Ingenuidade e geração de empregos não combinam

Por Felipe Shikama

O índice de desemprego no país em 2010 será o menor em oito anos, segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A média dos dez primeiros meses registrou índice de 7%, – isso sem incluir os meses de novembro e de dezembro, que historicamente registram taxas de desemprego mais baixas devido aos trabalhos temporários voltados para o final do ano.

Em Sorocaba, 6.510 foram contratadas por meio do Posto de Atendimento ao Trabalhador, acompanhando os bons indicadores nacionais, esses já bem próximos do patamar do chamado “emprego pleno”. As contratações por meio do PAT, segundo a prefeitura de Sorocaba por meio da Secretaria de Relações do Trabalho, representam 45,37% de todas aquelas efetivadas na cidade ao longo de 2010 (15 mil novos postos de trabalho entre 1º de janeiro a 20 de dezembro).

Segundo o secretário da pasta, Luis Alberto Firmino, o elevado número de contratações é fruto da “gestão do prefeito Vitor Lippi aliada à dedicação dos funcionários (do PAT)”.

Evidentemente a dedicação dos servidores e, mais especificamente, a gestão do prefeito da cidade, influenciam na (re) colocação de profissionais no mercado de trabalho formal, mas esses aspectos não são, nem de longe, os mais fundamentais para o bom resultado apresentado em Sorocaba.

Ao meu ver, atribuir o baixo índice de desemprego exclusivamente à municipalidade, se não for prática desonesta (pior das hipóteses, que não quero cogitar numa gestão que se autodenomina “republicana”), é no mínimo ingênua. Afinal, ao se apropriar com exclusividade dos resultados positivos da geração de empregos, o município oculta elementos conjunturais e pontuais da estabilidade da economia brasileira que, quando vai bem, consome mais, produz mais e, logo, gera mais empregos – não só em Sorocaba, mas em todo o país.

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Um comentário sobre “Ingenuidade e geração de empregos não combinam

  1. É difícil delimitar até onde é apenas uso político de uma conjuntura positiva (má-fé), ou é burrice mesmo.

    Como vc mesmo afirmou, é óbvio que há elementos de investimento público, prinipalmente as isenções fiscais e de infraestrutura que colaboram com a quadro geral, mas creditar a elas estes índices é demais.

    Mas é razoavelmente simples verificar empiricamente. Basta ver os dados das outras cidades do estado de São Paulo e constatar quais e quantas, no mesmo ambiente econômico, atingiram resultados melhores ou piores.

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