Ainda eleições 2010: A culpa não foi do povo. Foi de não dialogar com o povo

Por Felipe Shikama

O eleitor sorocabano não soube valorizar os parlamentares da região. O palhaço Tiririca, que acaba de ser designado para integrar a comissão de Educação da Câmara Federal, pasmem, recebeu milhares votos nas urnas de Sorocaba e de toda região.

Ao mesmo tempo, à exceção do pastor Jefferson Campos, fundador de uma igreja no Parque São Bento – e que recebeu votos pulverizados em todo estado de São Paulo -, nenhum dos ex-parlamentares da terra de Baltazar se mantiveram no mandato.

Os eleitores e apoiadores dos tucanos Renato Amary e Antonio Carlos Pannunzio e da petista Iara Bernardi, assim como eles, ainda fazem esforços para tentar entender o “que aconteceu”. Nessas análises, com sentimento de amargura e gosto de derrota, logicamente, a tendência é sempre a de achar “um culpado”.

Rachas partidários, falta de dinheiro e distribuição proporcional dos votos, portanto, como temas centrais para a urgente reforma política que, certamente, deverá tratar de questões como o financiamento público de campanha, a efetivação do conceito de fidelidade partidária e o voto distrital (puro ou misto) para a representatividade parlamentar.

Atribuir a derrota da não reeleição ao chamado “fenômeno Tiririca” ou à ausência de uma “ampla reforma política”, contudo, é limitar a análise a uma lógica simplista. É desconsiderar a capacidade de ideação e decisão dos eleitores que, como vimos, optaram maciçamente para a não manutenção dos mesmos representantes. Logicamente que, ao mesmo tempo, a falta de politização da generalizada da sociedade pesaram na absurda e midiática tese do “pior que tá, não fica”.

A verdade é que nossos (ex) representantes, sob o direito constitucional do mandato, que gozaram por durante quatro anos, afastaram-se, em maior ou menor medida, de suas bases. Aliás, a meu ver, estar perto de suas bases eleitorais não é apenas aparecer, com certa frequência, pelos jornais locais – trabalho que, como vimos, sempre foi muito bem desempenhado por suas assessorias de imprensa.

O afastamento das bases, que representou a não reeleição, significa a incapacidade de estabelecer um diálogo verdadeiro, direto e estreito, com os seus eleitores. Ao escolherem a opção de não conversar com o povo, inclusive por meio de movimentos sociais, os parlamentares de Sorocaba pagaram um preço alto que, agora, amargamente, tentam entender. Sem reconhecerem o afastamento das bases eleitorais, contudo, sem mandato, agora atribuem a amarga derrota à ausência da (fundamental!) reforma política e, pior, ao “fenômeno Tiririca”.

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