Entre o galanteio e a grosseria

Caros (as) amigos (as) leitores (as), depois de um bom tempo sem aparecer por aqui, republico reportagem de minha autoria, sobre Cantadas e Galanteios. A matéria foi publicada neste sábado (12/03) no Jornal Ipanema. Mais tarde, se der tempo, trago coisas novas! Abraços gerais.

Verbalizar o interesse afetivo ao pretendido (a) companheiro (a) faz parte das relações humanas. Aliás, quase todas as relações amorosas começam por aí: no flerte, xaveco, enfim, na cantada.

 No entanto, um simples convite para jantar, por exemplo, com a intenção de conhecer melhor o outro (a), nem sempre é tarefa fácil e, dependendo das circunstâncias, a ofensiva, além de ultrapassar o limite do bom senso, pode se caracterizar em assédio sexual. “Não existe uma conduta específica que defina o assédio sexual, que é crime previsto pelo Código Penal. Mas, em todos os casos, ele se dá quando há uma situação de constrangimento e que envolve o aspecto sexual”, comenta a advogada Andreia Vernaglia Faria, especialista em Direito Empresarial.

No âmbito do trabalho, destaca ela, o assédio geralmente acontece quando o agressor impõe condições de desvantagem à vítima. “Como a promoção do cargo ou manutenção do emprego em troca de algum tipo de contato sexual”, detalha.  Segundo Andreia, a prática, que pode resultar em indenização por danos morais, é uma situação complexa, pois, muitas vezes, a vítima tem dificuldades de provar o assédio sexual. “É um crime que geralmente não há testemunhas, acontece à portas fechadas”.

A Justiça tem reconhecido e-mails e bilhetes como prova, mas sempre é um caso complicado”, acrescenta. No microblog Twitter, o perfil “Pedreiro Online” faz sátira às investidas grosseiras. Publicações diárias de cantadas, como “Gata, você é nutricionista? Porque eu quero te incluir na minha lista de carnes magras, sua linda”, fazem sucesso na rede mundial de computadores e já renderam mais 97 mil seguidores ao internauta anônimo.

Original e inteligente

A jornalista Larissa Vasconcelos, 26 anos, admite que as mulheres, de forma geral, gostam de receber elogios, mas ressalta que existe uma linha tênue que separa o galanteio da grosseria. “O mais comum, infelizmente, é a cantada ser de mau gosto. É ruim quando ouvimos coisas vulgares, que desvalorizam a mulher como ser humano”, detalha.

Além disso, Larissa destaca que a boa cantada deve ser original. “Uma boa cantada é aquela em que a mulher se sente valorizada. E precisa ser algo inteligente, não aqueles jargões já conhecidos”, emenda a jovem.

  Manual dá dicas para abordagens criativas

 Com a intenção de “reabilitar” o termo xaveco, os jornalistas Fabiano Rampazzo e Ismael de Araujo lançaram, em 2006, o livro “Manual do Xavequeiro”. Na obra, os autores dão uma série de dicas para os homens abordarem as mulheres pretendidas de forma criativa, e inclui até “níveis de dificuldade” da aproximação. “O xaveco nada mais é que a manifestação do desejo por outra pessoa. É a arte de abrir espaço, se aproximar e conquistar. Mas é preciso reconhecer o seguinte: se eu tenho todo o direito de me aproximar dela, ela, ao mesmo tempo, tem o direito de negar essa aproximação e isso deve ser respeitado”, explica Araujo.

 Sucesso de vendas, a obra está em sua 11ª edição, mas segundo ele, o Manual não tem a intenção de transformar os leitores em “pegadores profissionais”. “O Tom Cruise, o Bread Pitt, o Rodrigo Santoro… todos eles já tomaram fora. Em nosso livro a gente não ensina o cara a ser um Superman das relações, mas a gente defende a seguinte filosofia: xaveco, logo tomo fora”, comenta.

Segundo a dupla, a obra também visa mostrar que o bom xavequeiro é um cara sensível. Entre os esforços para conquistar a parceira ideal, os autores destacam que vale quase tudo, menos mentir. “Seja qual for a estratégia, ela tem que partir do princípio da verdade. Seja honesto, tanto do ponto de vista afetivo como do ponto de vista material. Tem muito cara que tem uma lata-velha e fala que tem uma Mercedez. Se você tem uma lata-velha, seja honesto, e transforme isso, em seu discurso, numa carruagem. As chances de você se dar bem falando a verdade são infinitamente maiores”, ensina o jornalista.

Embora seja escrito com boas doses de humor, Araujo afirma que a “arte” do xaveco, ao contrário do que muitos pensam, é coisa séria. “Nascemos porque nossos pais xavecaram um dia as nossas mães. Porque nossos avôs xavecaram as nossas avós. Bom humor é tudo na vida, mas se apaixonar, desejar, levar fora, beijar na boca, ter filhos, isso tudo não pode ser tratado apenas como piada”, conclui.

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Um comentário sobre “Entre o galanteio e a grosseria

  1. Ja recebi uma cantada como vc tem uma colher pois eu tou dando sopa ja galanteio é diferente como seus olhinhos brilhantes como estrelas na noite bela ai sim! Mas adorei

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