Aposentado realiza sonho de infância e pilota moto na famosa “Rota 66”

Felipe Shikama – para o Jornal Ipanema
Apaixonado colecionador de relógios antigos – dezenas de relíquias preenchem as paredes de sua casa -, Antonio Valdir Gonçalves, se aposentou em 1994, mas, de lá para cá, optou por não ficar em casa vendo o tempo passar.

Aos 68 anos, o coronel reformado da Polícia Militar é apaixonado por motocicleta e, recentemente, em companhia do filho e de amigos, realizou um sonho antigo: pilotar uma possante máquina pelo asfalto da famosa “Route 66”.

Viagem percorreu três estados norte-americanos

Segundo seu Antonio, porém, a Rota 66 não é mais aquela estrada, imortalizada pelo cinema no filme “Easy Rider” que, ao som de “Born to be wild”, cruzava os Estados Unidos de costa a costa. “Novas rodovias foram construídas, que cruzam com ela, e dela só restou um pedaço”, conta, antes de detalhar o roteiro da viagem que, em quinze dias, percorreu os estados da California, do Arizona e de Nevada.

A aventura que começou em Los Angeles, com o aluguel das motocicletas de 1.800 cilindradas, e incluiu paradas no distrito de Hollywood, e nas cidades de Las Vegas e San Francisco, é mais uma das diversas viagens que já realizou sobre duas rodas. “Se a minha mulher andasse comigo, eu não parava mais em casa”, comenta.

A paixão por motocicleta começou ainda criança. “Desde moleque eu já queria ter uma moto. Quando eu comecei a trabalhar, com 12 anos, dava o dinheiro para o meu pai. Quando finalmente eu consegui juntar um dinheirinho, ele não deixou porque achou perigoso”, rememora o coronel.

A vida foi passando e a paredes da sala tomadas pelos belos relógios. Veio trabalho, casamento, filhos e a motocicleta de alta cilindrada que a possui hoje foi adquirida depois da aposentadoria.

Depois de se aposentar do subcomando geral da Polícia Militar e ver todos os seus filhos casados, seu Antonio já viajou para diversos estados brasileiros e, como o revolucionário argentino Ernesto “Che” Guevara [cuja história é relatada no emocionante filme “Diários de Motocicleta”], conheceu a realidade e as belezas dos países da América do Sul, como Argentina e Uruguai, a bordo de uma moto. “O norte da Argentina é uma coisa incrível. Lá tem uma estrada que, durante 150 quilômetros, é uma reta extremamente plana”, lembra. “O único problema é que há pouquíssimos postos de gasolina”, acrescenta.

Sem destino

Motociclista experiente, seu Antonio destaca alguns aspectos importantes para aqueles que pretendem cruzar as rodovias do país. “O ideal é nunca viajar sozinho. Sempre em companhia de outros motociclistas, de preferência amigos, porque eles nunca te deixam na mão. Além disso, deve-se evitar pilotar à noite porque os riscos são muito maiores”, recomenda.

Quanto à bagagem, aconselha, “deve se levar apenas aquilo que é estritamente necessário”. Já no que se refere ao destino, a regra é exatamente a de ser livre. “Pode soar como vaidade da parte da gente, mas a gente [a bordo da motocicleta] se sente dono do nariz. É como se fôssemos poderosos porque vamos definindo o destino, as paradas, as cidades. Neste momento, a gente decide tudo”, comenta o policial, na tentativa de descrever a sensação de pilotar durante vários dias.

Diferentemente da viagem aos Estados Unidos, que teve de ser programada previamente, seu Antonio conta que outro atrativo das viagens “sem destino” à bordo da motocicleta está na economia. “Não sai tão caro, porque não fazemos questão de ficar em grandes e bons hotéis. Muitas vezes, hotéis de caminhoneiros, na beira da estrada, são bastante confortáveis e tem de tudo o que a gente precisa. E que não é muito. É apenas de um banho, um jantar e uma cama para dormir”, relata o motociclista que, em meio ao percurso da Rota 66, foi surpreendido por um casal de amigos que fez uma paradinha em Las Vegas para se casar.

Próximo de completar 69 anos, Antonio também é membro do motoclube Freebikers. Com disposição de menino, e ao som dos relógios de sua parede, o motociclista, que faz caminhada quase que diariamente, dá a dica para manter a ótima disposição. “O importante é a cabeça. É viver sem estresse e fazer as coisas que gosta”, aconselha antes de concluir. “Para mim, ficar apenas à frente da televisão é estar à espera da morte. Com a cabeça funcionando, sem esse estresse do dia-a-dia, do trabalho, a gente começa a enxergar coisas que a gente não via antes”, comenta.

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