Mobilidade urbana e informações transparentes

 Por Felipe Shikama

Os protestos de junho, que agora tomam as ruas de todo o país com bandeiras diversas, foram iniciados por movimentos sociais progressistas contrários ao aumento da tarifa de transporte público. Em Sorocaba não foi diferente.

E em tempo em que, oportunamente, se aprofunda o debate sobre mobilidade urbana e a sociedade reivindica o direito do acesso à cidade, sem falar na exigência pela transparência da planilha financeira das concessionárias de ônibus, passou quase despercebida a “notícia” chapa-branca, é claro, publicada no Jornal do Município de Sorocaba do dia 24 de maio de que o Sistema de Bicicletas Públicas ultrapassou 100 mil empréstimos gratuitos em um ano.

A release, provavelmente produzido pela assessoria de imprensa da Urbes, só não passou totalmente despercebido porque alguns sites noticiosos da cidade fizeram questão de reproduzir o texto na íntegra, sem questionar tais informações, sem sequer mudar o título.

“Prestes a completar um ano de existência, o Programa Integrabike de Bicicletas Públicas da Prefeitura de Sorocaba já ultrapassou a marca de 108 mil empréstimos gratuitos”, informa o texto.

Ora, se dividirmos 100 mil por 365 dias, teremos 2.740 empréstimos (arredondados) por dia ou 110 (também arredondados) pessoas usando as bikes a cada hora. Possível? Estranho.

Segundo a Urbes, o sistema possui até o momento mais de 13.400 inscritos, 19 estações e 152 bicicletas utilizadas por pessoas com mais de 18 anos, que possuem qualquer um dos cartões de embarque do Transporte Coletivo municipal.

Vale destacar que as estações funcionam das 6 até às 22 horas. Para se chegar próximo ao número divulgado na publicação oficial da prefeitura, as estações deveriam, no mínimo, funcionar 24 horas por dia e ter pelo menos dois terços das bikes de cada uma das estações em uso. Será mesmo possível?

Não é de se duvidar, porém, que, tanto para mobilidade urbana quanto para lazer, a população tem usado cada vez mais esse serviço que, segundo a Urbes, custa para nós pouco mais de R$ 91 mil por mês. Que seja usado cada vez mais e faça valer esse investimento.

Longe de querer apresentar soluções para a mobilidade urbana da cidade, entendo que a população deveria não apenas fazer uso do empréstimo das bikes como também usufruir cotidianamente das ciclovias da cidade que, em grande parte de sua malha, é bastante segura.

Imagino que boa parte da sociedade queira ver em breve notícias que exaltem (?) o empréstimo de um milhão de bikes por mês. Pois isso mostrará que nossa cidade estará rompendo com o modelo individualista de um carro por pessoa (ainda que as avenidas recentemente rasgadas na cidade tenham sido concebidas sem corredores exclusivos para ônibus).

No entanto, não tenho dúvida de que essa sociedade exige que as notícias, produzidas por órgãos oficiais ou não, sejam verdadeiras e transparentes, e não maquiadas e falsas.

A mesma transparência deve, urgentemente, ser demonstrada na planilha financeira das empresas que prestam serviço de transporte público em Sorocaba, bem como os detalhes da base dos cálculos do preço da tarifa.

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