Entre a preguiça e a inspiração

Na reta final de minhas férias do trabalho – e conincidentemente da pós-graduação, admito: tive preguiça de postar neste blog qualquer crônica, reportagem, letra de música ou simples ideação. Preguiça, que aliás, apenas durante este período de merecido descanso, faço questão de exaltar.

Nenhuma novidade no Blog do Shikama, como este espaço já ficou familiarizado para grande parte dos meus estimados leitores, e, sobretudo, amigos, se deve muito mais à necessidade de relaxamento, leitura, boa companhia e uma série de atividades que, momentaneamente, me colocam fora da rotina.

Aliás, rotina – no caso, a minha -, os caros leitores que frequentam este blog conhecem bem. Todas as segundas ou terças-feiras reporduzo as reportagens sobre comportamento, saúde, educação entre outras, escritas para o Jornal Ipanema. Quando possível, notas e informações dos bastidores da política no ícone Semana Política e, dependendo da inspiração da vida, letras de músicas que insistem em ecoar verdades efêmeras.

Nessas férias, o que não faltou foi insipiração de temas, atividades, lugares – e de momentos de uma única e incrível companheira – para sentar-me agora com meu note, tranquilamente em minha cama, ouvindo boa música e comendo chocolates, e compartilhar detalhes neste blog.

Peço desculpas a você, caro leitor (a), mas prefiro guardar todos os momentos destes curtos 15 dias de ode à ociosidade na memória, com o sentimento de que o prazer de viver para além do trabalho, em boa companhia, em lugares e momentos sempre inspiradores, não serão excessão de um breve período de descanso em minha rotina profissional.

PS: Contigo, amor, quero viver essas (e muitas outras) inspirações sempre que nossas vidas nos permitirem porque, se depender de mim, não quero mais quase nada.

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Dor, fé e água

Hoje, dói. E a dor, creio que não seja sequer semelhante às corriqueiras – porém intensas – cólicas que ela, reclamando miudamente, costumava sentir; ao passo que eu, meio que sem jeito, quase que em vão, tentava positivamente amenizar com palavras mal escutadas: – Se cuida; tome um remédio.

A dor de hoje, só minha, não é assintomática, mas os sintomas certamente ninguém vê. Apenas eu, admirador de olhares, sinto o vazio existente dentro do meu peito.

Aquele “vazio” onipresente que, até então, ao ouvir ou ler, em músicas e poesias, acreditava ser exagero de poetas e músicos desiludidos com a surpresa doidamente se instala entre o discurso e o afeto.

Além do vazio, hoje há espaço de sobra para desânimo. Não admito, mas vontade de acordar e levantar é tímida, assim como o desejo de dormir. A comida, mal percebo, já se faz praticamente desnecessária.

O que ocupa o lugar dos nutrientes, até então bem vindos ao meu organismo, agora é basicamente nicotina e água.

Não sei porque, mas muita água. Talvez esta minha dor seja particular. Nunca conheci ninguém que, diante de uma perda, sentisse tanta sede.

Inutilmente desconfio, mas seria um golpe intelectual aos ilustres cientistas que já freqüentaram a história do mundo, dizer que tanta água se faz necessária para repor as tantas lágrimas já derramadas.

E foram muitas. E desconfio, sem arrependimento, que muitas outras lágrimas ainda virão. Disse alguém que “a cada mil lágrimas há um milagre”…

Sei que diferentemente da lenda do gênio da lâmpada, nós não escolhemos os milagres. Apenas os aguardamos. No meu caso, com fé, dor e água. 

Ode à dona dos olhares

Por Felipe Shikama

Na primeira vez que a vi, não vivi. Naquele dia, o misto de entusiasmo e insegurança não era maior que o sentimento de tristeza.

A simples ideação, em saber que a partir daquele momento, diferentemente dos últimos quatro anos, eu não mais estaria encastelado pelos os confortáveis e prazerosos muros daquela Torre de Babel.

Diante da companhia de grandes mestres, certo conhecimento e meia dúzia de amigos, talvez não tenha me permitido notar a profundidade e a beleza daqueles olhos verdes que posteriormente, saberia eu, seriam decisivos às minhas escolhas.

Como se aparecesse para me libertar. Foi na noite da minha formatura que a vi pela primeira vez. A uniformidade monocromática das becas pretas, todas com uma faixa azul no abdômen, faziam de todos, ali, tão iguais que talvez, pela instantânea euforia em me despedir dos meus colegas de graduação, não tive a capacidade de notar o que por trás daqueles olhos verdes, até então indiferentes, poderiam me mostrar.

Pareceu querer saber, de fato, quem eu era. Diante da pergunta ingênua daquela moça, teria me mantido indiferente, mais preocupado em encontrar um alfinete para ajustar a minha beca larga do que me apresentar, de forma educada e, em poucas palavras, confirmar a ela quem eu realmente achava que eu era.

Mas foi uma inclinação cínica, na falta de outra palavra, empregada àquela sentença, que me fez esquecer que a beca que eu vestia era consideravelmente maior do que o tamanho do meu corpo. Por trás daquele mítico par de olhos, descobri muitos outros olhares.

Não que, hoje, eu já seja capaz de reconhecer todos eles. Tampouco qualificado a catalogar e, depois, descrever em textos em ode a sua dona que, admito, aos poucos me enfeitiçou.

Creio que não foi hipnose ou coisa do gênero, mas quando me dei por mim, já estava nela. Já era dela e dela queria eu ser, para todo o fim.

Novos desafios

Caros amigos, é com prazer – e frio na barriga – que compartilho com vocês o meu novo desafio profissional que se inicia hoje (02/03/2009). Na verdade um desafio duplo. A partir desta data passo a exercer as atividades de repórter no Jornal Ipanema e da rádio Jovem Pan Sorocaba.

O Jornal Ipanema é um veículo impresso bi-semanário (quintas e sábados) com distribuição gratuita em condomínios verticais e  bancas de jornal de Sorocaba e Votorantim. O Ipanema tem tiragem atual de 28 mil exemplares.

Na rádio Jovem Pan, reportarei aos ouvintes do Jornal da Manhã que vai ao ardiariamente das 7:00 às 9:00 horas.

Diálogo

Por Felipe Shikama

Ele: O amor não existe!
Ela: A vida que não existe sem amor.
Ele: Então, eu, por exemplo, não existo?
Ela: Existir, existe, mas é inútil…
Ele: Inútil é passar a vida inteira querendo algo que não existe.
Ela: Inútil é passar a vida inteira sem querer absolutamente nada.
Ele: Nada é tudo aquilo que não existe.
Ela: Não existe pra céticos como você que não quer acreditar.
Ele: Acreditar no quê?
Ela: Naquilo que você diz não existir.
Ele: Ora, se não existe, não existe. Não é questão de acreditar.
Ela: Você, além de cético, é insensível.
Ele: Você, além de boba, anda muito carente.
Ela: Nossa, como você é estúpido.
Ele: Você que é ingênua demais pra sua idade.
Ela começou a chorar… Ele reconheceu sua grosseria, ela começou a tremer, ele ficou nervoso.
Ela quis sair correndo, ele quis se desculpar. Ela soluçou. Ele a apertou em seu peito. Ela fitou os olhos dele. Ambos se beijaram, se calaram, estremeceram…
Ela: Você me ama?
Ele: Não amo ninguém.
Ela: Então porque fez isso?
Ele: Porque me deu vontade.
Ela: Você é nojento.
Ele: Você é maluca.
Ele ficou irritado… Ela constrangida.
Terminaram a discussão.
Ela por amor. Ele por desejo.

Seis olhares

Por Felipe Shikama

A beleza da moça, ainda desconhecida, não vinha de seus olhos. Mas, de forma humana e harmoniosa, da composição de seu rosto que emoldurava aquele par de olhos e meia dúzia de olhares.

Seis únicos olhares polissêmicos. Não que fossem indecifráveis, mas porque as palavras são, por assim dizer, arbitrárias, inexatas, obtusas.

O primeiro e disparado com mais freqüência era o reticente. Manifestava uma espécie de simultaneamente hesitante. Com seus olhos, ela silenciava o que deveria ou poderia ser dito.

Eventualmente armava um olhar curioso que, apesar da redundância da frase, tem desejo não apenas de ver, mas de aprender, saber etc. Era indiscreto, porém cuidadoso, zeloso. Digno de admiração, sim, pois era capaz de cultivar uma arte sem fazer dela um ofício.

Havia também um olhar singular, individual, isolado, único e que não tem igual nem semelhante. Particular e privilegiado, valia só por si. Era significativo, terminante, distinto, notável e extraordinário.

Raramente ela lançava mão do olhar argucioso. Uma espécie de refinamento da observação. Uma lança de raciocínio sutil e espirituoso.

Nos momentos defensivos disparava ingenuamente seu olhar ficto, genuinamente falso, quase “evasivo”, pouco fingido, suposto e ilusório.

Por fim, em circunstâncias estratégicas, ultrapassava os limites do justo e do razoável com seu olhar exorbitante. Desmedido, demasiado e, ao mesmo tempo, imprevisível.