Moradores do Habiteto dão aula de cidadania aos vereadores

Felipe Shikama

Nesta terça-feira (19), um grupo de moradores do Conjunto Habitacional “Ana Paula Eleutério”, o Habiteto, Zona Norte de Sorocaba, foi à Câmara Municipal para dar uma grande aula de exercício pleno de cidadania. Os alunos foram os próprios vereadores. Eles cobraram desculpas do vereador Tonão Silvano (PMDB) – que é diretor de um time de futsal que leva seu nome -, que na noite da última quinta-feira teria xingado e intimidado um inspetor da Guarda Civil Municipal de Sorocaba, após partida pelo campeonato Cruzeirão (maior torneio de futsal aberto do mundo).

De acordo com reportagem do jornal Cruzeiro do Sul, Tonão chamou o guarda de “vagabundo” e disse que ia pedir para o prefeito Vitor Lippi (PSDB) para transferir o servidor público para o Conjunto Habitacional Ana Paula Eleutério, o popular Habiteto.

Edson X Pelé
O parlamente alegou que estava falando como o cidadão Tonão e não como membro do legislativo. “Quando a gente vê o time seu [sic] ser meio prejudicado, você fica mesmo exaltado. E nessa hora de emoção, ali eu não estava falando como o vereador Silvano. Eu estava falando como Tonão Silvano”. 

Antes de pedir desculpas, Tonão se defendeu, dizendo que em nenhum momento chegou a ofender, desmerecer ou mesmo menosprezar a categoria da Guarda Civil Municipal. “Eu quero pedir desculpa para Guarda Municipal. Às vezes, eu, com 63 anos, às vezes todos os vereadores, a gente tem que engolir alguma coisa em seco. E isso eu estou engolindo, estou pedindo desculpa aos guardas municipais. Eu acho que houve alguma coisa que poderia ter acontecido”.

Nota de depúdio
O grupo de moradores do Habiteto, num exercício pleno de cidadania, encaminhou uma nota de repúdio, que foi lida pelo presidente do Legislativo, Marinho Marte (PPS):

“O que você acha de ver a pessoa que deveria dar o exemplo de como se portar em local público fazer justamente o contrário? Alguns bairros, que passaram por dificuldades no passado, mas que contam com moradores e trabalhadores dispostos a lutar por melhorias [e] empoderamento da população, são praticamente humilhados pela fala de uma pessoa pública. Pessoa essa que, apesar de estar ai para trabalhar por melhorias, não luta pelo desenvolvimento dos bairros, como o em questão. Mas para a sua depreciação, sim, e com muito fervor consegue colocar por água abaixo o trabalho de muitos anos. Pessoa esse que, diferente da maioria, tem a acesso a meios de comunicação e de cultura. Mas isso prova que o acesso à cultura não garante o bom isso dessa. Pessoa essa que, alienada de dificuldade de ter trabalhadores no nosso bairro, incita justamente castigo para quem trabalha aqui. Como, então, teremos moral para convencer professores, médicos, trabalhadores da pastoral e, até mesmo, os de ONGs a encarar os desafios do bairro? Como explicar a eles que o bairro, na verdade, não é como pintado por alguns? Como explicar aos que lá trabalham, e desse local fazem parte das escolas municipais e estaduais, Pastoral do Menor, posto de saúde, creche, Oficina do Saber, Sabe Tudo, Craas e etc., que não estão aqui por castigo, apesar do legislativo falar o contrário?”

Coorporativismo
Mesmo constrangido com o teor da carta redigida pelos moradores do Habiteto, Marinho saiu em defesa do colega parlamentar. Para o presidente do legislativo sorocabano, a situação conturbada foi provocada pela imprensa local que, segundo ele, ignora questões mais importantes da cidade.

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