Paço de Votorantim dará lugar a shopping e hotel

Felipe Shikama

O prefeito de Votorantim, Carlos Augusto Pivetta (PT), defendeu a necessidade do município de construir uma nova sede administrativa e confirmou a intenção de vender a área de 20 mil metros quadrados, onde atualmente funciona a prefeitura, à iniciativa privada. O local deverá dar lugar a um hotel e também um centro de compras, possivelmente com espaços de convivência, cinemas e restaurantes.

O novo paço, segundo Pivetta, deverá ficar do lado oposto da avenida 31 de março, próximo à praça de eventos Lecy de Campos, local onde atualmente funciona a base operacional da prefeitura. “Nós já estamos retirando os caminhões e as máquinas pesadas que ficavam lá, pois não faz sentido ter isso (os equipamentos) na região central da cidade. Estamos trabalhando o projeto de fazer um novo prédio, bonito, que integre a praça de com a prefeitura”.

De acordo com o prefeito, a área da praça de eventos, somada ao novo paço, ultrapassaria os 100 mil metros quadrados. “Com isso vamos criar vagas de estacionamento e, principalmente, áreas de serviço, porque hoje, do limite da entrada de cidade até o centro, em mil e duzentos metros, nós não temos nenhuma atividade comercial. Então nós precisamos criar esse espaço”, justifica o prefeito.

 Já a venda da atual prefeitura deverá ocorrer por meio processo licitatório, cujo edital ainda está em fase de elaboração. “Nós queremos liberar essa área, do ponto de vista de alienação, e, com o dinheiro da venda, é que pretendemos construir a prefeitura. Só que a licitação dessa área tem que estar ligada com algum empreendimento de desenvolvimento da área central”, revelou Pivetta com exclusividade ao Jornal Ipanema.

Vagas para estacionamento

Segundo Pivetta, o deslocamento do paço municipal também contribuirá com o aumento da oferta de vagas de veículos dos clientes que pretendem frequentar o comércio da região da avenida 31 de março. “Nós temos um terminal de ônibus, um estádio de futebol, um auditório, uma escola e uma prefeitura (na avenida 31 de março). Nós temos, portanto, cinco espaços de atração de veículos que ocupam uma grande área física da avenida, o que corresponde a 40% da avenida. Então, falta espaço físico inclusive para novos empreendimentos”, acrescenta.

Ainda para contribuir com o aumento da oferta de vagas de veículos, o prefeito deverá autorizar a Associação Comercial de Votorantim a explorar um bolsão, em frente à prefeitura. “Falta acordarmos qual será o modelo de cessão, mas as tratativas estão acontecendo”, afirma Pivetta. 

Crescimento

Além do novo centro comercial que deverá se instalar na avenida 31 de março, há rumores de que a  rede de shoppings Iguatemi, em processo de expansão por todo o país, já estaria em fase de compra de uma grande área dentro da cidade de Votorantim. Procurada pela reportagem do Jornal Ipanema, representantes do grupo Iguatemi não desmentiram a possibilidade de novos investimentos na região.

Outro segmento crescente em Votorantim, que esta semana comemora sua emancipação político-administrativa, é o setor imobiliário. Do início do ano até agora, a prefeitura já recebeu pedido de aprovação de mais de seis mil unidades habitacionais. “Parte delas já foi aprovada e a outra está em fase de aprovação”, comenta Pivetta. “Segundo ele, Votorantim está vivendo um boom da área habitacional muito grande”, comemora.

Além dos fortes investimentos no setor imobiliário, Pivetta destaca o avanço de empreendimentos comerciais. Segundo ele, o fato de Votorantim não ser uma cidade “convergente para o centro”, com aspectos limitadores como o Rio Sorocaba, a linha férrea e a grande quantidade de morros, e a ausência de planejamento de desenvolvimento territorial no passado impõem novos desafios para o fortalecimento da economia local. “Essa história de que Votorantim não tem comércio, isso não é verdade. O que a gente não tem é um comercio centralizado, como na maioria das cidades. Mas nós temos importantes corredores comerciais, que é uma coisa que a gente quer fortalecer ainda mais”, reconhece.  

Pesquisador relembra processo de emancipação de Votorantim

No dia primeiro de dezembro de 1963, centenas de trabalhadores das fábricas de tecido, cimento e papel, todas de propriedade do grupo Votorantim, saiam às ruas para celebrar a histórica vitória do “Sim”. Naquele dia, um plebiscito fora realizado em Sorocaba, para decidir a eventual emancipação da vila considerada “o manancial de impostos” para o município. “Votorantim, naquela época, era a verdadeira zona industrial de Sorocaba. Contudo, os impostos arrecadados pelas fábricas não eram revertidos em melhorias da vila, que já contava com casas geminadas para as famílias dos trabalhadores, água e eletricidade”, detalha o pesquisador e jornalista Paulo Fontes.

 O sentimento de abandono pela prefeitura, à época chefiada por Armando Pannunzio, ganhou força e o movimento pela emancipação aglutinou apoio tanto dos operários quanto dos altos funcionários do grupo Votorantim.

Em poucos dias, um abaixo-assinado com uma centena de assinaturas foi encaminhado ao deputado estadual Mendonça Falcão, pedindo à Assembleia Legislativa a realização de uma consulta popular sobre o possível desmembramento da vila.

Então coordenador da campanha pró-emancipação, Paulo Fontes afirma que o movimento liderado pelo gerente do grupo Votorantim, Mathias Gianolla, contava com grande montante de recursos. “Nós espalhamos cartazes por todo o distrito. Também bolamos uma estampa, escrito ‘sim’, e demos o tecido aos trabalhadores das fábricas”. Ele acrescenta que em pouco tempo, as roupas com a estampa ‘sim’ se tornaram a vestimenta símbolo da emancipação. “Os homens usavam camisas estampadas, e as moças, também, vestiam blusas e saias com o escrito ‘sim’”, lembra.

Os bairros da Chave e Barra Funda, segundo Fontes, foram idealizados pelo comendador Antonio Pereira Inácio e se constituíram nas primeiras “colônias operárias” da cidade. O pesquisador acrescenta que o nome da cidade, teve como origem a tribo indígena tapuia, e fora registrado em 1820 pelo biólogo francês August Santler. “Por causa da cachoeira, os índios deram o nome de botu-ra-ti que, literalmente, quer dizer pedras que urinam, ou seja, pedras que jorram água. Posteriormente, botu-ra-ti se transformou em Votorantim”, comenta o pesquisador que acaba de escrever o livro “Votorantim, cidade de fé e trabalho”. (F.S)

Associação Comercial comemora crescimento da cidade

Presidente da Associação Comercial de Votorantim, Davi Oliveira, comemora o crescimento da cidade cuja população, na média geral, conquistou aumento significativo do poder de compra. Atualmente com 108 mil habitantes, Oliveira lembra que Votorantim, dez anos atrás, tinha população de 60 mil habitantes. “Àquela época havia 14 mil carros. Hoje nós temos, ao todo, 46 mil carros na cidade. Votorantim vem crescendo e se desenvolvendo bastante”, avalia.

Em franco-crescimento, Oliveira destaca que o comércio local também mudou de característica. Neste sentido, ele endossa a visão do prefeito Carlos Augusto Pivetta (PT): a necessidade de fortalecer corredores comerciais que estão além da avenida 31 de março. “A perspectiva do nosso  trabalho dos comerciantes em parceria com o poder público é a melhor possível”, destaca.

À frente da Associação a oito meses, Davi Oliveira percebeu a necessidade do comércio local se reinventar. Segundo ele, as velhas práticas, do comércio meramente familiar, por exemplo, adotadas pelos comerciantes mais antigos, são insustentáveis no mercado competitivo de hoje. “Dois anos atrás, a Associação Comercial não se fazia em campanhas promocionais, por exemplo. Nós fizemos a primeira este ano, no Dia das Mães, em seguida no Dia das Crianças e já começamos a campanha de Natal que vai sortear prêmios aos consumidores”, detalha o novo representante que, em oito meses já conseguiu triplicar o números de associados e diz ter “recuperado a credibilidade da associação” junto aos comerciantes da cidade.

Para reconquistar a adesão dos comerciantes, a nova diretoria também passou a oferecer atrativos como salão de cabeleireiros e o consultório odontológico. “Para atender os comerciantes. Não é convenio, é da própria Associação Comercial”, destaca. Entre os os novos convênios, Davi Oliveira destaca a parceria com empresas de plano de saúde, colônia de férias e chácaras para confraternização.

“As dívidas deixadas pela gestão anterior foram de R$ 200 mil reais. Aos poucos nós estamos alavancando, trazendo novos sócios, oferecendo incentivo, fazendo campanhas e firmando novas parcerias”, argumenta.

Um dos maiores desafios do comércio votorantinense, segundo Oliveira, é reduzir o número de comerciantes que ainda atuam na informalidade. “Nós temos mais de 2.800 lojas na cidade, sendo 600 delas informais, ou seja, na garagem das casas. A gente está trabalhando para tentar legalizar a situação, formalizá-los e dar CNPJ”, destaca.

Sobre o futuro, o representante da Associação Comercial esbanja otimismo. “A expectativa é a melhor possível. Nos domingos, nós temos muitos pontos turísticos que são visitados, mas no comércio, há poucos atrativos. Nós pretendemos fortalecer isso, o comércio de serviços, principalmente para os turistas. Daqui dez anos, a cidade vai ter outra história. Nós estamos passando por uma renovação. Tem aparecido gente nova com cabeça nova e isso, na minha opinião, vai trazer ótimos resultados”, finaliza.

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