Obesidade infantil e a publicidade de alimentos

Por Felipe Shikama

Recentemente tive a oportunidade de elaborar uma extensa reportagem ao Jornal Ipanema sobre obesidade infantil (confira). O trabalho, no qual consultei pediatras e nutricionistas, ganhou forma de suplemento e destacou alguns dos aspectos do problema que, atualmente, atinge mais de 40 milhoes de crianças com até cinco anos de idade.

“Obesidade infantil é problema de saúde pública”; “TV piora a qualidade da alimentação de crianças”; “Maioria das mães amamenta pouco e dá alimentos inadequados aos filhos”; “Excesso de pesos na infância aumenta riscos de doenças na vida adulta”; “Especialistas dão dicas para alimentação saudável das crianças”, foram os títulos dados aos diversos aspectos e enquadramentos sobre o mesmo assunto.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a obesidade já é considerada um problema de saúde pública e os dados são assustadores: a população obesa mundial dobrou em três décadas, e chegou a 500 milhões de pessoas.

E o que tem a ver a questão da obesidade com direitos da infância, poderia perguntar o leitor, consciente de que este espaço é vocacionado a priorizar assuntos relacionados às garantias dos pequenos.

A questão central da obesidade infantil, em minha opinião, é inseparável de outros dois aspectos: o consumo e publicidade.

Afinal, conforme acabo de ver no site do Projeto Consumo e Infância, pesquisas mostram que os hábitos alimentares começam a ser formados ainda na infância. Além disso, estudos mais recentes mostram que até a quantidade de gordura é definida nessa faixa etária.

Com a estimativa de que, no final de 2010, mais de 42 milhões de crianças com menos de cinco anos estavam acima do peso ou sofriam de obesidade, 35 milhões de crianças de países em desenvolvimento, como o Brasil, a perspectiva para os futuros índices da doença não nos parece muito favorável.

Ciente da forte influência da publicidade na formação dos hábitos alimentares não saudáveis, em 2010 a OMS publicou uma série de recomendações para o combate da obesidade para os governos mundiais, pedindo, entre outras coisas, que fossem criadas políticas públicas que regulamentassem a publicidade de alimentos com alto teor calórico e baixo teor nutritivo.

Uma Resolução do Conselho Nacional de Saúde segue o mesmo raciocínio. Com a publicação da Resolução 24 da Anvisa, em junho de 2010, o Brasil dava um passo no sentido do combate a doença.

É por esse motivo que este blogueiro, endossando a causa do Projeto Criança e Consumo apoia a legislação, suspensa atualmente para associados da ABIA, por liminar resultante de Ação promovida pela associação, e criou, junto com o Idec, a Faculdade de Saúde Pública da USP e outras 40 instituições, a Frente pela Regulamentação da Publicidade de Alimentos. Afinal, assim como os militantes do Projeto Criança e Consumo, eu acredito que esse seja um caminho para que possamos diminuir esses índices e minimizar as doenças decorrentes da obesidade.

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