Exposição excessiva ao sol impõe riscos de câncer de pele

Felipe Shikama

Final de ano e, principalmente para aqueles que vão gozar das merecidas férias, a chegada do verão é aguardada com ansiedade. A estação do sol e do calor começa no dia 21 de dezembro e se encerra no dia 20 de março.

Neste período, em que piscinas, clubes e praias vão receber milhares de frequentadores, especialistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) aproveitam para reforçar a advertência: a exposição excessiva ou de forma inadequada ao sol, além de ser principal responsável pelo câncer de pede, também pode trazer inúmeros prejuízos à saúde.

Segundo estatísticas do Instituto Nacional do Câncer, o câncer de pele é o de maior incidência no Brasil e está diretamente relacionado à exposição ao sol. Somente em 2009, cerca de 55 mil brasileiros foram acometidos pela doença. Preocupada com os números, considerados alarmantes, a SBD criou em 2009 o Programa Nacional de Controle do Câncer de Pele. Há onze anos, o órgão promove a Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de pele, que oferece gratuitamente informação, diagnóstico e tratamento.

Em Sorocaba, desde 2007 a SBD e a Secretaria Municipal de Saúde realizam o mutirão anual de atendimento. Aberto à população, o mutirão de 2011 aconteceu durante toda a manhã do último dia 27 e contou 13 médicos dermatologistas e cinco cirurgiões plásticos. “No local, além dos exames, houve orientações sobre prevenção do câncer de pele e sobre a adoção de hábitos saudáveis”, detalha Deborah Regina Cunha Simis, presidente da SBD em Sorocaba e coordenadora do mutirão.

Este ano, o mutirão avaliou 988 pessoas e detectou 118 lesões malignas. Deste total, 14 eram melanomas, considerado o tipo mais grave de câncer de pele. Também foram detectados 20 tumores do tipo carcinoma basocelular, 14 tumores do tipo carcinoma espinocelular (CEC) e 16 outros tipos de tumores malignos. Foram identificadas ainda 317 lesões pré-malignas, que podem evoluir para câncer de pele e 501 dermatoses (outras doenças de pele).

Tipos de câncer

Deborah Regina Cunha Simis explica que o câncer de pele é o crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. “Estas células se dispõem formando camadas e, dependendo da camada afetada, teremos os diferentes tipos de câncer”, afirma. Segundo ela, a radiação ultravioleta também é o principal responsável pelo envelhecimento da pele.

Ela acrescenta que o carnicoma basocelular é o tipo mais freqüente, e representa 70% dos casos. “É mais comum depois dos 40 anos, em pessoas de pele clara e seu surgimento está diretamente ligado à exposição solar acumulativa durante a vida. Geralmente acontece com aquelas pessoas que sempre trabalharam expostas ao sol”, explica a médica, doutora em Dermatologia pela Universidade de São Paulo e professora da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Sorocaba (PUC).

Já o carnicoma aspinocelular é o segundo tipo mais comum de câncer de pele que, segundo a médica, pode provocar metástase. “Seu surgimento está diretamente ligado à exposição prolongada ao sol e também ao tabagismo e exposição a algumas substâncias químicas”. O melanoma, contudo, é apontado como o tipo mais perigoso de câncer de pele. “Com alto potencial de produzir metástase, ele pode levar à morte se não houver diagnóstico e tratamento precoce”.

Diagnóstico e prevenção

Para a especialista, o diagnóstico precoce é a melhor arma no combate ao câncer de pele. “A pessoa deve ficar atenta a qualquer modificação na superfície da pele. Seja numa pinta que está crescendo, escurecendo, seja em lesões que não havia anteriormente, ferimentos que não cicatrizam, enfim, ao perceber qualquer mudança o adequado é que ela procure um médico dermatologista. Até porque na maioria das vezes essas alterações não provocam dor”, orienta.

Apesar dos riscos de câncer de pele provocados pela exposição excessiva ao sol, Deborah ressalta que a radiação solar, em nível moderado, não pode ser transformada em vilão. “O sol é vida, é benefício para determinadas patologias. As crianças, por exemplo, devem receber radiação solar para evitar o raquitismo e adultos para evitar osteoporose, mas isso deve ser feito com bom senso e responsabilidade”, finaliza a médica.

Dicas para proteger a pele

Para que você desfrutar este verão com saúde, o Jornal Ipanema selecionou algumas dicas que, se aplicadas corretamente, vão oferecer proteção eficiente de sua pele.

– Evite tomar sol no período entre 10 e 16 horas, quando a radiação é mais intensa;

– Escolha filtro solar com proteção contra os raios UVA e UVB, e fator de proteção solar (FPS) mínimo de 15;

– Crianças podem usar protetores solar a partir de seis meses de idade, de preferência filtros físicos, ou seja, aqueles que não reagem com a pele;

– O filtro solar deve ser aplicado 30 minutos antes da exposição ao sol, par que possa penetrar e proteger a pele, e deve ser reaplicado a cada duas horas.

– Use boné (ou chapéu) e camiseta sempre que estiver em situação de exposição ao sol.

(Fonte: SBD)

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