorocaba”, desabafou.

Dificultoso

Com o clima coletivo de “de me segura senão eu bato”, diante da proposta antipopular de aumentar a taxa de lixo, até mesmo o vereador Emílio Ruby (PMN) PMN, que costuma seguir fielmente os encaminhamentos estabelecidos pela liderança governista, esboçou críticas à proposta. “Cada sistema que é instalado nessa cidade vem uma taxa atrás. Na hora de fazer a votação desse projeto para cobrar essa taxa, é rapidão; agora, quando a gente pede para trocar contêineres quebrados, é tudo muito dificultoso”, apontou Ruby.

Promessa feita

Falando em nome da bancada do PT, o vereador Izídio de Brito Correia também declinou do convite para explicações técnicas no Paço. O parlamentar oposicionista destacou ainda que diante do esgotamento da capacidade do aterro Retiro São João, representantes do Poder Executivo teriam prometido que não haveria reajuste na tarifa para exportação do lixo produzido na cidade.

Engrossando o coro

O vereador Irineu Toledo (PRB) se juntou ao coro dos descontentes e também se opôs ao eventual reajuste na taxa do lixo. Segundo ele, a Secretaria de Finanças propõe o aumento da taxa de lixo, mas não toma providencias para reduzir a inadimplência das pessoas mais ricas. “Eu fui falar com Fernando Furukawa (Secretário de Finanças) ele disse que não dá. Ele é duro na queda. Então, para aumentar imposto ele nos chama, mas quando nos queremos falar com ele para discutir um problema, daí não dá”.

Missão ingrata

Com tantas críticas seguidas, o líder do governo, José Francisco Martinez (PSDB) fez o que pode para pedir apoio dos parlamentares, mas o estrago já estava feito. “Eu já entendi, eu vou lá sozinho e explicar para ele que não dá (para aprovar o projeto)”, desabafou sem esconder a decepção com os colegas da base aliada.

Novo projeto

À tarde, aos vereadores que comparecem no Palácio dos Tropeiros para a reunião, ficou acordado que a Prefeitura apresentará um novo projeto para tratar exclusivamente das tarifas do lixo, contendo detalhamento de valores. O projeto será enviado para apreciação do Legislativo em breve, mas ainda sem data definida. “O que estamos repassando para o munícipe é uma pequena parte do aumento do custo do lixo, e não do seu transporte. A desativação do aterro gera um passivo ambiental, o que nos obrigou a bancar um custo para a sua manutenção no valor de pelo menos R$ 200 mil mensais”, comentou o prefeito aos parlamentares.

Responsabilidade fiscal

Alegando ser necessário repassar ao contribuinte parte do aumento provocado pela inflação, Lippi argumentou que a elevação da tarifa tem por justificativa não prejudicar a questão da responsabilidade fiscal. “Se a Prefeitura não fizer isso perderá a sua capacidade de investimentos, e comprometerá sua área fiscal”.

Solução vantajosa?

Segundo o prefeito, a construção de um novo aterro exigiria investimentos de pelo menos R$ 50 milhões e o uso de uma área de, pelo menos um milhão de metros quadrados, que seria usada pelos próximos 50 anos, portanto, a solução de levar o lixo até o município de Iperó, segundo ele, “é altamente vantajosa para o município”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s