O homem-cueca poderá nos salvar?

A semana política de Sorocaba. (Com informações do www.jornalipanema.com.br)

Aumento e protesto

Vaias, cartazes e narizes de palhaço caracterizaram os protestos da última sessão extraordinária do ano no Legislativo Sorocabano. Na manhã desta segunda-feira (20), os vereadores aprovaram por unanimidade o aumento do próprio salário. Atualmente, os parlamentares ganham cerca de R$ 7,8 mil. Com aprovação da lei, passarão a receber, a partir de 2013, R$ 15 mil reais.

Roendo a corda

O projeto de resolução que vinculou os subsídios dos vereadores sorocabanos em 75% do salário dos deputados estaduais foi apresentado coletivamente, com assinatura de todos os 20 vereadores. Impedindo, portanto, que na hora “H”, sob a forte pressão da população, algum parlamentar roesse a corda. Sem discussão e em poucos segundos, a proposta recebeu aprovação unânime, e causou indignação dos moradores que acompanhavam a sessão.

Sem as calças

Dezenas de professores, estudantes e operários foram ao plenário, na tentativa de mobilizar os vereadores contra a aprovação do aumento. Um rapaz, que se manifestava durante a sessão ficou revoltado e chegou a tirar a roupa dentro do plenário, tendo de ser contido e retirado por Guardas Municipais.

Com as calças

Mais tarde, um pouco mais calmo, e vestindo as calças, Reinaldo Martins do Prado, o Reinaldo do Alambique, disse que o protesto inusitado não foi premeditado. “Indecente não foi eu ter ficado só de cueca. Indecência foi o que eles (vereadores) fizeram”, referindo-se ao aumento de 50% dos vencimentos.

Mais cargos

Sem se abalarem com os protestos da população, os parlamentares aprovaram, também por unanimidade, o projeto que cria mais cargos para Câmara. A partir de agora, cada vereador terá direito a mais um assessor de gabinete. Esses assessores serão contratados sem concurso público e deverão receber mais de R$ 3 mil por mês. Com isso, cada vereador poderá ter até seis assessores em sua equipe.

No escuro

Há quem desconfie que a votação relâmpago que resultou na aprovação do aumento dos salários dos vereadores, para valer para a próxima legislatura, a partir de 2013, tenha sido mal compreendida por alguns parlamentares. Observadores defendem a tese de que alguns vereadores tenham aprovado a medida, já pensando que ela valeria para o início de 2011. Esta opinião, logicamente deverá ser rechaçada por todos os parlamentares.

Desgaste

A tese de que parte dos parlamentares tenha votado “no escuro”, justifica-se diante do extremo desgaste que a Câmara como um todo, sofreu, está sofrendo, e deverá sofrer. A pergunta que fica é, se o aumento dos vencimentos valerá somente para a próxima legislatura, porque não deixaram para votar no final do ano que vem, após as eleições municipais?

Sem remédio

Diante da medida extremamente impopular que é a aprovação do aumento do próprio salário, parece haver poucos remédios para curar o estrago feito. Não há “bom trabalho”, bons argumentos e tampouco bons assessores que, juntos, consigam convencer a população de que o salário mensal de R$ 15 mil para cada vereador é justo.

Com remédio

Por outro lado, a população descontente, que se mostrou indignada diante do “reajuste”, conta com uma série de ferramentas para declarar sua reprovação à atitude dos parlamentares. Além de telefonemas e também no olho no olho, os eleitores podem cobrar, criticar e discutir com os vereadores por meio de e-mails e, para aqueles mais modernos, inclusive por meio do Twitter. Só o que não pode é a população deixar a indignação virar esquecimento.

Acusações desnecessárias

Enquanto Reinaldo do Alambique, o homem da cueca, era posto para fora do prédio da Câmara por guardas municipais, o assessor de um vereador acompanhava de perto e fazia questão de acusar o rapaz, em alto e bom som, que ele só ele estava lá, pois havia recebido dinheiro de um político da cidade. Fato é que, para protestar em defesa dos interesses da população, não é preciso receber dinheiro (seja muito ou pouco) para não perder a capacidade de se indignar e lutar por aquilo que se considera justo.

O dono da bola?

Na mesma linha, um vereador disse que o grupo de manifestantes era ligado a um “candidato derrotado nas últimas eleições”. Ora, significa que membros do partido derrotado nas últimas eleições não têm legitimidade para fazer oposição? Se for assim…

 Apunhalados

Ainda sobre o aumento do salário dos vereadores, o voto favorável da bancada do PT foi recebido como uma punhalada nas costas dos militantes mais antigos do partido. Em seu Twitter, o vereador Izídio de Brito, um dos poucos que pôs a cara para bater, revelou que a decisão foi “tirada” (decidida) pela Executiva do partido no início do ano “e concordamos”. Justificando os inúmeros tweets (comentários) recebidos, Izídio acrescentou: “nós apenas o adequamos perante a legislação nacional.

Justificando

Sobre a aprovação do sexto cargo no gabinete, o petista disse que o aumento da equipe parlamentar se faz necessário, pois “muitos não entendem que são inúmeras as demandas diárias recebidas”. “Queremos atender o povo sorocabano da melhor maneira possível”, alegou Izídio no Twitter.

Boas festas

Após a polêmica sessão, mesmo sem demonstrarem sinais da pressão provocada pelos moradores, os vereadores ainda tiveram tranqüilidade para se abraçarem e desejarem mutuamente boas festas. O mais abraçado de todos foi Carlos Cezar que, a partir de março do ano que vem, inicia seu mandato como deputado estadual na Assembleia Legislativa.

Absorver?

Em entrevista coletiva, o presidente da Câmara, Marinho Marte (PPS), admitiu que a aprovação do aumento do salário para a próxima legislatura deve implicar em desgaste à instituição. “Desgaste sempre existe, agora é absorver o desgaste, trabalhar e enfrentar as cobranças. O importante é que ninguém atropelou nada da parte legal, havia esse interesse de desatrelar o (o salário) do executivo e foi isso que aconteceu”, justificou.

Disputa acirrada

Com salários para lá de atrativos, fixados em R$ 15 mil a partir de 2013 e mais seis assessores, a disputa por um assento na Câmara dos vereadores na próxima eleição municipal deverá ser ainda mais acirrada. Raul Marcelo (PSOL), caso pretenda voltar ao Legislativo sorocabano já sai com uma ligeira vantagem no que se refere à aprovação da opinião pública. Isso porque o PSOL foi a única sigla que votou contrariamente ao aumento dos deputados federais para valer no ano que vem.

Repercussão nacional

Nesta quinta-feira (21), o episódio do aumento relâmpago dos vereadores e do manifestante da cueca ganhou repercussão nacional. Além de portais de notícia como o G1, o SPTV, noticiário local da TV Globo na cidade de São Paulo, destacou o assunto, que mereceu comentários ácidos do respeitado jornalista e apresentador Chico Pinheiro. “Enquanto isso, professores…”

 “Vai e Vem Móvel”

O Prefeito Vitor Lippi, acompanhado do vice-prefeito José Ailton Ribeiro e do secretário da Cultura e Lazer, Anderson Santos, entregou esta semana, na Praça Cel. Fernando Prestes, 30 unidades do Projeto “Vai e Vem Móvel”, carrinhos adaptados com livros para serem emprestados gratuitamente à população. Agora, com a ampliação deste programa, considerado exemplar para todo o país, os sorocabanos não têm mais motivos para não adotarem o hábito da leitura. 

Best-sellers

Para abastecer os carrinhos do “Vai e Vem Móvel” foram comprados cerca de 300 novos livros, sendo 10 novos títulos, incluindo vários best-sellers, como “Ladrão de Raios”, de Percy Jackson, “Ponto de Impacto”, de Dan Brown, “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer, “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, “Diário da Julieta”, de Ziraldo, entre outros.

O leitor

Com férias que se iniciam neste sábado (25) e seguem até dia 10 de janeiro, o prefeito Vitor Lippi (PSDB) deverá ter tempo de sobra para ler e se deliciar com alguns Best-sellers, ainda que emprestados do projeto “Vai e Vem”. Lippi já se queixou de “não ter tempo” para ler bons romances. Pessoas próximas, no entanto, sabem que Lippi gosta de se manter atualizado e não dispensa a leitura de livros técnicos de Gestão Pública, assunto que é declaradamente apaixonado.

Furukawa em férias

Além do prefeito Vitor Lippi, o secretário de Finanças, Fernando Furukawa, também está gozando de merecidas férias. Discreto, Furukawa, por outro lado, é considerado “linha dura” pelos vereadores de Sorocaba que, com freqüência, se queixam publicamente ao titular da pasta diante do fato de não ter obras pontuais atendidas, por razões orçamentárias.

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